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Transparência sobre publicidade é quase inexistente em redes sociais, diz estudo

Núcleo Jornalismo April 7, 2026
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Sete de 14 plataformas digitais analisadas que têm a publicidade como modelo de negócio não atendem a padrões básicos de transparência por não terem espaço para consulta de dados sobre o assunto no Brasil: TikTok, Snapchat, X, Discord, Kwai, Reddit e Telegram.

Os dados lançados nesta terça-feira (7.abr.2026) fazem parte do estudo Data not found, um índice de transparência de redes sociais criado pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Minderoo Centre for Technology and Democracy, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

O levantamento aponta, ainda, que mesmo aquelas que dispõem de uma biblioteca de anúncios não têm informações suficientes que possam ser analisadas de forma independente, como é o caso da Meta (dona do Instagram, do Threads, do Facebook e do WhatsApp), do YouTube, do Pinterest e do LinkedIn.

Os pesquisadores compararam a disponibilidade de dados de publicidade dessas plataformas no Brasil, na União Europeia e no Reino Unido, a partir de uma escala de pontuação que variava de zero (não disponível) a 100 (significativo).

Entenda as pontuações

Os autores fizeram o cálculo tendo como base critérios que tratavam de acessibilidade, consistência, precisão, entre outros. Os detalhes da metodologia podem ser lidos aqui (em inglês).

Os níveis de transparência foram divididos da seguinte maneira:

  • Significativo (81–100): A plataforma fornece uma infraestrutura de dados bem estabelecida e de acesso aberto — incluindo APIs gratuitas, documentação abrangente e ampla cobertura de dados — permitindo a coleta e o monitoramento sistemáticos de conteúdo com barreiras mínimas.
  • Limitado (61–80): A plataforma oferece ferramentas funcionais de acesso a dados, mas limitações notáveis ​​— como barreiras de pagamento, escopo restrito da API, documentação incompleta ou acesso limitado a pesquisadores aprovados — exigem soluções alternativas para um monitoramento abrangente.
  • Deficiente (41–60): A plataforma fornece recursos de transparência parcial, mas lacunas significativas na cobertura de dados, capacidades de filtragem e documentação impedem pesquisas confiáveis ​​em larga escala.
  • Mínimo (21–40): A plataforma oferece apenas acesso mínimo aos dados, com a maioria dos recursos de transparência ausentes ou severamente limitados, dificultando o monitoramento sistemático.
  • Negligente (1–20): A plataforma oferece uma infraestrutura de transparência insignificante, com quase todos os critérios não atendidos e quaisquer ferramentas existentes muito limitadas para apoiar pesquisas significativas.
  • Não disponível (0): A plataforma não fornece mecanismos de acesso a dados, apesar da estrutura ser aplicável.

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O índice revela que os dados das plataformas são melhores na União Europeia e no Reino Unido devido ao arcabouço regulatório existente, como a Lei de Serviços Digitais (DSA) que impõe obrigações e responsabilidades às empresas signatárias, algo que o Brasil, como a maioria global, ainda não tem. Um exemplo é o fato de o TikTok ter biblioteca de anúncios para pesquisa para países europeus, mas não para brasileiros.

Por outro lado, os autores destacam que a existência de diretrizes normativas não garante por si só a transparência, uma vez que ainda falta padronização de protocolos e meios básicos para auditabilidade. "A ausência de penalidades ou mecanismos de fiscalização eficazes em muitas jurisdições agrava ainda mais o problema, criando um ambiente no qual o descumprimento acarreta pouco custo", argumentam.

No caso do Brasil, a pesquisa recomenda que o governo consolide princípios legais existentes em um marco de transparência específico para acesso a dados de plataformas digitais.

"A transparência da publicidade no Brasil deve, portanto, estar fundamentada na proteção do consumidor e no direito da concorrência. Os consumidores têm o direito consolidado de conhecer a natureza, a origem e o alcance do conteúdo ao qual são expostos. Incorporar disposições sobre acesso a dados no marco de proteção do consumidor — por meio de instrumentos como um decreto executivo ou portaria ministerial — seria uma medida prática e de aplicação imediata, com significativo potencial para melhorar a transparência em um dos maiores mercados de publicidade online do mundo", diz trecho do estudo.

Texto Jeniffer Mendonça

Arte e gráfico Aleksandra Ramos Edição Alexandre Orrico

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