{
  "$type": "site.standard.document",
  "bskyPostRef": {
    "cid": "bafyreictymznkihnbkwgxjlogdf6giorjminduo2elmm245b7wfkdn7ngi",
    "uri": "at://did:plc:ornzmtmt6fvwmpu54xzgm6hh/app.bsky.feed.post/3miwbpbth6gb2"
  },
  "coverImage": {
    "$type": "blob",
    "ref": {
      "$link": "bafkreiaylyrutyjb3hmsn3uov6tuo6pnagjsniowpuv2h2qtj5cwvn24uu"
    },
    "mimeType": "image/png",
    "size": 286712
  },
  "description": "Breno Faria integra corporação desde 2019 e viralizou com vídeos e cursos voltados às mulheres; leis proíbem que servidores federais da ativa façam comércio e se dediquem a outras carreiras",
  "path": "/reportagem/2026-04-07-cafe-com-teu-pai-influenciador-da-machosfera-e-policial-e-viola-regras-da-prf-nas-redes/",
  "publishedAt": "2026-04-07T17:14:17.000Z",
  "site": "https://nucleo.jor.br",
  "tags": [
    "vídeo",
    "publicada",
    "justificativa",
    "Lei 8.112/1990",
    "Lei 9.654/1998",
    "normativa",
    "vetado",
    "decidido",
    "Instrução Normativa nº 121",
    "A mulher que ele assume",
    "nossos impactos reais",
    "Apoie agora",
    "perfil do Instagram",
    "entrevista",
    "prisão de Thiago Schutz",
    "trend \"praticando para caso ela diga não\"",
    "Levantamento",
    "monitoramento",
    "aprovado no Senado",
    "campanhas de desinformação",
    "NucleoHub",
    "@brenocop",
    "@cafecombreno"
  ],
  "textContent": "Breno Vieira Faria, de 31 anos, tem mais de 2 milhões de seguidores somando todas as suas redes sociais. O crescimento se deu a partir de fev.2025, quando começou o projeto \"Café com teu pai\", uma sátira do livro/podcast devocional \"Café com Deus Pai\" que imita, inclusive, o design da marca da xícara de café acrescido de uma imagem de cigarro.\n\nCom mais de 11 milhões de visualizações no TikTok, o seu vídeo mais popular é o que explica o motivo de uma mulher que \"dá para todo mundo\" ser considerada uma \"vagabunda\" enquanto o homem que pega geral é \"fodão\", publicado em abr.2025.\n\nNo vídeo, ele diz que o homem é aquele que conquista e a mulher é a pessoa que é conquistada. E finaliza fantasiado com roupas que remetem à cultura asiática e linguagem à lá Cebolinha, de forma estereotipada: \"certa vez um sábio chinês disse: uma chave que abre todas as fechaduras é uma chave mestra. Já uma fechadura que abre por qualquer chave não presta pra nada\". E ainda diz para \"não odiar o mensageiro e sim a mensagem\".\n\n* * *\n\n###### É ✷ importante ✷ porque...\n\n#### _Leis e normas da PRF vedam que membros participem de atividade de comércio e se dediquem a outras carreiras;_\n\n#### _Está em tramitação na Câmara dos Deputados PL que criminaliza a misoginia, aprovado pelo Senado mês passado;_\n\n#### _Discursos de ódio contra mulheres têm se disseminado com facilidade e sem responsabilização das redes sociais._\n\n* * *\n\nEm entrevista ao influenciador Toguro, publicada em 2.fev.2026 no YouTube, Faria disse que começou na internet tentando produzir conteúdo sobre como passar em concurso público. Em 2019, ele entrou no curso de formação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Rio de Janeiro e continua na corporação ativamente.\n\n> \"Eu tava ensinando as pessoas a passarem [no concurso], só que aí não gostaram lá dentro [da corporação] e vieram... Os superiores falaram pra eu parar de fazer. Falei 'beleza, vou parar'. Parei de fazer. E eu sofri algumas críticas na época. O pessoal falava 'pô, moleque, polícia tá se expondo, tá dando aula na internet, não sei o quê, tá sendo coach'. Só que eu continuei, cara, eu continuei. Aí eu fui trabalhar no bastidor, fui fazer conteúdo pra outras pessoas, que eu já sabia a parada. Ano passado, quando eu fiz o 'Café com teu pai', explodiu. Aí veio um monte de gente falando 'pô, me ajuda a crescer também'. Aquela mesma galera [polícia], tá ligado?\" - **Breno Faria, em entrevista ao influenciador Toguro**.\n\nNessa entrevista, Faria fala que trabalha duas vezes por semana na PRF, por isso a atividade de influenciador, diz, não atrapalha o serviço público. Ele também revelou que evita falar sobre sua atuação como policial porque \"pode dar um incômodo na instituição\".\n\n®️\n\nCom a viralização, não demorou muito para que o influenciador fosse pedir o registro de exclusividade do uso da marca \"Café com teu pai\" ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), vinculado ao Ministério da Fazenda – que ainda não teve decisão –, e começasse a vender curso para ensinar mulheres a conseguirem ser assumidas em relacionamentos amorosos com homens \"de valor\".\n\nO **Núcleo** não conseguiu obter informação sobre os ganhos salariais de Faria pois o governo federal não publica valores nem a relação nominal de servidores sob a justificativa de \"risco e das particularidades das atividades desenvolvidas pelo órgão e a preservação da integridade física do profissional\".\n\n#### O que a lei fala sobre atuação de servidores públicos federais e PRFs nas redes sociais?\n\nA Lei 8.112/1990 veda que servidores públicos federais participem \"de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário\". Isso significa que ****eles podem ser sócios e receber lucros desde que não tenham poder de decisão ou de gestão do negócio****.\n\nA Lei 9.654/1998 estabelece que os ocupantes de cargos da carreira de Policial Rodoviário Federal ficam sujeitos \"****a**** ****integral e exclusiva dedicação às atividades do cargo**** \". Em 2020, a diretoria da corporação publicou normativa que veda até o exercício de magistério e outras carreiras na área de saúde, por recomendação do Ministério Público Federal. Já houve tentativa de projeto de lei flexibilizar essa atuação, mas foi vetado em 2024 pelo presidente Lula. Tribunais federais têm decidido contra o acúmulo de cargos remunerados de PRFs, tanto de atividade pública quanto privada.\n\nA Instrução Normativa nº 121, de 20 de dezembro de 2023, proíbe que policiais rodoviários federais usem contas pessoais que os identifiquem como servidores para fins de monetização, divulgação de notícias falsas, comércio de produtos, manifestação de apoio a \"discurso discriminatório, de ódio ou que expresse preconceito de qualquer natureza\", entre outros.\n\nO texto reforça a lei de 1990 e indica ainda a possibilidade de o titular da conta particular responder civil, criminal e administrativamente pelo uso indevido de rede social.\n\nEle ainda afirmou na entrevista que faturou \"60 milha\" (o que dá a entender como R$ 60 mil) no primeiro mês que viralizou no TikTok, que é patrocinado pela marca de café Jaguari (e é possível ver oferecimento de cupons de desconto na descrição de alguns vídeos no canal dele no YouTube), além da venda de cursos.\n\nAntes, uma dessas aulas que se chamava \"O fim da ficada\", agora tem o nome de \"A mulher que ele assume\". De acordo com o site, que é estampado com a foto do influenciador, a interessada têm de pagar R$57 à vista para ter acesso por até seis meses à aula em vídeo de Faria.\n\nO policial não é psicólogo nem possui formação em área correlata, mas oferece nessa aula \"plano emocional que você aplica em até 7 dias pra virar a chave do padrão\". Ele coloca apenas a sua experiência pessoal como homem para ser uma espécie de \"conselheiro\".\n\nNa área de pagamento, em que são aceitos Pix, cartão e parcelamento em até 12 vezes, é informada que a compra é de responsabilidade da empresa Vieira & Lenert Marketing Digital Ltda., que foi aberta em 2022, mas só no ano passado começou a ter o nome fantasia de \"Café com teu pai\". Faria está como sócio e a gerente de marketing Samantha Lenert como sócia-administradora, sendo a principal atividade da empresa o comércio de livros.\n\nEssa aula da \"Mulher que ele assume\" consta como chamariz em parte das 52 publicações patrocinadas que Faria realizou de 2025 até 27.mar.2026 no Instagram, no Facebook e no Threads, segundo dados da Biblioteca de Anúncios da Meta. Até essa data, ao menos 10 posts patrocinados estavam ativos. Outras publicações pagas se tratavam de publicidades que ele fez, como da Adapta, empresa que vende licenças de ferramentas de inteligência artificial.\n\nCaptura de tela de dois exemplos de postagens patrocinadas por Breno Faria na Biblioteca de Anúncios da Meta\n\nTanto a empresa Vieira & Lenert quanto a Gonçalves & Souza & Faria Marketing Digital Ltda., aberta em abr.2025 na qual Faria também consta como sócio (sem cargo de administrador no papel), são citadas em processos judiciais que o influenciador moveu contra a Meta e também indicam que ele tem participação ativa nos negócios, algo que a legislação veda para servidores públicos federais.\n\n_****Jornalismo com impacto****_\n __Ajude o__ Núcleo __a continuar fazendo a diferença por uma internet melhor. Confira__ nossos impactos reais__aqui e__ assine por apenas R$ 10 __para apoiar o melhor jornalismo de tecnologia do Brasil.__\n\n\n                            Apoie agora\n                        \n\n### **Fonte de renda**\n\nA primeira ação judicial foi aberta em out.2025, na qual Breno Faria afirma que \"foi surpreendido com a remoção unilateral de parte de seus conteúdos\" do seu perfil do Instagram (@brenocop), proibido de realizar transmissões ao vivo por 284 dias e sofrido restrições para comentar, seguir e curtir publicações sem justificativa.\n\nNo processo, que está em andamento no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ele pede que as sanções sejam revistas e que a Meta pague R$10 mil em danos morais ao alegar que foi prejudicado com a queda do alcance, do engajamento e da distribuição de conteúdo para realizar seu trabalho como influenciador digital, ainda mais com a proximidade da Black Friday na época.\n\nJá a segunda ação foi aberta no Tribunal de Justiça de São Paulo em 17.mar. Faria afirma que sua conta secundária no Instagram (@cafecombreno), de mais de 60 mil seguidores, foi indevidamente suspensa. Ele pede a reativação do perfil e o pagamento de R$ 15 mil a título de danos morais.\n\nNos dois casos, ele não cita que é servidor público federal, se coloca apenas como empresário e criador de conteúdo, e argumenta que as plataformas são suas ferramentas de trabalho. Ele ainda menciona, em cada uma, a criação de empresa para demonstrar que a atuação nas redes está intrinsicamente ligada à sua fonte de renda, já que as utiliza para alcançar possíveis compradores de seus produtos bem como fazer publicidade para marcas.\n\nPara a gerente de advocacy do Instituto Sou da Paz, Nathalie Drummond, o influenciador está infringindo tanto a lei de servidores públicos federais quanto a normativa da PRF sobre uso de redes sociais, ainda que não explore a imagem da corporação.\n\n> \"É bastante nítido que ele tem uma outra atividade que rende ganhos monetários e vantagens que podem impulsionar a outra atividade econômica dele\", avalia. \"Acho que tem um debate importante sobre essa confusão da atividade de produtor de conteúdo/influencer com a atividade de policial que mereceria a atenção da corporação e jogar luz sobre a necessidade das normativas serem tanto implementadas quanto aprimoradas para não deixar zonas cinzentas\".\n\nAté a publicação desta reportagem, a Meta tinha se manifestado apenas no primeiro processo e o perfil secundário do influenciador continuava fora do ar. A big tech argumentou nos autos que as suas plataformas não aplicam restrições de forma \"arbitrária\" e que elas ocorrem quando há indícios de violações às diretrizes da comunidade.\n\n### **Misoginia \"sutil\"**\n\nDesde o início da produção de seus vídeos, Breno Faria tem afirmado que não é red pill. Em entrevista ao videocast Inteligência Ltda., em mai.2025, ele conta que esse movimento o \"abraçou\" por ter compartilhado experiências que ele teve que seriam semelhantes aos adeptos e que ele até concorda com parte das premissas sobre \"homens se valorizarem\", mas que é contra os \"radicais\" que tentam seguir um manual para subjugar e conquistar mulheres.\n\nAs publicações mais incisivas do influenciador em negar relação com os red pills se deram depois da repercussão da prisão de Thiago Schutz, conhecido como \"Calvo do Campari\" e um dos mais conhecidos propagadores do movimento, sob a acusação de agressão e tentativa de estupro contra a então namorada, em 28.nov.2025. Diversos usuários relacionaram o conteúdo produzido por Faria como reforço ao discurso misógino também disseminado pelos red pills que culmina, em último grau, a uma violência física contra mulheres.\n\n#### Glossário\n\n✷ ****Misoginia**** : ódio, desprezo, aversão ou controle às mulheres e pode se manifestar de formas variadas.\n\n✷ ****Machosfera ou manosfera**** : comunidades, perfis, blogs, canais, sites e fóruns que reproduzem e alimentam o ressentimento masculino e o ódio contra as mulheres. Nela, há discussões sobre direitos dos homens, relacionamentos, independência financeira e a perspectiva de uma masculinidade tradicional, em que é comum a defesa de hierarquia de gêneros e críticas ao feminismo. É dividida em subculturas, como red pills, Pick Up Artists, incels, dentre outros.\n\n✷ ****Red pill**** (pílula vermelha, em tradução livre): faz referência a uma cena do filme Matrix (1999), quando o personagem principal Neo é obrigado a escolher tomar a pílula vermelha (acesso ao mundo real) ou a pílula azul (permanecer em um mundo ilusório). Nessa ideologia, os homens \"acordariam\" de uma suposta realidade na qual são explorados e manipulados por mulheres e precisam retomar o domínio para subjulgá-las.\n\n✷ ****Pick Up Artists**** (artistas da sedução, em tradução livre): homens que tratam mulherem como objetos sexuais e um prêmio a ser conquistado e que ensinam outros homens técnicas de manipulação para obter sexo.\n\nO nome de Faria também voltou a circular em listas de produtores de conteúdo da machosfera a serem evitados após a viralização da trend \"praticando para caso ela diga não\", no TikTok, no mês passado, próximo ao Dia Internacional da Mulher. Nela, homens aparecem simulando agressões, golpes de faca e disparos de arma contra uma parceira invisível caso ela negue um pedido de namoro ou casamento.\n\nPesquisadores de gênero ouvidos pelo **Núcleo** apontam que Faria não se enquadra propriamente como um integrante tradicional do movimento red pill, mas não deixa de se conectar à machosfera por reproduzir discursos que promovem e incentivam a desigualdade e a discriminação contra mulheres. Indicam, ainda, que é mais gravoso por se tratar de um servidor público produzindo esse tipo de conteúdo e que é esperado que ele tente se desvincular do movimento, que tem sido visto de forma negativa, para não perder seguidores.\n\nEle já disse, por exemplo, que \"mulher rodada não perde fama\", que se mulheres bem-sucedidas com mais de 30 anos estão solteiras é porque são \"problemáticas\", que mulheres têm que ser doces e, em de vez de reclamar sobre um incômodo com parceiro, devem fazer reforços positivos como se fazem com cães, que homens perdem o interessem quando \"as mulheres entregam tudo\", etc.\n\nEm outro trecho da entrevista ao Inteligência Ltda., o influenciador afirma que prefere ensinar as mulheres a \"jogarem o jogo\" e \"a não cair no papo dos caras\" porque os homens não teriam outro estímulo para mudar de comportamento.\n\n> \"Ele pode fazer mil elogios às mulheres, dizendo que elas têm sim que ser independentes, que elas não podem aceitar um homem falido, que elas têm que se valorizar, que elas podem ser o que elas quiserem desde que elas cumpram determinadas regras sociais. É bom que você tenha uma profissão, mas é bom que você não esqueça que você precisa ser mãe. É bom que você não esqueça que você tem um lugar, que é o terceiro turno dentro da casa, das atividades domésticas. É bom que você não esqueça de ter uma religião, para que você continue com a sua conduta sem nenhum tipo de vírgula. E é por isso que ele diz 'não sou eu que penso assim, é a sociedade'. Ele continua um discurso que é um discurso que casa com os red pills porque ele continua falando indiretamente de subordinação e de dominância\", analisa **Fábio Mariano, cientista social e pesquisador de masculinidades**.\n\nO ponto principal é que essas comunidades masculinistas costumam ter como público-alvo os homens e Faria faz o caminho contrário ao se voltar às mulheres. Para Bruna Camilo, doutora e pesquisadora em gênero e misoginia, o apelo emocional e o verniz de acolhimento que o influenciador usa para se comunicar e para vender cursos às mulheres também são formas de monetizar a misoginia por meio de um discurso sutil e perigoso.\n\n> \"A gente fica pensando que a misoginia é um tópico só para atrair o homem, só para falar com o homem. Mas não, a misoginia também dialoga com as mulheres. Mulheres essas, às vezes, que são pressionadas pela sociedade para casar. Mulheres que se veem completamente desesperançosas porque acham que não vão encontrar um príncipe encantado. A rede social está repleta de conteúdo que fala que a mulher precisa ter um companheiro a todo custo\", afirma **Bruna Camilo, autora da tese \"Masculinismo: misoginia e redes de ódio no contexto da radicalização política no Brasil\"**.\n\nOutro ponto é que as plataformas digitais incentivam que conteúdos de discurso de ódio tenham maior alcance. Levantamento do Netlab/UFRJ em parceria com o Ministério das Mulheres apontou que 90% dos 137 canais misóginos no YouTube monitorados em 2024 estavam ativos neste ano e cresceram em 18,5% o número de inscritos. No ano passado, monitoramento do **Núcleo** em conjunto com a Revista AzMina mostrou que o algoritmo do TikTok facilita a exposição de meninos a esse tipo de material.\n\nO próprio Breno Faria, em entrevista ao Inteligência Ltda., fala que seu conhecimento de marketing digital o ajudou a compreender a dinâmica das redes para entregar conteúdos com potencial de viralização.\n\n> \"A gente sabe que o mundo hoje tá muito polarizado. Esquerda e direita são o melhor exemplo que tem. Se eu falar que um cara aqui é bom, vai todo mundo que discorda bater nesse cara e todo mundo que concorda vai defender. Esse efeito na internet gera muita força. Isso é uma premissa que a gente tem pra produzir. Eu falei 'beleza, então vou brincar em cima disso agora pra conseguir mandar minha mensagem'. Então, eu sabia que, se eu provocasse um público, eu ia ter visibilidade pra conseguir ensinar o que eu queria ensinar\" - **Breno Faria, em entrevista ao videocast Inteligência Ltda., em mai.2025**.\n\n\"A gente tem que entender o porquê a misoginia é tão lucrativa a ponto de o próprio Estado não se responsabilizar e não responsabilizar os representantes das big techs como deveria\", critica Camilo.\n\nTanto ela quanto o pesquisador Fábio Mariano apontam que a criminalização da misoginia, cujo projeto de lei foi aprovado no Senado e está tramitando na Câmara dos Deputados, é importante, mas que sozinha não é suficiente.\n\n\"A gente não pode se apoiar unicamente numa dimensão jurídica, gente precisa se apoiar numa dimensão que é uma dimensão pedagógica, em que você eduque não só meninos, mas homens também alertando, por exemplo, dos males e de como a gente, como sociedade, não caminha, não progride, se não entrar numa esfera que seja pautada pela esfera da igualdade, da isonomia de gênero\", sugere Mariano.\n\nO próprio Breno Faria publicou um story no Instagram, na semana de aprovação do Senado, distorcendo e rechaçando o PL. \"Qualquer pessoa com meio neurônio percebe que não é uma lei pra punir o crime, é uma lei pra censurar as pessoas\", disse. \"O cara não vai poder falar mais nada. A única consequência dessa lei vai ser a seguinte: homem parando de falar com mulher, homem parando de contratar mulher, homem se protegendo. O homem vai ficar com medo, porra, é isso que vai acontecer porque ele não vai poder falar um 'A'\", declarou.\n\nEsse tipo de declaração tem sido repetida em campanhas de desinformação sobre o projeto. \"Se você não pratica determinadas condutas, você não tem por que ter medo da lei que criminaliza a misoginia. Agora, se você está com medo, você é contra, então significa que de alguma forma você está errando\", afirma Fábio Mariano.\n\nNathalie Drummond, do Instituto Sou da Paz, ressalta a necessidade de as polícias também serem cobradas enquanto instituições para coibirem a proliferação do discurso de ódio. \"As polícias muitas vezes são a porta de entrada da maioria dessas denúncias [de violência contra a mulher], mas também têm um papel muito importante institucional internamente com os seus membros, seja na capacitação para atender esse tipo de caso caso, seja para também enfrentar essas ideias entre os membros dessas corporações\", analisa.\n\nO **Núcleo** pediu, via e-mail, entrevista com o influenciador Breno Faria, mas ele respondeu que não tinha agenda disponível neste ano.\n\nÀ reportagem, a assessoria da Polícia Rodoviária Federal no Rio de Janeiro respondeu que encaminhou a denúncia à corregedoria da corporação.\n\n👾\n\nO papo segue no NucleoHub, nossa comunidade no Discord. Lá você encontra nossa equipe, leitores do Núcleo e outros entusiastas. ****Vem conversar com a gente!****\n\n###### Reportagem **Jeniffer Mendonça**\nArte **Aleksandra Ramos**\n\n###### Vídeo **Rodolfo Almeida**\nEdição **Alexandre Orrico**",
  "title": "'Café com teu pai': influencer da machosfera é policial e viola regras da PRF nas redes",
  "updatedAt": "2026-04-09T14:26:40.264Z"
}