"A internet que eu quero é feita por pessoas", diz Dani Arrais, jornalista e escritora
A jornalista Dani Arrais, que também é escritora e cofundadora da Contente, participou de um bate-papo no NúcleoHub, nossa comunidade no Discord, sobre "os caminhos pra internet que a gente quer", na quarta-feira, 24.mar.26.
Dani comentou que a internet que ela quer hoje é mais de verdade, mais humana, e não completamente recheada de inteligência artificial. "A internet que eu quero é uma internet feita por pessoas".
A Dani também contou pra gente como ela e a Luiza Voll criaram a Contente, há quase 16 anos! Se você quiser ouvir essa história, o bate-papo ficou gravado e tá disponível na nossa comunidade do Discord.
A conversa se estendeu quando falamos sobre IA. Dani compartilhou que uma das preocupações é que estamos delegando coisas demais em um tempo muito pequeno, e que, no geral, a gente não vê as pessoas com mais tempo livre por causa da IA. Sobre produção de texto, ela acrescenta:
"Uma ferramenta como o ChatGPT te entrega em nanosegundos um pensamento. A gente não pensa em nanosegundos. A gente pensa, reflete e faz... Eu penso que existe uma pasteurização do pensamento pra além da pasteurização de uma internet cada vez mais parecida. Vamos pensar por quê, pra quê, a serviço de quê. E aí eu acho que se a gente responde essas três perguntas, esse uso não se sustenta".
Falamos sobre comunidade, alcance, distribuição até que o papo chegou na relação do jornalismo com influencers. A jornalista ponderou que é algo complexo, porque existem muitas questões, como o crédito da apuração que nem sempre é dado, o problema das personas, quando o foco do problema é desviado e trazido para si, e o quanto a mentalidade do engajamento a qualquer custo (até pelo próprio jornalismo) atrapalha essa relação.
"As perspectivas são difíceis, mas quando a gente volta pra isso da comunidade, eu acho que cada vez mais a gente vai ter que se juntar em grupos que tenham pessoas com os mesmos valores. Não precisa concordar em tudo. Jamais, discordar também faz parte. Mas a gente vai precisar encontrar quem valoriza as mesmas coisas que a gente. Se não, é um mar de números vazios e de pessoas irrelevantes, que, por conseguirem números, vão conseguir espaço".
Como uma forma de manter a criatividade e a originalidade, Dani, que escreveu o livro "Para todas as mulheres que não tem coragem", compartilhou que defende o tempo de escrita e que criou uma newsletter pra escrever o que ela pensa fora do trabalho.
"Acho que quando você escolhe ser protagonista ao invés de só um consumidor passivo, a sua experiência na internet melhora"
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A gravação do bate-papo está disponível no fórum do NucleoHub, nossa comunidade no Discord. Sempre avisamos por lá sobre nossos próximos eventos, assim como pelo WhatsApp, Instagram e LinkedIn.
Texto Sofia Costa
Arte Rodolfo Almeida Edição Alexandre Orrico
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