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  "textContent": "Mensagem enviada por golpistas, que se passaram por promotor e juiz | Foto: Rodrigo Péret/AT Bandidos estão forjando até falsas audiências judiciais pela internet para tentar convencer vítimas dos golpes que aplicam, passando-se não só por advogado, mas até por juiz.O objetivo é aumentar a credibilidade. Eles contactam a vítima por mensagem e a convencem a participar de uma “audiência virtual”, dizendo haver um valor em processo vencido pela vítima a ser liberado. Na audiência falsa, um dos estelionatários se passa por juiz para ganhar a confiança da vítima.No Espírito Santo, uma aposentada de 59 anos só não caiu em um golpe do tipo porque, por não ter a própria chave Pix, entrou em contato com o filho, que suspeitou.Ela chegou a receber uma imagem gerada em IA com uma logo fazendo referência ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), informações do processo, seu número de CPF, nome completo, e que afirmava que o repasse teria de ocorrer durante videoconferência para “garantir a segurança, praticidade e celeridade” do procedimento.O filho, em condição de anonimato, contou que desconfiou após ouvir da mãe que o falso advogado teria enviado um número do celular que seria de um “gerente superior parlamentar do STJ”, cargo que não existe. Com isso, fez a mãe desligar a ligação e procurar a advogada pessoalmente, que confirmou se tratar de um golpe.“Minha mãe recebeu os dados de um processo, com valor de causa acima de R$ 7 mil, que ela venceu contra a prefeitura em que trabalhou. Os bandidos entraram em contato via WhatsApp prometendo transferir o dinheiro, mas pedindo para entrarmos em contato com um número que se dizia ser do STJ para suposta audiência virtual.”Em nota, o STJ informou que órgãos do Judiciário não entram em contato por WhatsApp nem por chamadas de vídeo para solicitar transferências ou acesso a aplicativos bancários.A mesma sorte não teve uma vítima em Uberaba (MG), que no mês passado teve um prejuízo de R$ 120 mil. Os bandidos realizaram a audiência falsa e informaram à vítima que ela precisaria pagar valores relacionados a impostos, taxas e procedimentos burocráticos para a liberação do valor judicial.A Polícia Civil orienta para que em caso de dúvidas sobre a autenticidade das informações, o cidadão procure o órgão responsável ou o representante legal para confirmar as informações recebidas.“Ao identificar qualquer situação suspeita, a pessoa não deve compartilhar senhas, código de autenticação, dados bancários ou realizar pagamentos sem a devida confirmação da legitimidade do contato. Caso haja indícios de tentativa de golpe ou eventual prejuízo financeiro, a orientação é registrar ocorrência junto à Polícia Civil.”Vítima de golpe“Fingiram ser juiz, promotor e pressionaram na videochamada”No Espírito Santo, um casal de aposentados, de 67 e 61 anos, relatou ter caído em um golpe. Um processo relacionado a uma ação de consumo foi usado como pretexto pelos criminosos.A Tribuna — Como aconteceu a abordagem?Vítimas — Tínhamos uma ação em andamento na área de Direito do Consumidor. Um número com o símbolo do escritório da nossa advogada informou que o processo havia sido concluído e nos chamou para uma audiência virtual para recebermos o dinheiro. Também enviaram um ofício com o número do processo e nossos dados.E como foi a videochamada? Havia mais de uma pessoa?Havia uma pessoa se passando por juiz e outra como promotor.E como foi o diálogo?Eles eram persuasivos e pressionavam, dizendo que, se não fosse resolvido naquela videochamada, poderíamos perder o dinheiro.E o que fizeram com os dados?Eles fizeram um empréstimo de R$ 2.500 usando o limite do cartão e pediram outra conta para uma suposta simulação da transferência. O valor foi enviado para essa conta e, em seguida, solicitaram que fosse repassado para uma conta que seria do promotor.E o que ocorreu em seguida?Eles pediram para fazer uma nova simulação, só que com um valor ainda maior. Aí desconfiamos e desligamos a ligação.Vocês entraram em contato com o banco?Sim, e eles disseram que não poderiam fazer nada. Estamos agora num processo para tentar reaver o dinheiro e recuperar o prejuízo. Além do valor que perdemos, estamos pagando pelo empréstimo que eles fizeram.Análise “Verificação jamais pode ser substituída” Eduardo Sarlo, advogado e Secretário Geral da OAB/ES | Foto: Divulgação “A tecnologia aproximou a Justiça do cidadão, mas também aproximou os golpistas de suas vítimas. Por isso, a confiança jamais pode substituir a verificação. A prevenção continua sendo a principal ferramenta de defesa.Qualquer pedido de dinheiro relacionado a processo judicial deve ser confirmado junto ao advogado de confiança e pelos canais oficiais.Quando até uma audiência judicial pode ser falsificada, a maior defesa do cidadão não está na tela do celular, mas no senso crítico. Em tempos de fraude digital, desconfiar não é paranoia, é sobrevivência.”Saiba Mais Como o golpe funciona Pix: pedidos de transferência | Foto: Bruno Peres/Agência Brasil — 16/01/2025 A fraude geralmente começa por telefone ou WhatsApp. Os criminosos se apresentam como advogados, servidores da Justiça ou representantes de tribunais superiores.Em muitos casos, eles já possuem algumas informações reais da vítima, como nome completo, CPF ou detalhes de um processo judicial, o que aumenta a credibilidade da abordagem.O golpista informa que a pessoa teria valores a receber em razão de uma ação judicial, precatório, revisão previdenciária, indenização ou acordo homologado pela Justiça. Em seguida, afirma que, para liberar o pagamento, será necessário participar de uma videoconferência.Encenação da audiênciaNa data marcada, a vítima recebe um link para uma chamada de vídeo. Durante a videoconferência, os estelionatários costumam adotar uma série de estratégias para dar aparência de legalidade ao procedimento.Utilizam fundos virtuais com brasões de tribunais; vestem-se formalmente ou usam togas falsas; exibem documentos supostamente oficiais; mencionam órgãos como o STJ, STF, TRFs ou tribunais estaduais e falam em linguagem jurídica para impressionar a vítima.Em alguns casos, mais de uma pessoa participa da chamada, desempenhando papéis diferentes, como “juiz”, “servidor” ou “gerente responsável pela liberação do valor”.O momento da fraudeApós conquistar a confiança da vítima, os criminosos alegam que existe uma pendência para a liberação dos recursos. As justificativas variam: Pagamento de taxa cartorária; custas judiciais; imposto sobre o valor recebido; taxa de desbloqueio bancário; garantia para transferência eletrônica; confirmação de identidade via Pix.Também são comuns pedidos para que a vítima compartilhe a tela do celular ou do computador. Durante esse procedimento, os golpistas orientam a realização de operações bancárias que, na prática, resultam em transferências para contas controladas pela quadrilha.Por que o golpe convenceA fraude explora três fatores principais:Autoridade: a suposta participação de integrantes do sistema de Justiça reduz a desconfiança.Urgência: os criminosos afirmam que o dinheiro será perdido caso a vítima não aja imediatamente.Expectativa financeira: muitas vítimas realmente possuem processos em andamento e acreditam estar diante de uma etapa legítima para receber valores.O que diz a JustiçaTribunais brasileiros têm alertado que juízes e servidores não exigem depósitos antecipados para liberar valores decorrentes de processos. Quando existem custas ou despesas processuais legítimas, elas seguem procedimentos formais e documentados, normalmente por meio dos canais oficiais do processo.Além disso, audiências judiciais virtuais são agendadas oficialmente e não servem para solicitar transferências bancárias ou validar pagamentos via Pix.Como se protegerAo receber uma abordagem desse tipo, a orientação é encerrar a conversa, não realizar transferências, não compartilhar tela nem senhas e confirmar as informações diretamente com o advogado responsável pelo processo, utilizando contatos previamente conhecidos.",
  "title": "Vigaristas se passam até por juiz em novo golpe contra consumidores"
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