460 crianças nascem com problemas no coração a cada ano
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June 20, 2026
Mãe cuida de bebê recém-nascido com problema de saúde | Foto: Magnific Estima-se que cerca de 1,3 milhão de bebês nascem todo ano no mundo com alguma malformação no coração, segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria. No Espírito Santo, a estimativa é de cerca de 460 casos por ano.A condição, chamada de cardiopatia congênita, é uma alteração estrutural ou funcional que ocorre durante o desenvolvimento do feto e pode afetar diferentes partes do coração, segundo a coordenadora médica da Cardiologia Pediátrica do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), Danielle Lopes.“Existem desde os casos mais simples até os que são mais complexos. A cardiopatia congênita mais frequente é a comunicação interventricular, que é um orifício na parte inferior do coração, causando uma passagem anormal de sangue entre as cavidades”.O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo da gravidade do caso. Somente no Himaba, em 2026, já foram realizados 83 procedimentos.“Existem casos em que a cirurgia precisa ser realizada nos primeiros dias de vida, porque o risco de morte é muito elevado e algumas cardiopatias são incompatíveis com a vida sem intervenção”, adiciona Danielle.Um dos sinais mais conhecidos da cardiopatia congênita é a cianose, quando o bebê apresenta uma coloração azulada ou arroxeada, segundo informou o cardiologista Diogo Barreto.“Em alguns casos, a criança pode apresentar também cansaço durante as mamadas ou ao chorar, além de frequência cardíaca elevada de forma persistente”.A causa dessa malformação, de acordo com o cirurgião cardiovascular Rafael Aon Moysés, costuma ser multifatorial, incluindo fatores genéticos, ambientais ou histórico familiar. “Síndromes, alterações cromossômicas, infecções durante a gestação, uso de drogas e determinadas doenças maternas são alguns fatores. Mas, em alguns casos, não é possível identificar uma causa específica”.E independentemente do tratamento realizado, as crianças diagnosticadas com alguma cardiopatia precisam de acompanhamento especializado durante toda a vida.“Algumas serão monitoradas apenas clinicamente, enquanto outras poderão necessitar de novas intervenções ou cirurgias futuramente, mas o acompanhamento contínuo faz parte do plano terapêutico desses pacientes”, conclui Rafael.“Momento turbulento da nossa vida” Laisa Ucceli e o filho Otávio Ucceli. | Foto: Fábio Nunes/AT O pequeno Otávio Ucceli comemorou seu primeiro ano no Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba) após uma cirurgia para corrigir a cardiopatia congênita tetralogia de Fallot.A mãe, a designer de sobrancelhas Laisa Ucceli, de 32 anos, conta que a doença foi descoberta após o nascimento. “Percebemos que ficava roxinho. A pediatra identificou um sopro e nos encaminhou para a cardiologista, que confirmou o diagnóstico”.Desde então, o menino passou a ser acompanhado por especialistas até conseguir realizar a cirurgia, em março. “Foi um momento turbulento da nossa vida, mas ver ele bem e saudável hoje nos deixa muito felizes”, diz Laisa.
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