Fundador da Amazon: “IA vai ampliar a escassez de mão de obra”
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June 18, 2026
Bezos disse que avanço da inteligência artificial tende a criar novas profissões, e não só substituir trabalhadores | Foto: Divulgação O avanço da inteligência artificial deverá provocar uma escassez de mão de obra nas próximas décadas, e não uma substituição em massa de trabalhadores. A avaliação foi feita pelo empresário e fundador da Amazon Jeff Bezos, durante a conferência de tecnologia VivaTech, realizada ontem em Paris.“Há uma preocupação de que a IA torne os seres humanos desnecessários. Eu discordo completamente dessa visão”, afirmou. “Acredito que a inteligência artificial criará escassez de mão de obra.”A fala de Bezos contraria uma das principais preocupações associadas à rápida expansão da inteligência artificial, segundo a qual sistemas cada vez mais sofisticados poderiam eliminar milhões de postos de trabalho.Para especialistas do Espírito Santo, o pensamento de Bezos é coerente. “Na verdade, profissões serão criadas para lidar com IA. E daí surge a escassez da mão de obra: porque vai faltar gente capacitada para esses novos empregos”, avalia Pollyana Polez, diretora de Inovação do hub Base27.Para a diretora do Center RH Eliana Machado, o mercado enfrenta dificuldade em encontrar profissionais qualificados para a nova realidade trazida pela IA. “O trabalhador precisa se adequar o mais rápido possível para não enfrentar dificuldades no mercado de trabalho”, afirma.O CTO da Intelliway Tecnologia e especialista em inteligência artificial, Frederico Comério, concorda parcialmente com a fala do fundador da Amazon. Para Comério, Bezos pode estar certo no agregado e no longo prazo, mas isso não significa que não haverão demissões e profissões serão pressionadas durante o período de transição.“Os profissionais que se capacitarem vão produzir de cinco a 10 veses mais, o que acaba gerando menos necessidade de volume de pessoas nas empresas e aumentando a competição. Os cortes atuais de pessoal em empresas de tecnologia já refletem isso.”Carlos Augusto da Motta Leal, presidente da comissão de TI e Direito Digital da OAB-ES, avalia que a fala de Bezos segue uma lógica associada a grande revoluções tecnológicas ocorridas antes.“O que ele está dizendo aconteceu em outros momentos da história. Mas é preciso cautela por conta do período de transição, que afetará os empregos. O maior desafio para as empresas será a requalificação profissional”, afirma.Empresas aceleram uso no BrasilA adoção de inteligência artificial pelas empresas brasileiras ganhou ritmo em 2025 e alcançou o maior patamar desde o início do monitoramento realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).De acordo com a 16ª edição da pesquisa TIC Empresas, a proporção de organizações que utilizam IA passou de 13% em 2024 para 17% em 2025, sinalizando uma ampliação gradual do uso da tecnologia no ambiente corporativo.O avanço foi registrado em empresas de diferentes portes, mas chamou atenção especialmente entre as pequenas organizações.Nesse grupo, formado por companhias com 10 a 49 funcionários e que representa 87% da população-alvo da pesquisa, a adoção de IA aumentou de 10% para 15% no período. Entre as grandes empresas, com mais de 250 empregados, o crescimento foi ainda mais expressivo, passando de 38% para 50%.O estudo indica que as ferramentas relacionadas à linguagem natural lideram essa expansão. Entre as empresas que já utilizam inteligência artificial, os recursos de mineração de texto e análise da linguagem escrita passaram de 33% para 38% entre 2024 e 2025. Já as soluções de geração de linguagem natural (GLN), utilizadas para produzir textos, respostas automatizadas e comunicações, registraram o maior avanço, saltando de 20% para 30%.“Atualmente, as tradicionais soluções digitais usadas pelas empresas podem incluir alguma aplicação de IA, por exemplo IAs generativas, sobretudo na simplificação de processos administrativos e outras atividades internas”, avalia Leonardo Melo Lins, coordenador da pesquisa.
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