Doença nos EUA pode elevar demanda por carne do Brasil
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June 10, 2026
A confirmação de um caso do verme-da-bicheira-do-novo-mundo em um bezerro no Texas acendeu um novo alerta para o mercado global de proteínas.A praga, considerada uma das mais prejudiciais à pecuária, surge em um momento de oferta reduzida de bovinos nos Estados Unidos e pode ampliar a pressão sobre os preços da carne e de produtos derivados.Embora as autoridades norte-americanas afirmem que o caso está isolado, a ocorrência preocupa o setor porque acontece em meio ao menor rebanho bovino dos Estados Unidos em 75 anos. A situação também afeta o comércio internacional.Os Estados Unidos suspenderam recentemente as importações de gado vivo do México após o avanço da praga naquele país, reduzindo ainda mais a oferta disponível para frigoríficos.O impacto pode chegar a outros mercados, inclusive ao Brasil, em um cenário de demanda crescente por proteínas animais e suplementos alimentares.No Espírito Santo, o impacto deve ser tímido. A grande maioria da produção de carne da pecuária capixaba é para consumo interno, com a exportação representando uma fração pequena, conta o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Faes), Júlio Rocha.“Mas o Brasil pode certamente tirar vantagem, porque temos um rebanho de qualidade, inclusive com certificações internacionais”.O último registro da praga nos Estados Unidos havia ocorrido em 2016, entre cervos nas ilhas Florida Keys. Em bovinos, o caso mais recente era de 1976. Segundo o USDA, naquela época as perdas para a economia do Texas chegaram a US$ 375 milhões.Tilápia não deve ficar mais barata Tilápia: tarifada pelos EUA | Foto: Clóvis Rangel — 31/05/2025 A tilápia ficou de fora da lista de exceções da tarifa de 25% proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para produtos brasileiros.As exportações brasileiras representam, no entanto, apenas cerca de 2,1% de toda a produção brasileira de tilápia, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.No Espírito Santo, a maior parte da produção é destinada para o consumo interno, afirma o presidente do Sindicato da Indústria de Pesca do Estado (Sindipesca-ES), Lúcio Mauro Machado.“A tilápia capixaba é consumida no mercado local, pois o consumo dela está muito pujante. Hoje é um dos peixes com maior citação na mesa do brasileiro", diz.A maioria dos exportadores para os Estados Unidos está localizada em São Paulo, afirma Machado. Por isso, o prejuízo seria para esses produtores e ainda assim reduzido, dada a baixa relevância das exportações na produção.A maior dificuldade, comenta Machado, ficaria para outras produções — as chamadas “selvagens”, pescadas em mar aberto, e não criadas em cativeiro.“O Espírito Santo será afetado com os produtos como badejo, garoupa, cioba, dourado”, explica o representante.O defeso do badejo-verdadeiro começa em 1º de agosto e da garoupa é em 1º de novembro.Esses produtos entram em um período de defeso justamente nesta época em que estão sendo tarifados. Com esse cenário, em que se somam paralisação da pesca e tarifas elevadas, é possível que os impactos sejam sentidos em outubro, comenta Machado.Embora os produtores não estejam tranquilos com o cenário, é esperado que a diminuição da oferta de pescados no período de defeso equacione uma eventual redução nos preços que possa ocorrer com a queda nas exportações.“Como a oferta cai um pouco, pode haver uma elevação nos preços, pois é a lei da oferta e da procura. Então talvez a gente consiga equilibrar isso e seguir em frente como estávamos seguindo no passado”, comenta.
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