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Médicos proibidos de usar “injeção de gel” em pacientes

Tribuna Online | Seu portal de Notícias [Unofficial] June 2, 2026
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Substância preenchedora estaria causando complicações, mesmo quando aplicada por profissionais mais capacitados | Foto: Magnific A partir desta terça-feira (2) médicos de todo o País estão proibidos de utilizar o polimetilmetacrilato (PMMA), uma espécie de gel acrílico, como substância preenchedora, tanto para fins estéticos quanto reparadores.A medida foi determinada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que considera que os riscos associados ao produto superam os benefícios, e que seu uso tem provocado complicações graves e até mortes em pacientes.A nova regra está prevista na Resolução CFM nº 2.461/2026, publicada hoje no Diário Oficial da União, e vale para todo o território nacional. A única exceção será para o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids, desde que realizado em centros de alta complexidade credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e seguindo os protocolos do Ministério da Saúde.Segundo o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, a decisão tem como principal objetivo proteger a população. “Nós estivemos na Anvisa para coibir, para banir este produto, uma vez que este produto está sequelando vários pacientes. Essa é uma decisão ética, de extrema importância para a segurança da população, em especial do paciente”, afirmou durante coletiva realizada ontem.Segundo a relatora da norma, a cirurgiã plástica e conselheira federal Graziela Bonin, o produto tem causado complicações, mesmo quando aplicado por profissionais capacitados e experientes.Com a nova resolução, qualquer utilização do PMMA como preenchedor por médicos passa a ser considerada infração ética, independentemente de ter ocorrido complicação ou lesão ao paciente. “A partir de agora, qualquer uso do PMMA, a publicidade de que está usando o PMMA já é uma infração ética”, afirmou Graziela Bonin.A presidente do Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES), Karoline Calfa, explica que denúncias podem resultar na abertura de sindicâncias e processos ético-profissionais. “Aqui no Espírito Santo, já temos profissional punido por divulgação na rede social”, destaca.Em casos mais graves, o profissional pode ter o registro cassado. “Dependendo da gravidade da lesão do paciente, é possível, sim”, explicou Karoline.O que eles dizem Sequelas irreversíveis José Hiran da Silva Gallo, presidente do Conselho Federal de Medicina | Foto: Divulgação “O PMMA é uma substância que, como preenchedor, causa sequelas irreversíveis e até a morte, o que é inadmissível quando temos produtos mais eficientes e mais seguros disponíveis para a população. O PMMA é extremamente inflamatório e fica entremeado aos tecidos saudáveis, tornando sua remoção cirúrgica um procedimento extremamente complexo, que deixará possíveis sequelas”.Única exceção Karoline Calfa, presidente do CRM-ES | Foto: Leone Iglesias/AT - 29/05/2026 “Pelo CFM, estão proibidos todos os usos de PMMA injetável. A única exceção, por enquanto, é para o tratamento da lipodistrofia nos centros de referência do Ministério da Saúde. Sendo que a venda de PMMA é permitida apenas para médicos, e as farmácias que venderem para não médicos podem ser responsabilizadas”.Evidências sólidas Graziela Bonin, relatora da resolução | Foto: Divulgação “A prática clínica e evidências científicas sólidas revelam problemas complexos decorrentes do uso de PMMA em preenchimentos cutâneos e de partes moles, por ser um material não reabsorvível e permanente. O tratamento dessas complicações frequentemente exige o uso prolongado de medicamentos imunossupressores e, em muitos casos, procedimentos cirúrgicos complexos”.Fique por dentro PMMAO PMMA (polimetilmetacrilato) é um polímero da família dos acrilatos utilizado na medicina há décadas em aplicações como cimento ortopédico, lentes oculares e placas para procedimentos cirúrgicos.Foi incorporado pelo Ministério da Saúde, em 2004, para correção de lipodistrofia, alteração no organismo que leva à concentração de gordura em partes do corpo, causado por medicamentos antirretrovirais em pacientes com HIV/Aids.Em 2006, o CFM emitiu uma recomendação pública pedindo cautela no uso da substância por ser permanente. Em 2024, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica publicou uma recomendação para não utilização de PMMA por seus membros.ComplicaçõesDados apresentados durante a coletiva mostram que, em 2016, membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica relataram cerca de 17 mil complicações relacionadas ao PMMA e mais de 4,4 mil cirurgias corretivas realizadas para tratar sequelas provocadas pelo produto.ProibiçãoA partir desta terça-feira (2), o CFM amplia as restrições do PMMA como substância de preenchimento, proibindo o uso por médico em todo o Brasil, seja com finalidade estética ou reparadora.

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