Pesquisa revela problemas de saúde que mais afetam os idosos
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May 31, 2026
Pesquisa acende alerta sobre autonomia, saúde e cuidados com a população idosa no Brasil | Foto: Freepik A cada avanço da expectativa de vida, cresce também a necessidade de adaptação das cidades, do sistema de saúde e das políticas públicas. Uma pesquisa divulgada esta semana aponta os problemas que mais afetam a pessoa idosa.O Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (Elsi-Brasil) – realizado pela Fiocruz em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – aponta que 20,4% apresentam dificuldade para realizar ao menos uma atividade básica da vida diária, como se vestir, tomar banho, comer, usar o banheiro ou levantar-se da cama.No Espírito Santo, isso representa mais de 145 mil pessoas, entre os 721 mil idosos.Segundo a pesquisadora da Fiocruz Minas, Maria Fernanda Lima-Costa, além da perda de autonomia, a pesquisa acendeu um alerta para a falta de suporte aos idosos e também aos cuidadores.Dos que têm dificuldade para realizar atividades, só 37,9% recebem algum tipo de ajuda. A situação é ainda mais delicada entre os cuidadores: apenas 5,8% receberam algum treinamento para exercer a função.“Geralmente são mulheres, muitas deixam seus empregos para cuidar de um familiar. O estudo mostra claramente que esses cuidadores são pouco apoiados”, afirmou a pesquisadora.Ela defende que o avanço do envelhecimento populacional exige políticas públicas mais estruturadas, tanto para os idosos quanto para quem assume os cuidados diários. “A gente tem uma demanda crescente por cuidadores no Brasil. É uma atividade muito desgastante e que precisa de apoio, treinamento e políticas específicas”, ressaltou.HipertensãoOutro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi o avanço da hipertensão entre os idosos. O levantamento identificou que 34,4% da população com 60 anos ou mais apresenta pressão arterial acima de 14 por 9.Para Maria Fernanda, a hipertensão é hoje um dos principais desafios de saúde pública relacionados ao envelhecimento.“Ela aumenta o risco de infarto, AVC, demência vascular e insuficiência renal. Muitas vezes a pessoa nem sabe que tem pressão alta ou então já faz tratamento, mas a medicação não está conseguindo controlar adequadamente”, explicou a pesquisadora.Ela reforça que viver mais precisa vir acompanhado de qualidade de vida e autonomia. “Essa é a grande conquista da humanidade. Mas o nosso desafio agora é envelhecer com saúde, autonomia e suporte adequado”, concluiu.Os números 145 mil pessoas idosas no Espírito Santo têm dificuldades de fazer pelo menos uma atividade diária34,4% da população com mais de 60 anos apresentam pressão acima de 14 por 9 nas medidas realizadas – o que equivale a 248 mil pessoas no Espírito SantoIndependênciaMovimento Aos 71 anos, Maria da Penha mantém rotina ativa e defende exercícios como segredo para envelhecer bem | Foto: Kadidja Fernandes/AT Entre pedaladas, caminhadas, corrida e até forró, Maria da Penha Rosa dos Santos, de 71 anos, desde a juventude mantém uma rotina ativa e com independência.Para ela, o segredo para envelhecer bem está justamente no movimento. “É preciso fazer exercício, se alimentar bem e dormir bem”, resume.Apesar de controlar a pressão arterial com medicação, Penha afirma que mantém a saúde em dia. Faz as próprias atividades dentro de casa.O que eles dizem Hipertensão Maria Fernanda Lima-Costa, pesquisadora da Fiocruz Minas | Foto: Divulgação “Um dos dados que mais preocupa é a hipertensão. Encontramos 34% dos idosos brasileiros com pressão arterial acima de 14 por 9. Isso aumenta o risco de infarto, AVC e outros problemas. A hipertensão é uma doença silenciosa, e por isso as pessoas tendem a subestimar a gravidade”.Saúde óssea Jefferson Coelho de Leo, ortopedista e traumatologista | Foto: Divulgação “Do ponto de vista ortopédico, envelhecer com autonomia depende de quatro pilares que se sustentam mutuamente: osso, músculo, equilíbrio e ambiente. O primeiro pilar é a saúde óssea. A recomendação é que toda mulher a partir dos 65 anos faça densitometria óssea. A maioria das diretrizes internacionais recomenda o mesmo para homens a partir dos 70 anos”.Força muscular Daniela Gonçalves Barbieri, geriatra e prof. da Multivix | Foto: Divulgação “Para envelhecer bem, precisamos investir na saúde ao longo de toda a vida. Queremos viver muito, mas preservando a independência, podendo usufruir dos prazeres da vida. Exercícios que preservem a força muscular, os chamados exercícios resistidos, são essenciais”.Saiba Mais PesquisaO Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (Elsi-Brasil) é uma pesquisa de base domiciliar conduzida pela Fiocruz Minas e pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), com financiamento do Ministério da Saúde.O estudo acompanha adultos com 50 anos ou mais residentes em 70 municípios das cinco regiões brasileiras, permitindo compreender, ao longo do tempo, transformações nas condições de saúde, nos aspectos socioeconômicos e nas necessidades dessa população. O painel de indicadores é baseado nos participantes com 60 anos ou mais.Alguns resultadosComo vivem29,1% dos idosos vivem sozinhos.83,6% vivem em zonas urbanas.Dificuldade para realizar atividade básica da vida diáriaFaixa etária - Total - Mulheres - Homens0-69 anos - 13,9% - 15,7% - 11,6%70-79 anos - 21,9% - 23,7% - 19,5%Acima de 80 anos - 44,2% - 48,9% - 36,7%Total - 20,4% - 23,1% - 17%Ajuda37,9% das pessoas com dificuldade de mobilidade recebem ajuda para realizar atividades da vida diária.5,8% dos cuidadores relataram ter recebido algum tipo de treinamento para lidar com a pessoa idosa.Atividade física50,85% praticaram 150 minutos de atividade física na última semana.Medo de cair42,7% dos idosos que vivem em áreas urbanas relatam medo de cair em calçadas e vias públicas.Entre as mulheres idosas, esse índice chega a 50,5%.20,9% sofreram alguma queda nos últimos 12 meses.Saúde59,8% têm diagnóstico de hipertensão arterial feito por médico.24,2% têm diagnóstico médico de diabetes.29% têm diagnóstico de colesterol alto.31,9% fazem tratamento para algum tipo de sequela de AVC.Hipertensão34,4% dos idosos apresentam níveis compatíveis com hipertensão (pressão 14 por 9 ou acima disso) no exame físico realizado.Sobrepeso68,3% estavam com sobrepeso no momento do exame físico.
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