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"publishedAt": "2026-05-22T16:09:10.000Z",
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"textContent": "\"A pessoa mais importante da alimentação mundial\", líder, visionário, gênio e alguém que lutava sempre, é assim que quem conviveu com Carlo Petrini o define.Carlo Petrini nasceu em Bra, Itália, onde também faleceu. Dia 22 de junho de 1949 foi a data em que aquele que se tornaria uma das maiores personalidades da gastronomia veio ao mundo. Foi responsável por fundar o movimento internacional Slow Food, que se estendeu por 160 países.Em comunicado oficial, a organização Slow Food Internacional o chamou de \"intelectual com um profundo compromisso com o bem comum, as relações humanas e o mundo natural\" e contou que Petrini fundou não apenas o Slow Food, mas o encontro internacional Terra Madre e a Universidade de Ciências Gastronômicas em Pollenzo. \"Através dessas iniciativas, ele deu vida a um movimento global enraizado nos valores de comida boa, limpa e justa para todos, conectando comunidades, agricultores, artesãos de alimentos, cozinheiros, ativistas e jovens em todo o mundo.\"\"Quem semeia utopia colhe realidade - uma frase que Carlo Petrini adorava dizer, encapsula a sua vida. Ele acreditava firmemente que sonhos e visões, quando são justos, capazes de inspirar a participação coletiva, e perseguidos com convicção, não são impossíveis de alcançar. Ele combinou a capacidade de sonhar com um profundo sentimento de alegria e propósito coletivo, abrindo caminhos concretos em direção à mudança social\", declaram.'Foi o primeiro a mostrar o caminho'Georges Schnyder, diretor da Prazeres da Mesa e uma das pessoas que ajudaram a fundar a Associação Slow Food Brasil, no Brasil, teve dificuldades de enquadrar o velho amigo em apenas uma palavra, optou por termos como \"pai inspirador\" e a frase \"a pessoa mais importante da alimentação mundial\". \"Só\" isso.Muito emocionado, diz que ele foi importante para muita gente. \"Hoje eu estou fazendo o programa O Sabor de São Paulo, feito por nós em parceria com a Secretaria de Turismo, que fomenta produtores artesanais. E comecei o dia pensando que tudo que estamos fazendo é baseado no que ele ensinou. Se eu não tivesse o conhecido, eu não estaria fazendo o que estou fazendo agora.\"\"O que mais me impressiona é que ele foi um dos primeiros a perceber que o mundo estava indo para o caminho errado, no começo da década de 1980. E foi o primeiro a mostrar o caminho de como resolver. O movimento slow, esse conceito voltado a rever as coisas, o consumo desenfreado, foi muito bem fundamentado por ele já em 1986.\"A chef Bel Coelho, do Cuia e Clandestina, declara que está sentindo bastante a perda de Petrini. \"Ele foi muito importante para mim. Todo o movimento do Slow Food, do qual eu já sou parte desde 2005/2006, é uma das diretrizes para o meu trabalho, para a minha inspiração como chef criativa. Então, ele foi um farol na forma como a gente enxerga o alimento, sua cadeia e como o chef de cozinha pode - e deve - se implicar nessa cadeia de forma mais ativa, sociopoliticamente.\"Mariella Lazaretti, também diretora da Prazeres da Mesa, conta que é a perda de alguém muito próximo e um grande amigo. Entre as muitas histórias que viveram juntos, ela relembra a eleição brasileira de 2022, cuja apuração de votos ele acompanhou em sua casa. \"Depois, a gente foi juntos para a Avenida Paulista\", relembra.\"Ele lutava não só pela gastronomia sustentável, poder do pequeno produtor, cozinha de território e a tradição de alimentos, mas lutava pela igualdade e sócio-biodiversidade. Era extremamente inclusivo, inteligente e visionário. Para nós, é uma perda de um amigo querido, um líder e um mentor, mas, para o mundo, é algo inenarrável\", completa.Schnyder conclui afirmando que \"perder uma pessoa dessa neste momento, nesta década que, na minha opinião, tudo está acontecendo, é uma pena, porque ele é a voz que precisava estar falando alto, que ainda tinha tudo a dizer\".‘Um verdadeiro brasileiro’\"Um verdadeiro brasileiro, fugia do frio italiano e passava o réveillon no Brasil, ele curtia e adorava o País\". Em uma das suas viagens, conheceu os sabores do Complexo do Alemão ao lado de Georges e chefs como Claude Troisgros, David Herzt e Alice Waters. \"Fizemos um almoço no Complexo do Alemão, organizado junto à comunidade, com uma cozinheira e banqueteira, em uma laje\", conta.Mariella concorda com o marido. \"Era uma pessoa que amava o Brasil loucamente, tudo que ele podia arrumar de desculpa para vir para cá, ele vinha. Ele subiu ao palco do Mesa Tendências muitas vezes e se tornou um amigo pessoal muito querido.\"'Sem Carlo, eu e tantos outros não estaríamos aqui': Petrini por uma aluna e parceira de trabalhoHá dez anos, Júlia Ferrari foi apresentada ao Movimento Slow Food e, no ano seguinte, à Universidade de Ciências Gastronômicas de Pollenzo (UNISG) - Universidade fundada por Carlo em 2004, na Itália. Pouco tempo depois, arrumou as malas, mudou-se para Pollenzo e nunca mais voltou.Em 2019, fez um mestrado. Hoje, trabalha na UNISG. \"Aqui, conheci realmente a sentido de comunidade, gente junta e apaixonada pelo mesmo princípio.\"Ao relembrar quando encontrou Carlo pela primeira vez, conta que foi no Brasil, em 2017. \"Ele foi, junto a estudantes brasileiros, lançar o livro da Arca do Gosto Brasil. Era uma estrela pra mim, O CARA [sim, em letras garrafais]. Mal sabia que anos depois eu teria o privilégio de dividir a mesa com ele e escutar suas ideias e discutir a gastronomia como só ele era capaz, sempre rodeado de boa comida, taça cheia e estudantes atentos.\"Depois que se mudou para o país da bota, \"os anos se passaram, a figura de Carlo se tornou mais quotidiana - mas não por isso menos emblemática - e nos últimos tempos trazia calor no coração vê-lo caminhar na cantina entre os estudantes. Presente de corpo e alma, Pollenzo foi seu sonho e é meu maior privilégio poder dizer que seguiremos avante semeando utopia\".Essa frase tem tudo a ver com Petrini, afinal, uma de suas aspas mais conhecidas é \"quem semeia utopia, colhe realidade\". E os seus sonhos refletiram e impactaram todos que por sua vida passaram. Gratidão é o que fica no coração apertado de quem o perdeu.Ferrari conclui tudo com isso bem claro: \"Slow Food, Terra Madre e Universidade de Ciências Gastronômicas são fruto do sonho e da esperança de Carlin. Obrigada por ter sonhado e por ter nos deixado a esperança de um mundo bom, limpo e justo através da comida\".E tudo, inclusive este texto, acaba como o mundo deve continuar ressoando: \"Grazie, Carlin!\".",
"title": "'A pessoa mais importante da alimentação mundial': Carlo Petrini morre aos 76 anos"
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