SUS incorpora exame mais eficaz para detectar câncer colorretal
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May 22, 2026
Câncer colorretal é o segundo mais comum no Brasil | Foto: Canva O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (21) que o SUS (Sistema Único de Saúde) adotará um novo exame para o diagnóstico de câncer no intestino, também chamado de câncer colorretal.A incorporação do teste imunoquímico fecal (FIT, na sigla em inglês) foi anunciada pelo ministro Alexandre Padilha em um evento em Lyon, na França, que marcou o início de uma parceria entre a Fiocruz e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, órgão ligado à OMS (Organização Mundial da Saúde).Segundo a pasta, o novo exame pode ser feito por homens e mulheres assintomáticos que tenham entre 50 e 75 anos, faixa etária em que se inicia o rastreamento para o câncer de intestino. Com eficácia de 85% a 92%, o FIT é considerado mais eficaz do que o método utilizado atualmente (pesquisa de sangue oculto nas fezes).O câncer colorretal é o segundo mais comum no Brasil. Entre homens, fica atrás apenas do câncer de próstata; entre mulheres, é superado pelo câncer de mama. Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), estima-se que 53,8 mil novos casos de câncer colorretal apareçam por ano no país no triênio 2026-2028.O que dizem os especialistasOlival de Oliveira, presidente da SBCP (Sociedade Brasileira de Coloproctologia), afirma que a incorporação do FIT no sistema público eleva a qualidade do diagnóstico do câncer do intestino no país. Segundo ele, o o exame reduz o índice de falsos positivos e evita gastos desnecessários com colonoscopia no SUS."O modelo utilizado atualmente foca em sangue oculto nas fezes, evidenciado por manchas vermelhas. Porém, para funcionar, o paciente precisa fazer dieta com restrição de alimentos vermelhos, como tomate e morango, e corantes. Por essa particularidade, é comum o falso positivo", explica Oliveira.O FIT, por sua vez, não exige restrição alimentar. Segundo o especialista, a oferta do exame era uma reivindicação antiga das entidades que representam as especialidades de proctologia e endoscopia.Para pessoas com menos de 50 anos, o protocolo continua sendo a colonoscopia, feita quando há histórico de câncer entre familiares do paciente ou sintomas da doença. Sem esses dois condicionantes, não é comum o rastreamento em pessoas com menos de 50 anos, idade em que a incidência aumenta.Entenda novo exameO FIT detecta marcas de sangue nas fezes invisíveis a olho nu. O método é considerado uma das principais estratégias de rastreamento por ser simples, não invasivo e de baixo custo.O exame é feito a partir da coleta de uma pequena amostra de fezes em casa, usando um kit fornecido pelo serviço de saúde ou laboratório. O material é então enviado para análise laboratorial, onde busca-se traços de hemoglobina humana, proteína presente no sangue.O exame é uma das etapas do rastreio, não a única. Em casos positivos, os pacientes examinados são enviados para colonoscopia, que vai identificar a existência ou não de lesões e alterações como pólipos, inflamações e tumores.Antes da colonoscopia, o paciente precisa fazer uma preparação intestinal, que inclui dieta leve e uso de laxantes para limpar completamente o cólon, essencial para que o médico visualize adequadamente a parede intestinal.O procedimento é realizado com sedação. O médico introduz pelo ânus do paciente um aparelho fino e flexível equipado com câmera, chamado colonoscópio, que percorre o reto e o intestino grosso transmitindo imagens em tempo real para um monitor.Além de identificar lesões suspeitas, a colonoscopia permite retirar tumores que podem evoluir para câncer e coletar fragmentos de tecido para biópsia. O exame costuma durar entre 20 e 40 minutos, e o paciente geralmente recebe alta no mesmo dia.
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