1.886 casos de abuso infantil no ES vão parar na polícia em 1 ano
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May 21, 2026
Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente | Foto: PCES/ Divulgação Os casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes no Espírito Santo cresceram cerca de 27% no período de um ano.Segundo dados do painel da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), foram 1.886 ocorrências registradas no ano passado, contra 1.476 em 2024.“São números elevados, que chamam atenção para um tema grave. Como o crime geralmente acontece dentro de casa, por familiares, a vítima fica com medo de denunciar. Temos relatos de crianças sendo abusadas por décadas”, alertou o delegado Marcelo Cavalcanti, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).Em 2026, já foram contabilizados 541 episódios em todo o Estado. A região metropolitana é a que concentra o maior volume, com 256 notificações até o momento.“Onde há mais famílias, o registro desse tipo de crime é maior. Mas o fenômeno é o mesmo, seja na Grande Vitória ou no interior do Estado. São pais, irmãos, padrastos, avôs e até avós que normalmente cometem a exploração sexual e abuso de crianças e adolescentes”, pontuou Cavalcanti.Devido a esse cenário, entrou em vigor a Política Nacional de Prevenção e Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, publicada no Diário Oficial da União ontem.A norma adota como base o princípio da proteção integral previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e reforça a prioridade absoluta desta faixa etária em ações do Poder Público.A política também prevê a execução de campanhas permanentes de conscientização.“É importante esclarecer que crianças e adolescentes são sujeitos de direitos com proteção integral garantida pelo ECA. Defender essa proteção é um pacto social e coletivo”, destacou a advogada Jéssica Cinigaglia Thomaz.Youtuber de 16 anos denuncia pai por abusosUma youtuber de 16 anos publicou um vídeo nas redes sociais denunciando o próprio pai por violência sexual e outros abusos. No relato, ela afirma que vinha sofrendo ameaças.O vídeo foi publicado no último sábado, e o caso aconteceu em Tianguá, no Ceará. Segundo a jovem, o pai estaria descumprindo medidas protetivas impostas pela Justiça, chegando a passar em frente à casa dela, mesmo usando tornozeleira eletrônica.“O abuso sexual contra crianças e adolescentes é uma forma grave de violência, e pode acontecer de diversas maneiras”, explicou Jéssica Cinigaglia Thomaz, presidente da Comissão de Direito da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil do Espírito Santo (OAB-ES).A youtuber também disse que, quando foi ouvida por autoridades, sentiu que os abusos foram banalizados, e que foi tratada como se estivesse mentindo.“O descumprimento de medidas protetivas deve ser comunicado imediatamente à polícia, Conselho Tutelar, Ministério Público ou ao Juízo responsável. A vítima não depende de um adulto para a denúncia”, alertou a advogada.A criança ou o adolescente também pode procurar ajuda em locais como a escola ou os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas).Em Vitória, existe a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que também conta com equipes para receber denúncias e realizar orientações.“Esse é um crime silencioso, que normalmente ocorre em ambiente doméstico, praticado geralmente por homens próximos ao menor de idade”, relatou Marcelo Cavalcanti, delegado titular da DPCA.Alguns dos sinais que a vítima apresenta são queda no rendimento escolar, isolamento e tristeza repentina, lista o titular da delegacia. “Diante de qualquer um desses sinais, ligue para o Disque-Denúncia (181), ou para o Disque 100 o mais rápido possível”, orientou o policial.Em nota, o Ministério Público do Ceará (MPCE) informou que “instaurou procedimento para acompanhar a situação da adolescente, e que o genitor está proibido de se aproximar da menor”.Saiba maisViolência SexualO Código Penal tipifica como estupro o ato de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso.A pena é de reclusão de seis a 10 anos (Art.213, caput).Vítima menor de idadeSe da conduta resulta lesão corporal de natureza grave, ou se a vítima é menor de 18 ou maior de 14 anos, a pena é reclusão de oito a 12 anos (Art.213, parágrafo dois).Estupro de vulnerávelCaso a conjunção carnal ou a prática de ato libidinoso aconteça com menor de 14 anos de idade, a pena é reclusão de 10 a 18 anos, e multa (Art.217-A, caput).Na hipótese de a conduta resultar lesão corporal de natureza grave, a pena é de reclusão de 12 a 24 anos, e multa (Art.217-A, parágrafo três).Canais para denúnciaÉ possível procurar ajuda em canais como o Conselho Tutelar, o Ministério Público, Creas, escolas ou delegacias especializadas.O Disque Denúncia (181) e o Disque 100 funcionam 24 horas recebendo diversos tipos de denúncias. Aumento de notificações1.886 casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes foram registrados no Espírito Santo no ano passado.Em 2024, 1.476 casos envolvendo o mesmo crime foram notificados.27% é o aumento registrado nesse tipo de caso, no Estado, de 2024 para o ano passado.Crimes neste ano541 casos de abuso foram contabilizados em 2026 até o momento.A Grande Vitória é a região do Espírito Santo que registra mais casos neste ano, com 256 notificados.A região Norte tem a segunda maior concentração desse tipo de delito (104), seguida pela Noroeste (72), Sul (62) e Serrana (47).Sexta-feira é o dia com mais registros de abuso sexual (98).Fonte: Código Penal, Secretaria de Segurança Pública (Sesp) e especialistas consultados.
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