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Mãe e filho em missão especial nos presídios

Tribuna Online | Seu portal de Notícias [Unofficial] May 20, 2026
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"Minha mãe foi meu primeiro grande exemplo de trabalho digno”. Allan Dias de Oliveira, policial penal | Foto: Fábio Nunes/AT Mais do que laços de sangue, Uliceia Neuza Dias, 67 anos, e o filho Allan Dias de Oliveira, 38 anos, compartilham a mesma missão de cuidar de pessoas, preservar a segurança e transformar vidas dentro do sistema prisional capixaba. Unidos pela profissão, mãe e filho carregam histórias marcadas por superação e responsabilidade social.Atualmente, os dois são policiais penais. Uliceia iniciou sua trajetória na Secretaria da Justiça (Sejus) em 2005 e atua no Centro Prisional Feminino de Cariacica. Allan entrou dois anos depois, aos 20 anos, e hoje trabalha na Academia de Polícia Penal do Espírito Santo (Acadeppen), ajudando na formação de novos policiais penais.“Terminei o ensino médio sem saber exatamente o que fazer. Nunca foi um sonho. Acontece que surgiu o processo seletivo e tendo minha mãe como referência, comecei a trabalhar. Depois fui entendendo a dimensão do que era esse serviço.”Na rotina do Centro Prisional Feminino, Uliceia atua diretamente na movimentação das internas. É onde gosta de estar. Sua tarefa garante o acesso das detentas a atendimentos médicos, psicológicos, assistência social, escola, trabalho e demais serviços.“Esse é um trabalho silencioso, mas essencial para o funcionamento da unidade e para a própria ressocialização das mulheres privadas de liberdade. Gosto de participar do dia a dia, da rotina.”Na Academia de Polícia Penal, Allan ajuda a preparar novos profissionais para a carreira. Para ele, a formação vai muito além das disciplinas técnicas. “A formação vai além da sala de aula. É entender o peso da responsabilidade que existe quando se trabalha com pessoas”.Entre mãe e filho, a admiração é mútua. Allan resume a relação com a mãe de forma simples e profunda: “Ela abriu mão de muita coisa para cuidar da gente (família)”.Os dois chegaram a trabalhar juntos em unidades prisionais, experiência que, segundo eles, fortaleceu ainda mais o vínculo familiar. “A magia é isso: nós dois trabalharmos juntos”, resume Allan.Depois de quase duas décadas, mãe e filho seguem dividindo a mesma missão: contribuir para a segurança pública, preservar vidas e mostrar que, por trás das grades, também existem histórias humanas que precisam ser compreendidas.“A gente aprende a olhar o mundo de outra forma trabalhando aqui”, finaliza Allan. Allan com a mãe, uliceia: “Minha mãe é exemplo de trabalho digno” | Foto: Acervo pessoal Allan Dias de Oliveira policial penal“O ambiente prisional exige disciplina”A Tribuna — O que te motivou a seguir carreira policial?Allan dias — Entrei na Secretaria da Justiça aos 20 anos, em outubro de 2007. Na época, minha mãe já trabalhava na Penitenciária Feminina de Tucum. Meu primeiro local de trabalho foi o antigo CDPC, em Cariacica, conhecido como presídio de contêineres.Entrar para o sistema prisional não surgiu de uma ideia de vocação ou sonho de infância. Naquele momento, o trabalho representava principalmente uma necessidade.Ter sua mãe como policial penal ajudou nesse processo?Minha mãe teve um papel importante nesse processo porque sempre se preocupou para que eu tivesse uma profissão e alguma perspectiva de futuro. Hoje, percebo que eu era um jovem com poucas perspectivas e que o sistema prisional acabou sendo uma oportunidade real de inserção no mundo do trabalho.Foi ali que comecei minha vida profissional, construí minha independência financeira e amadureci como trabalhador e como pessoa.Como se sente por seguir a mesma trajetória profissional da sua mãe?Com o passar do tempo aprendi a reconhecer a importância do trabalho que realizamos e também a enxergar minha mãe de outra forma.Durante a infância, ela sempre trabalhou muito e tinha pouco tempo disponível para estar conosco, mas nunca deixou de demonstrar cuidado e preocupação com nossa educação e nosso futuro.Hoje entendo que todo aquele esforço também era uma forma de amor. Tenho muito orgulho da trajetória dela, da honestidade, da responsabilidade e da força que sempre demonstrou. Minha mãe foi meu primeiro grande exemplo de trabalho digno.Como encara o trabalho realizado nas unidades prisionais do Estado e a sua contribuição para a segurança do sistema?Vejo o trabalho no sistema prisional como uma atividade de enorme responsabilidade social. O ambiente prisional exige disciplina, comprometimento, humanidade e capacidade de lidar diariamente com situações complexas.Hoje, atuando na Acadeppen, procuro contribuir especialmente na formação e no cuidado com os nossos colegas policiais penais. Acredito que fortalecer os trabalhadores do sistema também fortalece toda a política de segurança pública e a própria execução penal.Entendo que trabalhar no sistema prisional é também acreditar na possibilidade de transformação das pessoas e na importância de construirmos instituições cada vez mais responsáveis, humanas e comprometidas com a sociedade.

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