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SUS muda regras para tratar doença que atinge 415 mil no ES

Tribuna Online | Seu portal de Notícias [Unofficial] May 16, 2026
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Uma atualização no protocolo do Sistema Único de Saúde (SUS) promete ampliar o acesso a tratamentos mais modernos para pacientes com asma grave e reforçar o diagnóstico correto da doença, que afeta 10% da população, cerca de 20 milhões de brasileiros e 415 mil pessoas no Espírito Santo (considerando a projeção das populações do IBGE). As mudanças foram oficializadas pelo Ministério da Saúde por meio da atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para asma e incluem novos medicamentos imunobiológicos, ampliação do uso pediátrico de terapias já existentes e maior valorização da espirometria (exame do sopro) para confirmação diagnóstica.A principal novidade é a inclusão dos imunobiológicos benralizumabe e dupilumabe no tratamento da asma grave. O protocolo também ampliou o uso do mepolizumabe para crianças a partir dos seis anos.“Com esses novos biológicos temos um nova perspectiva, já que os pacientes não elegíveis às terapias fornecidas agora contam com novas opções terapêuticas”, explica a pneumologista pediatra Sabrina Fonseca.O pneumologista Fabrício Smiderle, da São Bernardo Samp, explica que muitas dessas mudanças já são adotadas na prática clínica da rede privada, como o exame de espirometria.“Esse exame serve para avaliar a função pulmonar, se existir um grau de obstrução da via aérea. O paciente inspira profundamente e depois sopra com força em um aparelho chamado espirômetro. É simples e não invasivo.” Segundo o médico, o exame já era solicitado anteriormente, mas o acesso na rede pública era limitado.Outra atualização é quanto ao uso dos broncodilatadores de alívio, conhecidos popularmente como “bombinhas”. Antes, pacientes frequentemente utilizavam apenas os broncodilatadores para aliviar sintomas. Agora, a recomendação é que se associe o corticoide inalatório e broncodilatador. “(Essa mudança é) importante, pois a base da doença é inflamação dos brônquios. Portanto, a indicação nas crises sempre é um medicamento para abrir os pulmões e outro para tratar a inflamação dos brônquios”, explica a pneumologista Carla Bulian, da Rede Meridional.Crises desde a infânciaMedicação diária e cuidados com a casa | Foto: Fábio Nunes/AT Foi ainda na infância que a assistente de orçamentos Sheyla Schneider, de 48 anos, teve as primeiras crises de asma.Ela lembra que quando tinha 16 anos foi acometida por uma crise muito forte, que acabou sendo a última da sua juventude. Mas, em 2024, ela teve três quadros de pneumonia que sinalizaram a volta da doença.“Procurei por um pneumologista e hoje faço tratamento diário, com medicação e lavagem do nariz, além de ter cuidados com a casa, como lavar as cortinas toda semana. Nas crises, também faço uso da bombinha”, contou Sheyla.Anvisa libera novo remédio para asma e rinossinusiteAlém das mudanças no tratamento de asma pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na última segunda-feira, o registro do depemoquimabe, um novo imunobiológico para tratamento da asma e rinossinusite crônica com pólipos nasais grave. O produto, segundo a Anvisa, é indicado como tratamento complementar da asma em pacientes adultos e pediátricos com idade igual ou acima de 12 anos, com inflamação do tipo 2 (alérgica), caracterizada pelo excesso de eosinófilos (glóbulos brancos envolvidos na inflamação das vias aéreas) no sangue.A condição pode causar inflamação eosinofílica e aumentar o risco de crises graves de asma. O pneumologista Fabrício Smiderle, da São Bernardo Samp, explica que com esse medicamento é possível fazer tratamento a cada seis meses, melhorando a adesão ao tratamento. “Os imunobiológicos são anticorpos produzidos em laboratórios e focam em determinada molécula, que chamamos de medicina de precisão.”Apesar da aprovação, ainda não se sabe o preço que será aplicado ao consumidor final no Brasil.Segundo os especialistas, novas aprovações e incorporações de medicamentos para tratamento da asma são extremamente importantes para o controle da doença.“No Brasil, temos cerca de sete mortes por dia por asma. Apesar de a população não encarar essa doença como grave, ela tem impactos importantes, além do risco de morte”, alerta a pneumologista pediatra Sabrina Fonseca.Principais mudanças no tratamentoNovos medicamentosSegundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para asma, o SUS amplia o arsenal para pacientes com asma grave ao incluir novos imunobiológicos: benralizumabe, dupilumabe e ampliação do uso do mepolizumabe para crianças, a partir de seis anos. Os novos medicamentos, apesar de aprovados, ainda não estão disponíveis. Antes, o protocolo tinha opções mais limitadas, apenas com o omalizumabe e mepolizumabe.Os novos medicamentos a serem incorporados no SUS são para pacientes que não respondem às terapias usuais, chamados de asmáticos graves (em torno de 3% a 5% dos asmáticos) explica a pneumologista pediatra Sabrina Fonseca. Na prática, são aqueles pacientes que já fazem tratamento com altas doses e múltiplas drogas sem resposta adequada. DiagnósticoO protocolo reforça que o diagnóstico deve ser baseado em anamnese (coleta de informações, exame físico e de função pulmonar). há maior valorização da espirometria, exame que, segundo explica a pneumologista Carla Bulian, avalia a função pulmonar e é indicado tanto para o diagnóstico quanto para o acompanhamento dos pacientes com asma, sendo imprescindível. Fim da “bombinha de resgate” isoladaOutra mudança é desencorajar o uso isolado de broncodilatador de curta duração, como o salbutamol, como único tratamento. O novo protocolo reforça que isso aumenta o risco de exacerbações graves e até morte.

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