Nova concessão da Ferrovia Vitória-Rio vai faturar R$ 264 milhões no primeiro ano
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May 9, 2026
A empresa que assumir a concessão da Ferrovia Vitória-Rio, também conhecida por EF-118 e Anel Ferroviário do Sudeste vai faturar R$ 264 milhões só no primeiro ano de operação, previsto para 2033.O dado é de relatório publicado pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), do governo federal, e estima também que o faturamento será de R$ 472 milhões em 2076, último ano completo de operação, com crescimento previsto de 1,4% ao ano.A demanda com Vitória-Rio criará 4.280 empregos, entre diretos e indiretos, nos mais variados setores, como agropecuária, comércio, siderurgia, indústria do café, petróleo e gás, transportes, e metalurgia, conforme o relatório.Atualmente, a expectativa é pela publicação do edital de leilão da ferrovia, que terá 575 km entre Santa Leopoldina, na Região Serrana do Estado, e Nova Iguaçu (RJ).Na carteira de projetos do Ministério dos Transportes para este ano, o edital estava previsto para março e o leilão da EF-118 para junho. Citando a ferrovia, recentemente o ministro dos Transportes, George Santoro, disse que o governo federal prepara uma nova política de financiamento para o setor ferroviário com prazos de até 60 anos e maior período de carência. A concessão da EF-118 terá 50 anos.A EF-118 é um dos projetos ferroviários prioritários do governo, tanto na esfera estadual quanto na federal, de alta relevância estratégica para o desenvolvimento do Estado e para a competitividade do comércio exterior brasileiro, avaliou o subsecretário de Estado de Integração e Desenvolvimento Regional, Celso Guerra.“A ferrovia é peça central na estratégia do Parklog Sul Capixaba, pois integrará os portos do Espírito Santo e do Rio de Janeiro à malha ferroviária nacional, ampliando a capacidade de escoamento da produção e reduzindo custos logísticos para toda a região”, disse. Baraona destacou a importância da EF-118 | Foto: Gabriel Lordêllo/ Mosaico Imagem/ Vale O projeto avançou significativamente nos últimos meses, segundo Guerra. “Em dezembro de 2025, a ANTT aprovou os estudos e os encaminhou ao Tribunal de Contas da União (TCU). A definição de um cronograma depende da conclusão da análise do Tribunal, a partir do qual se estabelecerá as datas de publicação do edital de leilão e sua realização”.A Federação das Indústrias do Estado (Findes) acompanha todo o processo da EF-118 e tem defendido ajustes que garantam maior integração da ferrovia com os corredores logísticos nacionais e com os portos capixabas, segundo o presidente da federação, Paulo Baraona.“Trata-se de uma obra fundamental para ampliar a competitividade industrial e logística do Espírito Santo. Essa será também uma importante alternativa de conexão com os mercados de Rio de Janeiro e São Paulo”, explicou.Mais vias em operação até 2030As EF-030 (Estrada de Ferro Juscelino Kubitschek) e EF-456, dois projetos ferroviários privados autorizados, geridos pela Petrocity Ferrovias, seguem no processo de desapropriações e o plano é ter conexão com a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) em 2030, acessando os portos capixabas.As informações são do presidente do grupo Petrocity, José Roberto Barbosa da Silva.As ferrovias formam um corredor logístico Centro-Leste conectando Ipatinga (MG) e Brasília (DF) ao futuro Centro Portuário de São Mateus, no Norte do Estado, junto com a EF- A20 (Estrada de Ferro Corumbá de Goiás e Anápolis/GO) e a EF-355 (Estrada de Ferro de Brasília a Mara Rosa/GO).A malha total da Petrocity terá 2.160 quilômetros de estradas de ferro. O custo total do projeto é estimado em R$ 28 bilhões, sendo R$ 23,5 bilhões o valor previsto para a obra das ferrovias. As ferrovias poderão ser utilizada para escoar a produção de projetos industrial que se instalarem na região.“Seguimos nos processos de desapropriações, que não são fáceis. São mais de 6 mil fazendas para desapropriar. Tem de conversar e negociar de um em um”, explicou.Ele destacou que foram feitos ajustes no projeto, priorizando o trecho até Governador Valadares (MG), para conectar com a Vitória e Minas e poder já iniciar as operações em 2030. “A ideia é buscar antecipar ao máximo o início das operações. Estamos viabilizando os portos secos em Mara Rosa, Brasília e Valadares, por exemplo, pois há falta de locais de armazenamento nestas regiões”, contou.A malha ferroviária da Petrocity estará ligada à Ferrovia Norte Sul (FNS), que corta o País de cima a baixo, começando em Açailândia, no Maranhão, e terminando no Porto de Santos, em São Paulo. A Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), que atravessa os estados de Goiás, Mato Grosso e Rondônia, também estará interligada.De Vitória ao RioEF-118 (Anel Ferroviário do Sudeste)Está prevista para fazer a ligação entre Santa Leopoldina, onde estará conectada à malha da Estrada de Ferro Vitória a Minas, e Nova Iguaçu (RJ), com conexão à malha da MRS Logística, totalizando 575 km de extensão.Além da implantação da infraestrutura ferroviária no trecho da EF-118, entre São João da Barra (RJ) e Santa Leopoldina, a futura concessão prevê a prestação do serviço de transporte ferroviário de cargas associado à exploração da infraestrutura ferroviária no trecho.A ferrovia tem conexão com os portos do Rio de Janeiro e de Vitória, e poderá conectar-se a outros portos do Espírito Santo, como o Porto de Ubu e o Porto Central, e do estado do Rio de Janeiro, como os portos do Açu, Barra do Furado e Imbetiba, dependendo da viabilidade da execução dessas ligações. Operação Vitória ao Rio | Foto: Gabriel Lordêllo/ Mosaico Imagem/ Vale PrioridadeA EF-118 é um dos projetos ferroviários prioritários do governo, tanto na esfera estadual quanto na federal, de alta relevância estratégica para o desenvolvimento do Espírito Santo e para a competitividade do comércio exterior brasileiro.Vai contribuir de forma significativa para o desenvolvimento da região sul capixaba.A ferrovia é peça central na estratégia do Parklog Sul Capixaba, pois integrará os portos do Espírito Santo e do Rio de Janeiro à malha ferroviária nacional, ampliando a capacidade de escoamento da produção e reduzindo custos logísticos para toda a região.Primeira faseA Fase 1 do projeto compreende a ligação entre Santa Leopoldina e São João da Barra (RJ), incluindo o Ramal Anchieta (de Santa Leopoldina a Anchieta), com cerca de 250 quilômetros no total.Uma mudança importante na modelagem é que o Ramal Anchieta, inicialmente previsto para ser construído pela Vale como contrapartida da renovação da EFVM, foi incorporado ao objeto da concessão.EditalO projeto avançou significativamente nos últimos meses. Em dezembro de 2025, a ANTT aprovou os estudos e os encaminhou ao TCU. A definição de um cronograma definitivo depende da conclusão da análise do Tribunal, a partir do qual se estabelecerá as datas de publicação do edital de leilão e sua realização.Análise“Novo ciclo de competitividade”“A renovação da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e a viabilização da EF-118 colocam o Espírito Santo em um novo ciclo de competitividade logística. No caso da FCA, na prática, isso reduz custos logísticos e fortalece cadeias estratégicas como mineração, siderurgia e agronegócio. Marcelo Loyola, economista e diretor da Faculdade Capixaba de Negócios (Facan) | Foto: Gabriel Lordêllo/ Mosaico Imagem/ Vale Já a EF-118 amplia a capacidade de escoamento, podendo atingir dezenas de milhões de toneladas ao ano, e posiciona o Estado como hub logístico nacional.No curto prazo, os impactos virão via investimentos, empregos e dinamização da construção. No médio e longo prazo, a próxima década tende a consolidar o Estado como plataforma logística do Sudeste, atraindo indústrias, centros de distribuição e projetos como o ParkLog Sul Capixaba.O desafio será garantir execução, integração multimodal e segurança regulatória para transformar potencial em crescimento sustentado”.
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