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"textContent": "\"Na cirurgia robótica, o cirurgião fica posicionado em um console, de onde controla todos os movimentos com visão tridimensional ampliada e alta precisão”, Melchior Luiz Lima, cirurgião cardíaco | Foto: Fábio Nunes/AT - 14/05/2025 Uma cirurgia inédita no Espírito Santo inaugura uma nova era no tratamento de doenças do coração. Realizado com auxílio de robô, o procedimento reduz cortes, dor no pós-operatório, acelera a recuperação e amplia a precisão médica.O cirurgião cardiovascular e coordenador da cirurgia cardíaca do Hospital Meridional, Melchior Luiz Lima, contou que a cirurgia de revascularização do miocárdio aconteceu no dia 8 deste mês no aposentado Eduardo Antônio Ponche, de 70 anos.A técnica é utilizada para restabelecer o fluxo sanguíneo no coração. “A principal diferença em relação ao método tradicional está na forma de acesso ao coração. Na cirurgia tradicional, é necessário abrir o osso esterno (do peito). Já na robótica, utilizamos pequenas incisões e o robô funciona como um prolongamento das mãos do cirurgião, com movimentos mais precisos e visão tridimensional”, explicou.Ele frisou que, no procedimento, os braços robóticos foram utilizados inicialmente para a preparação da artéria utilizada na revascularização. “Em seguida, a cirurgia foi concluída por meio de uma pequena incisão entre as costelas”.Ele explicou, ainda, que outra diferença importante foi que no caso desse paciente, a operação foi realizada com o coração ainda em funcionamento, sem o uso da circulação extracorpórea — equipamento que substitui temporariamente as funções do coração durante cirurgias convencionais.“O paciente teve um duplo benefício: a menor invasão proporcionada pelo robô e o fato de não precisar da circulação extracorpórea, o que contribui para uma recuperação muito mais rápida”, destacou o médico.De acordo com ele, enquanto em uma cirurgia tradicional o retorno às atividades pode levar de 30 a 40 dias, no procedimento robótico esse prazo pode cair para cerca de cinco a seis dias.Ainda segundo o especialista, a tecnologia pode ser aplicada em diferentes tipos de procedimentos cardíacos, como cirurgias valvares, correções congênitas e retirada de tumores benignos, embora a indicação dependa das condições clínicas de cada paciente.A expectativa é de que, a partir da primeira cirurgia, o número de procedimentos aumente no Estado. “Esse é o pontapé inicial. A tendência é que a tecnologia se expanda e, com o tempo, esteja disponível em mais hospitais”, disse.Ele lembrou que as cirurgias robóticas são realizadas há mais tempo no Estado em outras áreas, com resultados importantes, como na urologia e ginecologia.“Foi o melhor presente da minha vida”, diz paciente Eduardo Ponche passou por cirurgia no início do mês e já faz caminhadas | Foto: Leone Iglesias/AT Sem sentir dor, cansaço ou qualquer sinal de alerta, o aposentado Eduardo Antônio Ponche, de 70 anos, levava uma rotina que incluía futebol, caminhadas, natação e academia.A vida ativa, no entanto, escondia um problema silencioso, descoberto durante exames de rotina em dezembro do ano passado: a obstrução em artérias do coração.O diagnóstico veio após uma angiografia e um cateterismo, solicitados pela médica da família, diante de níveis elevados de colesterol.“Quando saíram os resultados, o médico disse que eu iria precisar operar — inicialmente, pelo método tradicional, com abertura do tórax. Isso me assustou muito, pois a gente começa a pensar em um monte de coisas”, lembrou.Foi quando surgiu a possibilidade do procedimento inédito no Espírito Santo: a cirurgia cardíaca robótica.Após avaliação e o aval da equipe médica, Eduardo se tornou o primeiro paciente a passar pelo procedimento.Uma semana após o procedimento, realizado no dia 8 de abril, ele já consegue fazer caminhadas pelo condomínio – uma recuperação rápida que surpreendeu até o próprio paciente.Segundo ele, o procedimento aconteceu próximo ao aniversário de 70 anos, comemorado ainda no hospital, no último domingo. Para ele, a coincidência deu um novo significado à data. “Foi o melhor presente da minha vida”.Apesar do susto, Eduardo agora fala em gratidão — pela equipe médica e pela chance de continuar acompanhando a família. “Tenho muita gratidão por toda equipe que me acompanhou, em especial à médica da família, Carolina Souza Peixoto, que solicitou os exames iniciais. Também agradeço à equipe da cirurgia, como os cirurgiões Melchior Luiz Lima e Heber Souza Melo Silva, além de todos os outros profissionais”.Pai de três filhos e avô de quatro netos, ele se emociona ao falar do futuro. “Tem muita coisa ainda para viver. Quero ver meus netos correrem atrás de mim”.A experiência também deixou um alerta: problemas cardíacos podem evoluir de forma silenciosa, mesmo em pessoas ativas.“Se eu não tivesse feito o exame, eu estaria jogando bola normalmente. E poderia ter acontecido uma morte súbita”.Saiba Mais Cirurgia cardíaca robóticaFoi realizada no Espírito Santo na última semana, pela primeira vez, uma cirurgia cardíaca robótica, com auxílio do robô Da Vinci Xi.Até então, as cirurgias robóticas vêm sendo realizadas no ES em várias outras especialidades, como na urologia, ginecologia e alguns tipos de tumores.Como funcionaA cirurgia robótica é realizada por meio de pequenas incisões no tórax, por onde são introduzidos os braços robóticos e uma microcâmera de alta definição.O cirurgião opera a partir de um console, controlando os instrumentos por meio de uma espécie de joystick (como um controle para jogos).A tecnologia permite maior precisão, filtragem de tremores e visualização das estruturas cardíacas, enquanto a equipe multiprofissional acompanha cada etapa em tempo real.BenefíciosA cirurgia favorece recuperação mais rápida e menor risco de complicações.Enquanto uma cirurgia tradicional tem um tempo de recuperação entre 30 e 40 dias, a cirurgia robótica pode reduzir o tempo entre 7 e 8 dias.Também tem menos dor para o paciente, já que não precisa de abrir o esterno (osso da região do peito).Em quais casos pode ser feitaO auxílio do robô em cirurgias cardíacas é avaliado caso a caso, mas pode ser usado em tratamentos de doenças valvulares, cardiopatias congênitas, tumores e em quadros de pacientes que precisam fazer ponte de safena.",
"title": "Espírito Santo tem 1ª cirurgia cardíaca feita com robôs"
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