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Pesquisa revela que 40% dos brasileiros se sentem sozinhos

Tribuna Online | Seu portal de Notícias [Unofficial] April 2, 2026
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Levantamento feito pelo Family Talks, em parceria com a consultoria Market Analysis, aponta que a solidão atinge mais as mulheres (46,2%) do que os homens (35,3%) | Foto: Canva Em suas redes sociais, quantos amigos você tem? Talvez o número ultrapasse os 500. Mas, fora das telas, essa conexão existe? Uma pesquisa revela que quatro a cada 10 brasileiros se sentem sozinhos. O levantamento feito pelo Family Talks, em parceria com a consultoria Market Analysis, aponta que a solidão atinge mais as mulheres (46,2%) do que os homens (35,3%), com diferença de quase 11 pontos percentuais.Para o diretor da Market Analysis, Fabián Echegaray, a solidão é resultado de transformações profundas e cumulativas: “A desestruturação da família estendida, a mobilidade geográfica, o aumento do custo de vida e a queda do capital social fragilizaram as redes de apoio”.Investigação da Organização Mundial da Saúde (OMS), de junho do ano passado, demonstrou que uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão, com impactos significativos na saúde e no bem-estar. A solidão está associada a cerca de 100 mortes a cada hora – mais de 871 mil mortes por ano. Já conexões sociais fortes podem levar a uma melhor saúde e a uma vida mais longa.Na avaliação da psiquiatra e presidente da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo (Apes), Lícia Colodete, a solidão tem relação com o mundo atual, em que são valorizados o desempenho, a eficiência e o individualismo. Lícia explica ainda que a solidão não é falta de gente, mas de vínculo profundo com as pessoas. “Há uma velocidade que desfavorece a construção de vínculos mais profundos, porque toda profundidade demanda um tempo”. O doutor em Psicologia Elizeu Borloti, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e professor titular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), destaca que há mais percepção da solidão porque ela ganhou nome, linguagem pública e legitimidade como tema de saúde. “A OMS e outras instituições vêm tratando conexão social, isolamento e solidão como questão relevante de saúde pública. A solidão está mais nomeada, mas também há bons indícios de que ela esteja mais produzida socialmente”.RazõesEle pontua que existem razões para supor aumento real: “Fragilização de redes comunitárias, vida urbana mais segmentada, trabalho mais instável, rotinas mais individualizadas, digitalização das relações e menos espaços de convivência espontânea”. “O próprio levantamento da Family Talks aponta que 61,1% atribuem a solidão principalmente a fatores externos, e não a falhas individuais”. Estratégia | Foto: Leone Iglesias/AT Há seis anos, a mentora comercial Juliana Perez, de 36 anos, que é do Rio Grande do Sul, mora no Espírito Santo, longe da família. Mas há 11 anos, Juliana já mora sozinha.Ela também trabalha de home office e adota algumas estratégias para não se sentir solitária, como manter contato com os amigos, manter uma rotina de atividade física, passeios ao ar livre e momentos tomando um café especial, por exemplo.“Busco sempre incluir na minha rotina atividades que gosto, que me fazem bem e feliz, como ir à praia, passeios ao ar livre e aprender um esporte ou hobby novo”.PesquisaQuatro a cada 10 brasileiros se sentem sozinhos. É o que revela uma pesquisa exclusiva realizada pelo Family Talks em parceria com a consultoria Market Analysis, com base em entrevistas com mais de mil pessoas em todo o País.Solidão entre gênerosMulheres: 46,2%Homens: 35,3%Solidão entre classe social45,6% Classe C2/DE24,7% CLASSE ASolidão e parentalidade45,9% sem filhos36,4% com filhosSolidão por faixa etáriaJovens de 18 a 34 são tão solitários quanto adultos de 35 a 44.A queda só aparece após os 45 anos. Sem o padrão esperado de solidão na terceira idade.IDADE - SOLITÁRIOS - NÃO SOLITÁRIOS 18 - 24 - 45% - 55% 24-34 - 46,7% - 53,3% 35-44 - 46,1% - 53,9% 45-54 - 35,9% - 64,1% 55-64 - 37,6% - 62,4% 65+ - 30,2% - 69,8%Frequência da solidãoMulheres - 46,2%18-44: 51%65+: 42,4%Homens - 35,3%18–44: 40%65+: 22,9%A brecha de gênero é maior entre os mais jovens e persiste na velhice.Converge apenas em 55–64, onde ambos os sexos chegam a cerca de 37–38%ConectividadeQuanto maior for o estresse com as redes sociais, maior a solidão.

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