Guerra pode gerar risco de falta de produtos, alta de preços e demissões
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March 25, 2026
Abastecimento em posto: aumento nos preços e possível falta de combustível estão entre as possibilidades se a guerra se agravar | Foto: Fernando Ribeiro Em meio às incertezas sobre um possível cessar-fogo, o prolongamento da guerra no Oriente Médio mantém o mundo em alerta e os mercados sob tensão. Sem garantias de trégua, por enquanto, o cenário também não é animador no Brasil e, consequentemente, no Espírito Santo, segundo especialistas.“Há a possibilidade de alta de preços, falta de produtos e demissões, mas tudo está condicionado à extensão da guerra”, alerta Daniel Carvalho, coordenador dos cursos de Relações Internacionais e Comércio Exterior da UVV.Um dos principais riscos está no Estreito de Ormuz, considerado um dos maiores gargalos da logística mundial. “Por ali passam não só petróleo, mas também fertilizantes e grãos. Com o estreito fechado, cai a oferta e os preços sobem significativamente”, explica Carvalho.Ele observa que o mercado já dá sinais de instabilidade.“Após o anúncio de uma trégua de cinco dias por Donald Trump, o preço do petróleo recuou, refletindo o desconforto dos investidores. A queda poderia ter sido maior, não fosse a decisão de Israel de manter os ataques ao Irã”.O ritmo de aquisição de fertilizantes pelos produtores no Brasil, inclusive, está mais lento neste ano em comparação com 2025, relatam empresas do setor e analistas. O atraso foi intensificado pelo conflito no Oriente Médio.Já o diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves, Pablo Lira, destaca que o principal impacto tende a vir pela energia. “A alta do petróleo pressiona custos logísticos, industriais e inflacionários, além de desorganizar cadeias produtivas, com atrasos e escassez de insumos”, disse.Para o Brasil, ele aponta inflação mais persistente e crescimento mais lento. “Isso pode retardar a queda dos juros e afetar emprego e consumo”, afirma.No Espírito Santo, ele destaca que, por ser uma economia aberta e fortemente conectada ao comércio exterior, os impactos podem atingir a movimentação nos portos, a indústria e as exportações.O economista Eduardo Araújo cita a insegurança para investir.“Em ambiente de guerra e petróleo caro, muitas empresas já adiam investimentos, seguram contratações e operam com mais cautela. Se a tensão durar pouco, o impacto tende a ficar mais concentrado em combustíveis, logística e custo de vida”.Saiba Mais Cenário global Daniel Carvalho: análise | Foto: Divulgação A escalada das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã impacta a geopolítica e a economia mundial, com reflexos diretos sobre mercados e cadeias produtivas.A extensão de um conflito no Oriente Médio tende a produzir choques simultâneos de oferta e de incerteza na economia global.Cadeias logísticasPelo lado produtivo (oferta), há interrupções em cadeias logísticas e encarecimento de insumos estratégicos, como energia, alimentos e fertilizantes.Em linhas gerais, as restrições comerciais elevam custos ao longo de toda a cadeia, pressionando a inflação e podendo resultar em escassez pontual de produtos.Ao mesmo tempo, o aumento da incerteza reduz investimentos e desacelera o comércio internacional, afetando diretamente setores mais expostos ao mercado externo.Energia e petróleoUm dos principais efeitos vem da alta do petróleo, que pressiona custos logísticos, industriais e a inflação em diversos países.Cadeias produtivasHá risco de desorganização global, com atrasos, escassez de insumos e redução do comércio internacional.Impactos no BrasilPreço do dieselNo caso brasileiro, já se observa elevação no preço do diesel, sendo que aproximadamente um quinto da sua disponibilidade interna depende de importações.Esse efeito pode se disseminar para setores como o agronegócio, que depende do transporte rodoviário para o escoamento da produção e do uso intensivo de fertilizantes.Além disso, muitos defensivos agrícolas são derivados de combustíveis fósseis, o que tende a elevar custos em um contexto de encarecimento do petróleo.O país pode enfrentar inflação mais persistente, o que tende a adiar a queda dos juros, além de crescimento econômico mais lento, com reflexos no emprego e no consumo.Mercado de trabalhoNo mercado de trabalho, esse ambiente tende a se traduzir em ajustes por parte das empresas: margens pressionadas, em função dos custos elevados e da demanda mais fraca, levam à postergação de projetos, cortes de custos e, em casos mais severos, demissões.
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