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"textContent": "Tartaruga-cabeçuda deve estar colocando seus ovos juntamente com suas “netas”, acreditam especialistas | Foto: Reprodução/Projeto Tamar Uma tartaruga-cabeçuda que tem cerca de 60 anos e havia sido marcada pelo Projeto Tamar no final da década de 1980 foi novamente vista pelos pesquisadores na praia de Povoação, em Linhares, no Espírito Santo, durante a temporada de desova atual, que começou em setembro de 2025 e se encerra neste mês.O flagra foi feito em 2 de dezembro de 2025 e surpreendeu quem atua no dia a dia do trabalho de marcação das fêmeas que chegam às areias para abrir ninhos e colocar seus ovos.“A gente já tinha tido casos anteriores de 20 e poucos anos, até de 30 anos. Mas 37 é muito tempo. Não sei quanto é o maior tempo de marcação de fêmea no mundo, mas não é algo muito além disso, porque é difícil você ter programas longevos como o Tamar”, diz o biólogo Alex Santos, coordenador de Pesquisa e Conservação da Fundação Projeto Tamar no Espírito Santo.O início do Projeto Tamar também remonta à década 1980 e a tartaruga novamente vista pelos pesquisadores foi uma das primeiras que receberam a marcação – um número que fica em duas pequenas ligas de aço pregadas nas nadadeiras dianteiras.A tartaruga reencontrada agora só tinha uma marca original, perdeu a outra. Mas o número é suficiente para que a “ficha” dela seja acessada. Na desova de 1988, ela já era um animal grande, adulto, mas a idade exata é desconhecida.“Possivelmente não era a primeira desova dela. Então a gente diz que ela já tinha no mínimo 25 anos (início da maturidade), mas podia já ter 30, 40, quando a gente a encontrou pela primeira vez. E 25 com mais 37 anos dá lá seus 62. Pelo menos”, explica Santos. “Acredita-se que as cabeçudas vivam algo em torno de 80 anos”.As maiores cabeçudas chegam até 1,2 m, aproximadamente, e pesam em torno de 200 a 250 kg. Ao longo dos 37 anos – de 1988 até 2025 –, os pesquisadores a encontraram sete vezes no total.DesovaO biólogo afirma que a desova da cabeçuda marcada há 37 anos possivelmente está sendo feita junto com suas “netas”. “Como elas entram na maturidade em torno de 20, 25 anos, a gente já está vendo uma sobreposição de gerações”, destaca o pesquisador.O ciclo de reprodução das fêmeas geralmente ocorre a cada dois anos. Em média, cada tartaruga faz cinco ninhos por temporada e cada ninho tem em torno de 120 ovos.Saiba maisAté 3.500 ninhos por temporadaDa década de 1980 para cá, houve o acréscimo de algumas tecnologias pelo Projeto Tamar, como o microchip colocado em algumas tartarugas-de-couro, com a possibilidade de monitoramento via satélite, mas o biólogo Alex Santos explica que a marca metálica continua sendo um método obrigatório. “Teve uma tartaruga-de-couro marcada aqui no Espírito Santo que encalhou na Namíbia (na África) e ela foi identificada por essa marquinha de aço, por exemplo. Então ela acaba sendo a mais efetiva ainda para esse dia a dia”, explicou Alex Santos.No mundo todo há sete espécies de tartarugas-marinhas, e cinco delas frequentam a costa brasileira: além da tartaruga-cabeçuda, a tartaruga-de-couro, a tartaruga-de-pente, a tartaruga-oliva e a tartaruga-verde.A tartaruga que mais se distribui na costa brasileira é justamente a cabeçuda. O nome científico dela é Caretta caretta, uma referência ao tamanho da sua cabeça, maior na comparação com as de outras espécies.Segundo Santos, a cabeçuda é considerada hoje uma espécie vulnerável, mas é a tartaruga-de-couro, a mais rara de todas, que está criticamente em perigo.O pesquisador afirma que, no Espírito Santo, os animais da espécie cabeçuda fazem em torno de 3.000 a 3.500 ninhos por temporada, enquanto as tartarugas-de-couro apenas 100 ninhos, aproximadamente, na mesma região.Fonte: Projeto Tamar",
"title": "Projeto Tamar: tartaruga de 60 anos volta ao ES para desovar"
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