ELA: Médicos explicam doença que matou ator de série famosa
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March 1, 2026
Eric Dane, conhecido por papéis nas séries “Grey’s Anatomy” e “Euphoria”, estava começando a perder a fala | Foto: Divulgação Estima-se que entre seis mil a 12 mil pessoas no Brasil tenham a esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença rara e neurodegenerativa, sem causa definida, que afeta o sistema nervoso e causa paralisia irreversível.A doença ganhou destaque nesta semana após a morte do ator norte-americano Eric Dane, aos 53 anos. Conhecido por papéis nas séries “Grey’s Anatomy” e “Euphoria”, ele havia recebido o diagnóstico da ELA no ano passado.Médicos ouvidos pela reportagem explicam que entre os sintomas da doença estão perda gradual de força e coordenação muscular e, ainda, incapacidade de realizar tarefas rotineiras, como subir escadas, andar e levantar.Justamente a perda de força foi um dos primeiros sintomas que levaram o ator em busca de um diagnóstico. Em abril de 2025, quando revelou ter a doença, o ator contou que procurou um médico após perceber fraqueza na mão direita. Após nove meses de consultas médicas, ele recebeu o diagnóstico.O ator Patrick Dempsey, amigo de Eric, revelou, durante entrevista a uma rádio do Reino Unido, que Eric estava acamado e começando a perder a fala, além de ter dificuldade para engolir.Segundo o neurologista Gabriel Baltazar, inúmeros fatores de risco estão sendo estudados, mas, até o momento, o que se sabe é que a doença tem componente genético e componente ambiental, como tabagismo. Segundo o médico, a ELA é uma doença exclusivamente motora, também chamada de doença do neurônio motor.“Atinge tanto os neurônios motores superiores, que saem do cérebro em direção à medula, quanto aqueles que partem da medula para os músculos. “É uma doença que não causa sintomas de sensibilidade e nem cognitivos, na maioria das vezes”.O diagnóstico, de acordo com a neurologista Ana Cláudia Andrade, é clínico mais eletrofisiológico, por meio da realização de uma eletroneuromiografia. “É preciso também a ressonância do sistema nervoso central para descartar outras doenças neurológicas”.Já o tratamento, segundo a neurologista Soo Yang Lee, envolve o uso de alguns medicamentos, como o riluzol e o edaravona, que podem retardar a evolução da doença, assim como medidas de suporte multidisciplinar, incluindo fisioterapia, fono e terapia ocupacional, a fim de evitar lesões e adaptar a vida diária do paciente às suas limitações. “Na ELA clássica, a sobrevida média é de cinco anos”.Saiba maisEsclerose Lateral Amiotrófica (ELA)É uma doença, de causa desconhecida, que afeta o sistema nervoso de forma degenerativa e progressiva e acarreta em paralisia motora irreversível.Em 10% dos casos, a doença é causada por um defeito genético.No Espírito Santo, segundo a Sesa, atualmente 142 pacientes retiram medicamentos para tratá-la nas Farmácias Cidadãs Estaduais.SintomasOs primeiros sinais, segundo a neurologista Ana Cláudia Andrade, geralmente são fraqueza muscular nas extremidades dos membros superiores ou inferiores junto a fasciculações (espasmos musculares) e atrofias musculares, por exemplo:Mão dominante mais frequentemente acometida começa a atrofiar e surgem dificuldades em abotoar camisa, escrever, abrir recipientes.Pode iniciar em membro inferior (pé caído) também. Outra forma possível de início é alteração de fala (fala embolada ou anasalada) e ou dificuldade de deglutição, que surgem de forma progressiva e geralmente evoluem em sequência para alteração de força nos membros.PúblicoOs sintomas da ELA normalmente começam a aparecer após os 50 anos, mas podem surgir em pessoas mais novas.Diagnóstico e tratamentoÉ essencialmente clínico, baseado na avaliação neurológica detalhada. A eletroneuromiografia é o principal exame complementar, pois avalia a condução dos impulsos elétricos nos nervos e músculos.Medicamentos como riluzol e edaravone podem retardar a progressão, mas não interrompem a doença. A sobrevida média gira em torno de três a cinco anos, embora existam exceções.Casos famososELA matou ídolo do futebol aos 54 anosEm 2014, o ex-atacante Washington Cesar Santos, ídolo de clubes como Atlético-PR e Fluminense, morreu em Curitiba, aos 54 anos, em decorrência da ELA.O jogador falou da doença pela primeira vez em 2009, mas os primeiros sinais surgiram em 2006. No final, Washington já não falava mais e chamava o cuidador apertando um botão que ficava ao lado de sua cama. Ele morreu em casa.Cientista desafiou expectativas Stephen Hawking viveu 5 décadas com a doença | Foto: Divulgação O físico britânico Stephen Hawking foi diagnosticado com ELA aos 21 anos, após apresentar quadros de fraqueza muscular nas pernas, e desafiou as expectativas médicas ao viver mais de cinco décadas com a doença. Os médicos previram que ele não viveria mais que três anos. Ele morreu em 2018, aos 76 anos.Tornou-se um dos cientistas mais influentes do século XX. Com o avanço da doença, Hawking passou a usar cadeira de rodas e, na década de 1980, perdeu a capacidade de falar, mas se comunicava por um sintetizador de voz controlado inicialmente por movimentos da mão e, mais tarde, por um músculo da face.Apelido para a doençaÍdolo do beisebol norte-americano, o jogador Lou Gehrig, do New York Yankees, anunciou em 1939, aos 36 anos, que deixaria os campos após o diagnóstico de ELA.Um ano antes, em 1938, o jogador começou a apresentar queda de desempenho, fraqueza muscular e dificuldades de coordenação. Ele morreu em 1941. Desde então, a ELA passou a ser amplamente chamada de “doença de Lou Gehrig” nos Estados Unidos.
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