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  "publishedAt": "2026-02-20T18:25:00.000Z",
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    "Brasil"
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  "textContent": "BOA VISTA (RR) - A filha de Edivania Yanomami tinha apenas quatro meses de vida quando morreu no dia 10 de fevereiro, vítima de coqueluche. A bebê da comunidade Arasiki, região de Surucucu, chegou a ser transferida com a mãe para o Hospital da Criança, unidade de urgência e emergência na capital de Roraima, mas não resistiu às complicações da infecção respiratória. Ela é uma das três mortes registradas pela doença entre 1º de janeiro e 19 de fevereiro deste ano, de acordo com dados oficiais.O Estadão teve acesso a atestados de óbito de crianças indígenas e constatou que a maioria das vítimas eram bebês. Em um dos documentos, a criança tinha apenas um mês e 17 dias de vida. Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que “reforçou as equipes de saúde com médico, técnico de enfermagem, enfermeiro e socorrista, além de especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS), com experiência na contenção de possíveis surtos – para a assistência na região de Surucucu, na Terra Indígena Yanomami.”Ainda segundo a pasta, “está sendo realizada busca ativa e coleta de material de análise clínica. Todos os pacientes com suspeita de coqueluche e contactantes estão em tratamento e acompanhamento do seu estado de saúde. Até o momento, foram confirmados oito casos de coqueluche, com três óbitos em decorrência da doença”, diz a nota.Procurado, o Ministério dos Povos Indígenas pediu que a reportagem buscasse informação sobre o assunto com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).\n                                \n                                    \n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n  \n    \n  \n\n  \n  \n    \n      \n    \n\n    \n    \n    \n\n\n    \n\n    \n      \n      \n      \n\n      \n\n\n\n  \n\n  \n    \n    \n\n      \n\n        \n          \n            \n            \n          \n        \n\n        \n          \n          \n          \n        \n\n        \n  \n\n  \n\n  \n\n\n                                    Crianças removidas das comunidades com suspeita de coqueluche. Foto: Hutukara/Divulgação\n                                \n                            Lideranças indígenas afirmam que o número de mortes por coqueluche pode ser maior do que o oficialmente divulgado e estimam ao menos cinco óbitos somente em 2026, na capital e nas aldeias. O Boletim Epidemiológico da Secretaria de Saúde aponta 31 casos notificados e 12 confirmados. “Essas crianças ainda não perceberam o mundo, nasceram e as mães têm que chorar. O futuro das crianças foi interrompido. Estamos muito preocupados”, disse Waihiri Hekurari, antes conhecido como Júnior Hekurari Yanomami, presidente da Urihi Associação Yanomami.\n                                \n                                    \n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n  \n    \n  \n\n  \n  \n    \n      \n    \n\n    \n    \n    \n\n\n    \n\n    \n      \n      \n      \n\n      \n\n\n\n  \n\n  \n    \n    \n\n      \n\n        \n          \n            \n            \n          \n        \n\n        \n          \n          \n          \n        \n\n        \n  \n\n  \n\n  \n\n\n                                    Waihiri Hekurari e Dário Kopenawa em visita ao Hospital da Criança. Foto: Hutukara/Divulgação\n                                \n                            Infecção letal para comunidades isoladasA coqueluche, conhecida como tosse comprida, é uma infecção bacteriana causada pela bactéria Bordetella pertussis e atinge diretamente o aparelho respiratório, comprometendo traqueia e brônquios. Segundo a pediatra Alana Zorzan, cofundadora da plataforma Mini Löwe, a doença se manifesta principalmente por “crises de tosse seca e violenta, que podem dificultar a respiração”.Ela explica que, após as crises, é comum o paciente emitir um som agudo ao puxar o ar, semelhante a um “guincho”, e que, em casos mais graves, pode haver cianose, quando a oxigenação do sangue fica comprometida.Conforme a médica, os bebês menores de seis meses estão entre os grupos de maior risco por ainda não terem completado o esquema vacinal com a DTP (tríplice bacteriana infantil), podendo apresentar apneias e pausas na respiração. “É um grupo de altíssimo risco”, alerta. A especialista afirma ainda que o Brasil vive um cenário de alerta devido à queda na cobertura vacinal, e que o surto registrado na TI Yanomami não é um evento isolado, mas reflexo “da baixa imunização, da vulnerabilidade nutricional e da circulação de não indígenas no território. Indiretamente, ela aponta que o garimpo ilegal contribui para a entrada de doenças respiratórias, e comunidades isoladas têm pouca memória imunológica, podendo ser letal para essa população”, analisa.",
  "title": "Surto de coqueluche mata crianças Yanomami em Roraima: ‘Estamos muito preocupados’"
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