Redução da jornada para 36 horas pode reduzir PIB em 6,2%, apontam estudos
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February 18, 2026
Loja em São Paulo: comércio seria um dos setores mais afetados com a mudança, com perda estimada em 12,2% | Foto: Renato S. Cerqueira/Estadão A proposta de redução da jornada de trabalho máxima de 44 para 36 horas semanais, que ganhou força com a mobilização pelo fim da escala 6x1, pode reduzir em 6,2% o Produto Interno Bruto (PIB) levando-se em conta especificamente o trabalho como fator de produção.Para as centrais sindicais, a medida é necessária, devido a uma exploração excessiva do trabalho, e seus impactos seriam compensados por mais consumo, incentivos à inovação e produtividade.Segundo estudos do FGV-Ibre e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), além da queda no PIB, a transição para uma jornada de 36 horas pode aumentar em 22% o custo da hora trabalhada para quem hoje cumpre o limite constitucional de 44 horas.No agregado de todos os vínculos celetistas (empregos formais), estima-se que o valor médio do trabalho subiria 17,6%. O custo operacional total para as empresas aumentaria menos. Ele seria maior quanto mais intensivo for o uso de mão de obra na atividade.Pelas simulações, o impacto negativo no PIB ocorreria caso a redução da carga horária fosse implementada sem uma contrapartida em ganhos de produtividade. À exceção da agricultura, os ganhos produtivos têm se mantido praticamente estagnados nas últimas décadas.O impacto negativo não seria uniforme, com grande heterogeneidade entre setores. As perdas mais severas ocorreriam em áreas que hoje operam com jornadas de trabalho médias elevadas, e que teriam maior custo de adaptação.O setor de transporte é um dos mais vulneráveis, com uma perda estimada de 14,2% devido à sua jornada média atual de 42 horas.Na indústria extrativa, o recuo chegaria a 12,6% e no comércio, grande empregador e com uma das jornadas mais longas (41 horas), a queda seria de 12,2%. Além disso, há risco de redução na remuneração de trabalhadores do comércio que dependem de comissões.Fernando de Holanda Barbosa, pesquisador do FGV-Ibre, afirma que a medida tem caráter regressivo, beneficiando mais os servidores públicos e quem tem emprego formal. “O conta própria e informal vai continuar trabalhando feito louco, e o mercado informal que depende do serviço público (como em saúde e educação) pode ter uma oferta menor por conta da redução da jornada”.Mudança pode aumentaro preço dos imóveisA Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa ao fim da escala 6x1 tem dominado o debate público e gerado preocupações em setores estratégicos da economia.No mercado imobiliário, o alerta veio do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis (Secovi-SP). Segundo a entidade, a mudança na jornada de trabalho pode encarecer o valor final das unidades habitacionais em até 11%.Em análise técnica, o presidente executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim, explicou que a mão de obra compõe aproximadamente 50% do valor total de um empreendimento. Com a redução da jornada sem redução de salário, estima-se que o custo por colaborador suba cerca de 22%.Como a construção civil depende diretamente da presença física e do tempo de execução em canteiro, esse aumento de custo operacional seria repassado ao preço do imóvel.Além do fator financeiro, a entidade aponta a escassez de mão de obra qualificada como um gargalo: não haveria profissionais prontos no mercado para suprir os turnos adicionais necessários, o que poderia gerar atrasos nas entregas.O Secovi-SP também critica a falta de estudos sobre os impactos econômicos das mudanças propostas, sugerindo uma abordagem mais técnica e ampla. O tema não é emergencial, argumenta a entidade, e deveria considerar as particularidades de cada setor e atividade antes de ser decidido.“A classe trabalhadora poderá se encantar com a possibilidade de três dias de descanso semanais. Mas a inevitável elevação do custo de vida obrigará muitos a fazer 'bicos'”, afirma o Secovi-SP.
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