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Anos 90: A Explosão do Pagode estreia na Globo e revisita legado do gênero

O Planeta TV: Audiências da TV, Novelas e Bastidores da TV [Uno… June 26, 2026
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Péricles e Netinho de Paula. Foto: TV Globo/Lucas Seixas O pagode dos anos 1990 sai do campo da nostalgia e volta à tela como capítulo decisivo da cultura popular brasileira. Em Anos 90: A Explosão do Pagode, a TV Globo revisita o momento em que artistas vindos da periferia de São Paulo ocuparam programas, paradas de sucesso e o imaginário de uma geração. A série documental estreia em 1º de julho, na TV Globo, com três episódios exibidos às quartas. Produzida pelos Estúdios Globo, a obra acompanha a formação dessa sonoridade, a chegada do movimento ao alcance nacional e a permanência de seu repertório na música brasileira atual. A narrativa parte da periferia paulistana, mas não fica restrita a uma origem geográfica. O documentário também observa as pontes culturais entre São Paulo e Rio de Janeiro, uma relação importante para entender como o pagode ganhou escala, linguagem própria e presença constante na televisão dos anos 1990. No centro da memória musical aparecem nomes que atravessaram o período de formas diferentes. Márcio Art, Belo, Péricles, Netinho, Chrigor e Salgadinho participam da série, assim como grupos que ajudaram a definir a década, entre eles Molejo, Raça Negra, Só Pra Contrariar, Art Popular, Negritude Júnior, Soweto, Exaltasamba e Katinguelê. A engrenagem do movimento também passa por quem abriu caminho fora do palco. O documentário destaca empresários e produtores como Pelé Problema, Jorge Hamilton, William da Zimbabwe e Luizão da Chic Show, figuras associadas ao impulso que tirou o pagode de circuitos periféricos e o colocou diante de plateias nacionais. Na avaliação de Rafael Boucinha, a força do gênero não pode ser separada da televisão aberta dos anos 1990. Ao chegar aos programas de maior alcance, o pagode ampliou a presença de artistas negros da periferia em espaços de grande visibilidade nacional. Emilio Domingos também trata o movimento como marco de representação. Na leitura do diretor, registrar essa história significa recolocar a cultura negra no centro da formação da identidade brasileira, especialmente em uma década em que a indústria fonográfica ainda tinha enorme capacidade de projetar artistas para todo o país. O documentário não apresenta o sucesso como trajetória sem conflito. A série discute machismo, ausência de vozes femininas no pagode e os limites de uma indústria que, mesmo abrindo espaço para artistas negros, ainda operava sob disputas de visibilidade e poder. O acervo recuperado pela série e os novos depoimentos ajudam a reconstruir a década sem depender apenas da memória afetiva das músicas. Filmada entre Rio de Janeiro e São Paulo, a produção combina números musicais feitos para o documentário com uma direção visual inspirada no clima cultural daquele período. O diálogo com o presente aparece nas participações de Ludmilla, Thiaguinho e Gloria Groove. A presença dos três amplia o arco da série: o pagode não surge apenas como lembrança de uma década, mas como matriz que continua alimentando artistas, repertórios e formas de ocupar a música brasileira. Nos Estúdios Globo, a criação é assinada por Emilio Domingos e Felipe Giuntini. A direção reúne Emilio Domingos e Rafael Boucinha, com roteiro de Raul Perez, produção de Anelise Franco e Kayque Carlos e produção executiva de Fernanda Neves. Entre arquivo, depoimento e performance, a série recoloca o pagode dos anos 1990 no lugar em que ele já esteve: diante do grande público. A diferença é que, agora, a tela olha para aquele fenômeno também como disputa de memória, presença negra e pertencimento popular.

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