Everaldo Marques fala de Neymar, Virginia e preparação para a Copa
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June 7, 2026
Everaldo Marques. Créditos: Globo/João Cotta
Everaldo Marques chega à Copa do Mundo como voz principal do Brasil na TV Globo, mas a consagração não veio sem peso emocional. O narrador assumiu o posto após o afastamento de Luis Roberto, que iniciou tratamento contra um câncer, e admitiu que precisou de tempo para celebrar a oportunidade.
"Confesso que demorei a sorrir com essa oportunidade", disse Everaldo, em entrevista ao jornal Extra. A frase explica o conflito do momento: ele realiza um sonho antigo, mas ocupa uma função que pertencia a um amigo de mais de 20 anos e uma de suas referências desde a juventude.
A relação entre os dois começou ainda fora da Globo, em uma sala de imprensa de Fórmula 1. Everaldo contou que Luis Roberto o reconheceu pela voz do rádio, enquanto ele reconheceu o colega pelo rosto. A amizade se fortaleceu depois, inclusive quando Everaldo chegou à emissora e recebeu apoio do narrador.
Mesmo em tratamento, Luis Roberto enviou mensagem ao amigo antes do amistoso entre Brasil e Panamá. Para Everaldo, o gesto reforçou a dimensão humana da situação. Ele disse estar feliz com a escolha da direção, mas também mexido pela forma como a troca aconteceu.
A trajetória de Everaldo Marques ajuda a explicar por que a Copa tem tamanho especial em sua carreira. Na infância, em São Paulo, ele não fantasiava marcar o gol decisivo do Mundial. Preferia imaginar a narração desse lance, com os amigos transformados em craques dentro de um estádio inventado pela brincadeira.
O estilo que hoje virou marca nasceu dessa mistura de rádio, televisão e improviso. Everaldo citou a influência de nomes como Osmar Santos, Oscar Ulisses, Paulo Soares, José Silvério, Fiori Gigliotti e o próprio Luis Roberto, além da convivência com Paulo Antunes em transmissões de esportes americanos na ESPN.
Os bordões, como "Você é ridículo!", também surgiram sem planejamento rígido. O narrador contou que a leveza foi ganhando espaço ao perceber a resposta positiva do público em jogos longos, nos quais histórias, humor e comentários paralelos ajudavam a segurar a transmissão. Ao receber a Copa, ouviu da direção que deveria continuar fiel ao próprio estilo.
Na prática, isso não elimina preparação. Everaldo acompanha coletivas, noticiário, escalações, histórico das seleções e dados de desempenho. Para a TV aberta, ele valoriza especialmente as histórias pessoais dos atletas, porque a Copa atrai também quem não acompanha futebol durante toda a temporada.
A rotina inclui organização quase artesanal. O narrador disse que leva material impresso, anota escalações e usa canetas de quatro cores para se orientar. Ele evita depender apenas do computador, com receio de ser surpreendido por algum problema técnico em plena transmissão.
Sobre o Mundial, Everaldo não coloca o Brasil como principal favorito. Na avaliação dele, França, Espanha e Portugal chegam acima, enquanto Alemanha, Inglaterra e Holanda aparecem em nível próximo. Ainda assim, lembra que a Copa é curta e permite viradas inesperadas, como mostrou a Argentina no Mundial anterior.
O papel de Neymar também foi tratado com cautela. Everaldo acredita que, caso tenha condição física, o jogador deve atuar mais como coadjuvante do que como protagonista. Para o narrador, a inteligência e a qualidade técnica seguem presentes, mas o corpo já não responde como nos tempos de explosão pela ponta.
A conversa com o Extra ainda passou pela possível presença de Virginia na cobertura. Everaldo avaliou que a Copa ultrapassa o noticiário esportivo tradicional e pode comportar entretenimento, bastidores, comportamento, viagem e cultura, desde que cada participação tenha uma função clara na programação.
O Brasil estreia no sábado, 13, às 19h, contra o Marrocos. Depois, enfrenta Haiti e Escócia na fase de grupos. A Globo afirma que exibirá todos os jogos da Seleção, metade da fase de mata-mata e a final de 19 de julho, dentro de um pacote de 57 partidas.
Para Everaldo, a missão vai além de substituir uma voz conhecida. A Copa coloca sua identidade de narrador diante do maior público possível, em uma cobertura que mistura sonho de infância, responsabilidade profissional e a delicadeza de ocupar um espaço aberto pela ausência temporária de um amigo.
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