'Casa do Patrão' expõe tropeços de Boninho fora do BBB
O Planeta TV: Audiências da TV, Novelas e Bastidores da TV [Uno…
May 19, 2026
Boninho. Foto: Reprodução/Instagram
O desempenho de Casa do Patrão acendeu um sinal de alerta para a Record e recolocou Boninho no centro de uma discussão antiga: nem todos os formatos associados ao diretor conseguiram repetir o impacto popular do Big Brother Brasil. Menos de um mês depois da estreia, o reality comandado por Leandro Hassum já convive com baixa repercussão e dificuldade para se firmar como assunto obrigatório entre os telespectadores.
A expectativa em torno do projeto era alta justamente pelo histórico de J. B. Oliveira. Depois de décadas ligado à construção de alguns dos maiores fenômenos de entretenimento da Globo, havia a aposta de que ele poderia levar para a Record uma espécie de fórmula vencedora dos realities. Na prática, porém, Casa do Patrão tem mostrado que prestígio nos bastidores não garante conexão automática com o público.
O caso também ajuda a lembrar que a carreira de Boninho não foi feita apenas de sucessos. Embora seu nome esteja ligado a formatos de enorme repercussão, o diretor também acumulou experiências que não passaram no teste da audiência, das redes sociais ou da continuidade na programação.
Entre os exemplos mais lembrados está Tomara que Caia, exibido pela Globo em 2015. O humorístico ao vivo apostava em improviso, participação do público e interação digital, mas foi recebido com forte rejeição logo nos primeiros episódios. A atração rapidamente virou alvo de piadas nas redes sociais e passou a ser vista como uma das tentativas mais problemáticas da emissora no gênero.
Outro projeto que não conseguiu se sustentar foi Zig Zag Arena, lançado em 2021 com apresentação de Fernanda Gentil. A proposta era transformar brincadeiras infantis em uma competição familiar para as tardes de domingo, mas o formato não criou identificação suficiente com o público. A resposta fraca fez a Globo encerrar a atração antes do planejamento inicial.
No streaming, Casa Kalimann também virou um capítulo delicado. Estrelado por Rafa Kalimann no Globoplay, o programa tentou combinar entrevistas, convivência e tom intimista, mas acabou marcado por críticas intensas. A repercussão negativa impediu que a atração ganhasse continuidade e transformou o projeto em um dos exemplos mais citados quando se fala em apostas malsucedidas de Boninho.
Entre os realities musicais, SuperStar surgiu com ambição de renovar a relação entre TV e público por meio de votação em aplicativo. A estreia despertou curiosidade, mas o interesse caiu ao longo das temporadas. As alterações no formato, nos jurados e na dinâmica deixaram evidente a busca por um caminho que nunca se consolidou plenamente.
Antes da era das redes sociais como termômetro imediato, Boninho também comandou formatos de competição que não se tornaram fenômenos. Hipertensão, no início dos anos 2000, e Jogo Duro, já na década seguinte, apostaram em provas, tensão e entretenimento, mas ficaram distantes do impacto popular alcançado por outros programas do diretor.
O contraste com o BBB ajuda a explicar a dimensão do desafio. O reality da Globo se fortaleceu porque soube transformar comportamento, convivência, conflito e identificação em assunto nacional. Mais do que uma boa estrutura de produção, havia ali uma engrenagem social funcionando: público, participantes, redes, imprensa e televisão girando em torno do mesmo produto.
Com Casa do Patrão, a dificuldade parece estar justamente nesse ponto. O programa ainda não encontrou uma identidade própria nem conseguiu criar personagens que mobilizem o público fora da tela. Sem esse vínculo, o reality corre o risco de virar apenas mais uma atração cara, barulhenta na estreia e silenciosa no decorrer da exibição.
Isso não apaga a importância de Boninho para a televisão brasileira. Poucos profissionais ajudaram tanto a moldar a linguagem dos realities no país. Mas o momento atual mostra que prestígio e histórico não bastam. Em uma TV cada vez mais fragmentada, o público cobra novidade, ritmo e verdade. Quando essa conexão não acontece, nem mesmo um nome consagrado consegue evitar a sensação de fracasso.
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