'Provoca' estreia a temporada 2026 nesta terça-feira com Rafinha Bastos
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February 27, 2026
Rafinha Bastos e Marcelo Tas. Foto Nadja Kouchi/ Acervo TV Cultura
Há entrevistas que funcionam como espelhos. A que Rafinha Bastos concede a Marcelo Tas na estreia do Provoca em 2026 é uma delas. O humorista, conhecido por anos de humor cortante e exposição pública intensa, chega ao programa disposto a falar sobre o que o fez querer ser diferente do personagem que construiu. A edição vai ao ar nesta terça-feira, 3 de março, às 22h30, na TV Cultura.
O ponto de partida é o cansaço — não de trabalhar, mas de si mesmo. Rafinha conta que alimentou por muito tempo uma persona mais agressiva e reclamona, e que foi a consciência da própria finitude que acendeu o desejo de mudança. "Eu estava um pouco cansado de mim mesmo. (...) [Tive] medo de chegar ao final [da vida] e eu ter basicamente mostrado apenas um recorte de quem eu fui", revela. A maturidade, ele descreve, não chegou como conquista, mas como urgência.
A conversa também revisita um dos momentos mais turbulentos de sua carreira: a polêmica com a cantora Wanessa Camargo, em 2011. Rafinha é claro ao dizer que não defende a piada feita na ocasião, mas guarda até hoje a mágoa da ausência dos colegas em um momento de exposição máxima. "No momento que eu tinha os portais falando de mim, que eu estava prestes a ser suspenso, talvez demitido, muito exposto, naquele momento eu esperava que meus colegas estivessem, pelo menos, me ajudando, me defendendo", diz. O que ele queria ter ouvido era simples: "Ele só fez uma piada ruim, mas a gente está junto e eu vou defender o direito dele fazer como ele sempre fez."
Já na fala sobre o filho Tom, o tom muda. Rafinha descreve um menino que parece preferir distância da fama do pai — e interpreta esse comportamento não como rejeição, mas como busca por identidade. "Eu sinto que ser filho do Rafinha não é uma coisa que empolga muito ele. (...) Acho que ele não gosta de ser filho de um cara famoso. Ele quer se encontrar. E eu respeito isso", diz. Longe de incomodá-lo, essa dinâmica funciona como antídoto contra o excesso de ego. "Me deixa humilde. Tipo assim: 'Rafael, não é todo mundo que te ama. Tem, dentro da tua casa, alguém que quer que você só seja pai.'"
Um humorista que aprendeu a se levar menos a sério — e que encontrou no próprio filho o lembrete mais honesto disso.
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