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  "textContent": "\nO principal comandante dos Estados Unidos para a Europa e a África deixou o cargo nesta quinta-feira, concretizando um plano que pegou os líderes militares de surpresa e enviando mais um sinal de que o governo do presidente Donald Trump deseja reduzir seu compromisso de defesa com o continente europeu. O general do Exército Christopher Donahue, considerado uma das estrelas em ascensão das Forças Armadas dos EUA, será substituído por um general de patente inferior em caráter interino até que Trump escolha um sucessor. Donahue havia sido nomeado pelo ex-presidente Joe Biden e ocupou o cargo por cerca de 18 meses, um período muito inferior à duração habitual para a função. Segurança internacional: Após elevar gastos, Otan busca acelerar inovação militar e vê oportunidades de parceria com o Brasil Mudanças: EUA devem retirar um terço dos caças que disponibilizam à Otan, limitando capacidade da Europa de realizar ataques de longo alcance Sua decisão abrupta de se demitir — confirmada por oficiais do Exército na semana passada — alimentou especulações de que motivações políticas estariam envolvidas. O Pentágono se recusou a comentar o assunto, mas a decisão está em consonância com a iniciativa do Secretário de Defesa, Pete Hegseth, de demitir muitos generais nomeados durante o governo Biden e reduzir o número total de oficiais de alta patente. Um funcionário do Pentágono, que pediu para não ser identificado ao discutir assuntos internos, disse que a decisão de Donahue de se aposentar foi dele e que ele não foi forçado a sair. — Ele esteve em todos os teatros de operações, em todas as dimensões — disse o ex-embaixador na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Douglas Lute. — Esta é uma mudança chocante, uma mudança desorientadora. O general da Força Aérea dos EUA, Alexus Grynkewich, comandante supremo aliado da Otan, afirmou nesta quinta-feira que, coincidindo com a saída de Donahue, houve uma redução na patente do cargo de general de quatro estrelas para general de três estrelas — o que significa que seu sucessor poderá ter menos autoridade entre seus homólogos aliados e nos EUA. Meta de gastos Secretário-geral da Otan diz que aliança precisa de ‘mais forças e recursos’ e minimiza impacto de cortes dos EUA Isso alimentou ainda mais a preocupação entre oficiais militares americanos aposentados e aliados dos EUA na Europa de que o governo tenha apenas começado a reduzir sua presença militar na Europa. Trump deixou claro que deseja que os aliados da Otan assumam uma parcela maior do ônus financeiro da defesa do continente. Ele já ordenou ao Pentágono que reduzisse o número de tropas na Europa — uma medida que pegou os aliados de surpresa — e cortou os recursos militares que Washington disponibilizaria em caso de crise. No mês passado, Hegseth anunciou uma revisão semestral da situação das forças armadas americanas. Laboratório da guerra: Demanda por foguetes transforma fábrica belga em símbolo do rearmamento europeu A posição de Trump será um dos principais temas de discussão quando ele se juntar a outros líderes da Otan para uma cúpula na Turquia na próxima semana. Os EUA têm sugerido a ideia de conceder benefícios políticos e econômicos aos aliados da Otan que investem mais em defesa, aumentando a possibilidade de uma aliança de duas categorias. A tensão também se manifestou de outras maneiras. Altos funcionários da defesa britânica têm tido dificuldades para obter a atenção dos EUA durante visitas ao país, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram para não serem identificadas por estarem discutindo reuniões privadas. Elas disseram que ministros viajaram aos EUA apenas para serem informados de que altos funcionários do Pentágono estavam muito ocupados para recebê-los. Segundo Jim Townsend, ex-secretário adjunto de Defesa para a Europa e Política da Otan, os Aliados receberam garantias de comandantes como Donahue e Grynkewich, pois confiam que suas recomendações sobre o posicionamento das forças não são motivadas por questões políticas. — Ele era muito bem visto na Comissão de Serviços Armados, onde eu faço parte. Ambos os lados do espectro político tinham uma opinião muito positiva sobre ele — disse o senador Tim Kaine, democrata da Virgínia, ao programa Face the Nation, da CBS, na semana passada. — A notícia de que ele estava sendo afastado do cargo nos pegou a todos de surpresa. E ainda não temos boas respostas do Pentágono. Entrevista: ‘Europa precisa armar-se para ter capacidade de dissuasão’, diz executiva de gigante francesa do setor de Defesa Donahue também ajudou a supervisionar o apoio militar inicial dos EUA à Ucrânia, uma iniciativa à qual Trump se opôs em seu segundo mandato. Ele também se viu envolvido em acusações políticas por ter sido o último militar americano a deixar o Afeganistão durante a retirada de 2021. Esse momento foi capturado em uma fotografia que se tornou icônica, tirada com um dispositivo de visão noturna, mostrando Donahue embarcando no último voo enquanto Cabul caía nas mãos do Talibã. Trump e Hegseth criticaram duramente Biden pela retirada do Afeganistão, e Hegseth anunciou no ano passado uma nova revisão do processo decisório por trás da retirada, em uma iniciativa que ele chamou de busca por responsabilização em relação a \"um dos momentos internacionais mais sombrios e mortais da América\".",
  "title": "General americano de alto escalão para assuntos europeus renuncia em meio à pressão de Trump sobre aliados da Otan"
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