Operação da PF sobre jogo do bicho volta a cruzar Adilsinho, Marco Antônio Cabral e Bacellar
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July 2, 2026
Os nomes do contraventor Adilsinho, do ex-deputado federal Marco Antônio Cabral e do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), voltam a se cruzar. Em 2024, após a prisão do servidor da Alerj Cezar Daniel Mondego, suspeito de monitorar o advogado Rodrigo Crespo antes de seu assassinato, Marco Antônio e Bacellar passaram a ser citados nas discussões sobre quem havia indicado o funcionário para trabalhar na Assembleia. À época, Marco Antônio ocupava um cargo na assessoria da Presidência da Alerj, onde atuava na interlocução com prefeitos e vereadores durante a gestão de Rodrigo Bacellar. Agora, eles reaparecem no contexto da quinta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro da nova cúpula do jogo do bicho e possíveis repasses a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio. A operação foi deflagrada nesta quinta-feira por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, a Polícia Federal cumpriu três mandados de prisão preventiva, 14 mandados de busca e apreensão e determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões. O advogado Rodrigo Crespo foi executado a tiros no Centro do Rio em fevereiro de 2024. Em março deste ano, Cezar Daniel Mondego, o policial militar Leandro Machado da Silva e Eduardo Sobreira Moraes foram condenados a 30 anos de prisão pelo crime. Segundo o Ministério Público, ele era monitorado por interesse do jogo do bicho, da qual Adilsinho é apontado como integrante. A defesa do contraventor nega qualquer participação dele no assassinato. Filho do ex-governador Sérgio Cabral, Marco Antônio Cabral foi deputado federal pelo MDB, secretário estadual de Esporte no governo Luiz Fernando Pezão e ocupou um cargo na assessoria da Presidência da Alerj durante a gestão de Rodrigo Bacellar, atuando na interlocução com prefeitos e vereadores. Neste ano, deixou o MDB, legenda à qual era filiado havia 18 anos, e ingressou no Solidariedade para disputar uma vaga de deputado federal. Após a prisão de Mondego, surgiram nos bastidores da Assembleia relatos de que o então servidor teria sido indicado para o cargo por Marco Antônio, com quem tinha grande ligação política. O ex-deputado negou ter feito a indicação e afirmou que conhecia Mondego desde 2012, quando ele lhe foi apresentado como uma liderança política de Higienópolis, na Zona Norte do Rio. — Não fiz a nomeação dele em 2019. Nunca tive uma relação de intimidade com ele, mas o conhecia da atividade política — declarou Marco Antônio à época. Na ocasião, Bacellar confirmou que Mondego tinha ligação com Marco Antônio, mas afirmou não saber quem havia feito sua nomeação para a Alerj. Também circularam relatos de bastidores de que os dois teriam se reunido após a prisão do servidor para tratar do desgaste político provocado pelo caso. Marco Antônio negou que esse encontro tenha ocorrido. Esta não é a primeira vez que um filho do ex-governador Sérgio Cabral tem o nome associado a investigações envolvendo Adilsinho. Em 2023, José Eduardo Neves Cabral foi alvo da Operação Smoke Free, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, sob suspeita de atuar como operador financeiro do contraventor em um esquema de comércio ilegal de cigarros e lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, a aproximação entre os dois começou após a empresa de eventos de José Eduardo organizar a festa de aniversário de Adilsinho no Copacabana Palace, em 2021. À época, a defesa de José Eduardo informou que aguardava acesso aos autos para se manifestar. Já a defesa de Adilsinho negou envolvimento com o comércio ilegal de cigarros e com os demais crimes investigados.
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