Morte de torcedor durante jogo Brasil x Japão: casos de infarto aumentam em partidas da Seleção Brasileira na Copa, mostra estudo da USP
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June 30, 2026
Um torcedor de 60 anos morreu após passar mal durante o jogo do Brasil contra o Japão na Copa do Mundo 2026, nesta segunda-feira, em Goiânia. De acordo com informações da TV Anhanguera, o homem estava numa padaria e teve um mal-estar após o gol da seleção japonesa, no primeiro tempo. Ele caiu da cadeira e bateu a cabeça no chão. Segundo um estudo da Universidade de São Paulo (USP), os casos de infarto aumentam até 8% no país durante as partidas da Seleção Brasileira. No episódio de ontem, outro homem que estava no local chegou a acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ele disse que o torcedor estava roxo e sem respirar e, ao perceber que se tratava de uma parada cardiorrespiratória, a médica socorrista Nágylla de La Rocha orientou que o fosse iniciada a massagem cardíaca enquanto a equipe do Samu se deslocava para o local. Em seu perfil no Instagram, a socorrista compartilhou o momento como uma forma de conscientizar outras pessoas a como agir em situações semelhantes. Na publicação, ela conta que a parada cardiorrespiratória foi identificara quando o homem contou pelo telefone que a vítima estava roxa. "Enquanto a equipe do SAMU se deslocava, começamos a orientar as compressões torácicas por telefone. Naquele momento, cada segundo importava. Às vezes, salvar uma vida começa muito antes da ambulância chegar. Começa com alguém disposto a ligar, ouvir e agir", escreveu Nágylla. Segundo apuração da TV Anhanguera, as tentativas de reanimação do homem duraram cerca de uma hora, e o torcedor chegou a voltar quatro vezes, durante o socorro feito pela pessoa e o atendimento da equipe do Samu, mas morreu no local. Initial plugin text Casos de infarto aumentam em jogos do Brasil na Copa Ao viver uma forte emoção, o corpo libera hormônios que aceleram a frequência cardíaca, aumentam a pressão arterial e levam à sensação de que o coração está “na boca”. No país do futebol, esses episódios têm data e hora marcada: de quatro em quatro anos no momento em que a seleção brasileira entra em campo para disputar a Copa do Mundo. Porém, nem sempre esse impacto na circulação é inofensivo e, especialmente em pessoas que já vivem com problemas cardiovasculares, pode ser grave. É o que pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) observaram após avaliar registros de infarto agudo do miocárdio (IAM) durante as Copas do Mundo. Com base nos dados dos Sistemas de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), gerenciados pelo Ministério da Saúde, eles constataram um aumento de 4% a 8% nos infartos durante as disputas da Seleção Brasileira. Para chegar a essa conclusão, eles analisaram os registros no período de maio a agosto, de 1998 a 2010, comparando a incidência durante os jogos e em períodos de normalidade, entre pessoas com mais de 35 anos. No estudo, publicado na revista científica Arquivos Brasileiros de Cardiologia, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), eles não constataram alterações significativas na mortalidade, apenas o leve aumento nos episódios. Os pesquisadores não analisaram o perfil dos acometidos, mas consideram que a probabilidade maior é que os indivíduos de maior risco são aqueles que já tinham problemas prévios de saúde, que tornam a saúde do coração mais frágil. O infarto é causado pela interrupção do fluxo sanguíneo que irriga o coração, e consequentemente da oxigenação do órgão, de forma súbita e intensa. Quando o coração já está vulnerável devido a problemas adjacentes, como hipertensão arterial, obesidade, colesterol alto, diabetes, histórico de doenças cardíacas na família ou sedentarismo, há um maior risco do desenvolvimento do problema. Geralmente, o infarto é consequência da formação de um coágulo ou de uma placa de gordura que interrompe a circulação sanguínea. Porém, segundo informações do Hcor, em cerca de 15% dos casos ele pode ser causado por situações de estresse repentino, como durante um jogo importante da Copa do Mundo. Nesses momentos, o corpo libera hormônios como a adrenalina e a noradrenalina que reduzem o calibre dos vasos sanguíneos e os espasmos das artéria coronárias e aumentam a pressão arterial e a frequência cardíaca. Isso pode levar ao fechamento de uma de uma artéria coronária, levando ao infarto. No estudo da USP, os autores escrevem que “os eventos esportivos estão associados ao aumento de incidência de eventos cardiovasculares, provavelmente de maneira similar a outros gatilhos emocionais”. Um outro estudo, publicado na revista científica The New England Journal of Medicine, em 2018, encontrou uma incidência de emergências cardíacas em média 2,66 vezes maior entre torcedores alemães durante as partidas do país na Copa do Mundo de 2006. Houve mais episódios de infarto, angina e arritmia.
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