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"textContent": "\nEla está por toda parte: a chamada “remada viking” extrapolou os jogos da Noruega na Copa do Mundo 2026, viralizou nas redes sociais e se tornou a maior sensação do torneio até aqui. Protagonizado pelos torcedores em estádios e pontos turísticos dos Estados Unidos, o fenômeno virou uma febre de dar inveja em qualquer outra seleção. No país nórdico, por exemplo, o movimento já foi reproduzido em creches, num asilo e até no Congresso. Em Nova York, a Times Square foi tomada, bem como um barco que cruzava o Rio Hudson. Não parou por aí: a Praia do Leme, no Rio de Janeiro, também reuniu “remadores” convocados pelo Consulado da Noruega, na semana passada. Antes de chegar tão longe, a façanha surgiu primeiro na cabeça de um torcedor norueguês que, observando as classificatórias da Copa no ano passado, viu na “remada” uma forma de ajudar a campanha da seleção no mundial. Ole Frøystad é professor de Ensino Fundamental em Oslo, a capital norueguesa, e passa o dia em sala de aula com crianças cuja idade varia entre nove e dez anos. Natural de Leinøya, uma pequena ilha na costa oeste da Noruega, Ole já sonhou em ser jogador de futebol. Por isso, nas horas vagas da escola, ele contribuí com a Oljeberget, a organizada que acompanha a seleção em excursão pelos EUA: o grupo já passou por Boston e Nova York, chegando hoje a Arlington, no Texas, para a partida contra a Costa do Marfim. FIESTA: Presidente decreta feriado no Paraguai após classificação histórica sobre a Alemanha na Copa do Mundo OBRA DE ARTE: Web se encanta com foto de Rayan após classificação do Brasil na Copa e compara com Pelé: 'Aura de 1970' Na torcida, Ole fica responsável pelos cânticos. O mais famoso deles, claro, é o “Ro! Ro!” — “row”, na tradução para o inglês que tem se espalhado pelo mundo, e “remar” em português. A ideia de repetir a expressão com a torcida imitando os vikings em seus barcos, em referência à identidade norueguesa, surgiu durante uma partida do Rosenborg, time de futebol daquele país, conforme Ole contou em entrevista exclusiva ao GLOBO. — A ideia começou há muitos anos, quando eu ouvi os torcedores cantando no estádio e dividindo o nome do clube em três sílabas (Ro-sen-borg). A primeira, “Ro”, era um som que eu amei pelo impacto e a pressão que fazia no estádio — relembra Ole, completando: — Quando estávamos perto de nos classificar para a Copa, ano passado, eu percebi que a Noruega precisava de um canto legal. Algo cultural, mostrando de onde somos. Levei a ideia para desenvolver com a Oljeberget na sequência. Desejo de ‘revolucionar’ O resultado final não surgiu de primeira, conforme lembra Ole, embora já fosse, lá atrás, criar um “efeito massivo” a partir do novo cântico. Ole e a Oljeberget decidiram que precisvam de duas batidas para embalar a torcida de maneira simples e objetiva. Com o celular em mãos, o professor gravou a si mesmo diversas vezes ensaiando possíveis versos, até chegar no “Ro!” que se popularizou nas redes sociais. O sucesso, segundo Ole, só foi possível graças ao apoio da federação norueguesa de futebol. Além da versão que ficou conhecida nas partidas, a criação foi gravada como a música “Vikingblod” pela Warner Music da Noruega, em uma parceria entre Ole e o artista local Katastrofe, um dos mais conhecidos na cena do pop e do rap por lá. Junto ao cântico, a canção inclui versos como “Primeiro nós tomamos a Europa, agora vamos tomar os EUA” e “Nós somos a Noruega, sabemos que não somos os maiores, mas Odin (figura da mitologia nórdica) sabia que nós estávamos aqui primeiro (…)”. Há uma semana, a faixa se tornou a mais ouvida via streaming na Noruega. Ela segue na liderança até agora, com mais de 3,3 milhões de reproduções. Initial plugin text — Eu queria revolucionar com um cântico para a Noruega na Copa, mas eu não tinha ideia de que seria tão grande. Ele se tornou tão massivo por causa dos torcedores da Noruega. Alcançou um público amplo, o que significa ver pessoas de diferentes nações sentadas, remando juntas e se divertindo. Ele está criando unidade, alegria e felicidade. É mais do que eu poderia ter sonhado. Fico agradecido por reunir as pessoas de uma forma tão bonita — afirma Ole, sempre vestido com o chapéu viking dourado. Junto da campanha da seleção da Noruega, a trajetória de Ole também tem sido impactada pelo sucesso da “remada viking”. A conta oficial dele no Instagram, chamada de “Senhor Row Row” (em referência ao cântico), cresceu exponencialmente até ultrapassar a marca de 70,5 mil seguidores. Brasileiros, aliás, estão entre os novos fãs e podem ser vistos deixando comentários de incentivo. Enquanto viaja para cada cidade-sede onde a seleção norueguesa está jogando, ele também participa de alguns dos maiores programas da TV americana, incluindo o matutino “Good Morning America” e o “The View”, atração feminina de debates — ambos da gigante ABC. Conselhos para o Brasil Questionado sobre como outras torcidas, como a do Brasil, poderiam se inspirar no êxito da Noruega, Ole ressalta a importância da conexão entre o cântico e a identidade de cada país. Ainda sobre o caso brasileiro, ele brinca com a possibilidade de uma disputa entre a sua seleção e a brasileira no próximo sábado, a depender do desempenho nórdico hoje à tarde: — Façam algo que a maioria de vocês esteja orgulhoso e que seja parte da sua cultura e traga paixão. Precisa ser simples e fácil para que tantas pessoas se juntam e se divirtam — orienta Ole, antes de um último conselho: — Vocês não devem esperar ganhar se estiverem jogando contra a Noruega.",
"title": "‘Viking’ revela os bastidores da ‘remada’ que projetou a Noruega na Copa"
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