Terremotos na Venezuela: esperança de encontrar sobreviventes diminui, enquanto cresce revolta com resposta do governo
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June 29, 2026
A esperança de encontrar sobreviventes diminui nesta segunda-feira na Venezuela, onde aumenta a frustração da população com a resposta do governo aos dois terremotos que deixaram pelo menos 1.450 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos. Passadas mais de 72 horas desde os tremores, especialistas avaliam que as operações de resgate tendem a se concentrar na recuperação de corpos, embora as buscas continuem. Contexto: Terremotos na Venezuela impõem primeiro grande desafio a Delcy e à nova relação entre Caracas e EUA Missão humanitária: FAB resgata 13 brasileiros retidos na Venezuela após terremotos La Guaira, a cerca de 40 quilômetros de Caracas e a região mais atingida pela tragédia, apresenta um cenário de destruição. Fileiras de edifícios desabaram e se transformaram em montanhas de areia e escombros. Imagens de drone registradas pela AFPTV mostram colunas de fumaça saindo dos destroços enquanto bairros inteiros foram reduzidos a pó. Terremotos na Venezuela: esperança de encontrar sobreviventes diminui, enquanto cresce revolta com resposta do governo aos terremotos AFP Os terremotos ocorreram na quarta-feira, às 18h06 no horário local, com magnitudes de 7,2 e 7,5 e intervalo de apenas alguns segundos entre eles. Quase 800 edifícios desabaram, dos quais 189 sofreram colapso total, em um país que já enfrenta uma profunda crise política e econômica. Mesmo com o encerramento da chamada janela crítica de 72 horas para localizar pessoas com vida sob os escombros, equipes de resgate de 24 países continuam atuando na região, com apoio de helicópteros e aeronaves americanas Osprey V-22. No domingo, um homem e seu filho adolescente foram retirados com vida dos escombros em La Guaira, em um dos poucos resgates registrados nos últimos dias. Moradores relatam abandono Enquanto as buscas prosseguem, moradores afirmam que a ajuda oficial tem sido insuficiente. — Todos dizem que já não há mais ninguém, mas nós continuamos esperando aqui. Vamos ver se ainda é possível tirar mais alguém — disse Eduardo Cardozo, trabalhador rural que se voluntariou para atuar nas operações de resgate em Tucacas, no litoral, a cerca de 200 quilômetros a leste de Caracas. Luis Salas, de 27 anos, também atua como voluntário e descreveu a dificuldade enfrentada pelas equipes. — O mais difícil era quando sentíamos esperança nos túneis por onde entrávamos, rastejando, retirando escombros, fazendo um trabalho de coração, com muita fé, e quando chegávamos até as pessoas, as encontrávamos sem vida — afirmou. Moradores de La Guaira relatam que têm contado principalmente com a ajuda de vizinhos e voluntários. — Somos nós mesmos que fazemos tudo. Somos nós mesmos que nos ajudamos, confiando que Deus nos sustentou — afirmou Dayana Lean, de 51 anos. Yelit Contreras, de 28 anos, disse que faltam locais para acolher as famílias desalojadas. — Há poucos espaços preparados para servir de abrigo, por causa da quantidade de pessoas que ficaram sem casa. Famílias aguardam retirada de corpos Entre os moradores que ainda esperam por respostas está Héctor Aguilera, de 60 anos. Quatro familiares dele ficaram soterrados sob um edifício que desabou. Até agora, a família conseguiu recuperar os corpos de duas vítimas. — Não temos apoio para retirar nossos familiares, nós mesmos não conseguimos. Sabemos que eles estão mortos, mas estamos aqui esperando uma resposta das autoridades. Não temos esperança. O que me resta são as lembranças — disse. O balanço oficial mais recente aponta 1.450 mortos, 3.150 feridos e um aumento de 20 vítimas em relação ao levantamento divulgado no sábado. O governo não informa o número de desaparecidos, enquanto as Nações Unidas estimam que mais de 50 mil pessoas ainda não tenham sido localizadas. Controle de acesso e denúncias de saques La Guaira já havia sido devastada em 1999 por chuvas e deslizamentos de terra que deixaram mais de 10 mil mortos. Agora, imagens aéreas mostram novos edifícios reduzidos a escombros e construções que permaneceram de pé, mas ficaram rachadas e sem condições de uso. Segundo o presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, 189 edifícios sofreram colapso total e 774 imóveis foram afetados pelos terremotos. A ONU estima que a tragédia possa atingir quase sete milhões de pessoas e provocar prejuízos materiais de US$ 6,7 bilhões, o equivalente a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela. O governo militarizou La Guaira e passou a exigir um salvo-conduto para que equipes de resgate, médicos e voluntários tenham acesso à área atingida. — Uma autorização para salvar vidas, imagine só — criticou o socorrista Carlos Itriago, de 27 anos. As autoridades também restringiram a circulação da imprensa internacional, transportando jornalistas em ônibus para áreas previamente definidas. Segundo o governo, a medida busca evitar epidemias. Apesar da chegada de ajuda humanitária internacional, moradores relatam aumento de saques a farmácias, supermercados e outros estabelecimentos comerciais. O aeroporto internacional que atende Caracas reabriu parcialmente no sábado e passou a receber voos com suprimentos enviados pelos Estados Unidos. As Forças Armadas americanas também mobilizaram aeronaves e helicópteros para apoiar as operações de resgate e distribuíram ajuda humanitária no porto de La Guaira, informou o Comando Sul. A líder da oposição, María Corina Machado, afirmou no domingo, em entrevista à emissora americana Fox, que retornará à Venezuela "muito em breve". — Chegou a hora. É meu dever estar ao lado do meu povo — declarou.
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