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    "O Globo",
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  "textContent": "\nEnquanto o discurso sobre o chamado \"corpo real\" ganha espaço nas redes sociais e na publicidade, a celulite continua movimentando uma indústria global em expansão. O contraste entre esses dois movimentos ajuda a contextualizar uma nova fase do mercado da estética: a valorização da aceitação corporal convive com a procura por tratamentos, cada vez mais voltados a protocolos médicos, segurança e resultados individualizados. Celulite não é falta de treino: por que até mulheres fitness podem ter marcas na pele Saiba: Celulite incomoda mais na foto do que no espelho, e isso tem explicação Celulite pode ser hereditária? Entenda a relação com a genética Relatórios internacionais projetam crescimento consistente para o mercado global de tratamentos para celulite nos próximos anos. As estimativas indicam que o setor pode superar US$ 3 bilhões até 2030 e ultrapassar US$ 6 bilhões na década seguinte. Embora os levantamentos apresentem metodologias e projeções diferentes, todos apontam na mesma direção. A celulite permanece entre as categorias mais relevantes da indústria da estética, mesmo em um contexto de maior valorização da diversidade corporal. Na avaliação da médica e empresária Nívea Bordin Chacur, CEO da GoldIncision, esse cenário mostra que a aceitação do próprio corpo não eliminou o interesse por procedimentos estéticos, mas transformou a forma como eles são buscados. \"Existe uma diferença entre aceitar o próprio corpo e deixar de querer melhorar algo que incomoda. O que vemos hoje é uma paciente mais informada, que não quer promessas milagrosas, mas também não quer ser julgada por buscar tratamento. A estética amadureceu quando passou a falar menos de perfeição e mais de método, segurança e expectativa realista\", afirma. Parte dessa tensão também é alimentada pelas redes sociais. Ao mesmo tempo em que ampliaram o debate sobre body positivity, elas continuam difundindo filtros, imagens editadas, poses e referências estéticas. Nesse ambiente, mensagens de aceitação corporal coexistem com padrões de beleza amplamente disseminados. Esse cenário também ajuda a explicar a expansão de um mercado que busca se internacionalizar, impulsionado pela demanda crescente por tratamentos estéticos. Entre os exemplos desse movimento está a GoldIncision, protocolo desenvolvido no Brasil para o tratamento da celulite. Segundo a empresa, a técnica está presente em 10 países e já foi aplicada em mais de 6 mil pacientes. A metodologia também recebeu reconhecimento no AMWC Awards, em Mônaco, com o prêmio de Melhor Tratamento Corporal Não Cirúrgico nas edições de 2023 e 2026. Para especialistas do setor, o avanço desse segmento mostra uma mudança na forma como os procedimentos estéticos são oferecidos. Além dos tratamentos em si, ganham importância fatores como padronização, formação médica, protocolos estruturados e produção de evidências, especialmente em condições complexas e multifatoriais, como a celulite. Criador da GoldIncision, o médico Roberto Chacur afirma que o crescimento da procura também amplia a responsabilidade dos profissionais na forma de comunicar e tratar a condição. \"A celulite ainda é abordada de maneira superficial, como se fosse apenas gordura, falta de treino ou descuido com o corpo. Na prática, envolve alterações estruturais da pele, septos fibrosos, circulação, fatores hormonais e características individuais. Quando um mercado cresce, cresce também a necessidade de diferenciar tratamentos baseados em evidências de promessas fáceis\", explica. Segundo Nívea, a expansão desse mercado também acompanha mudanças no perfil das pacientes. A decisão de recorrer a tratamentos estéticos, afirma, passou a estar mais relacionada à informação e à autonomia do que à tentativa de atender a padrões externos. \"O discurso de corpo real não acabou com a estética porque uma coisa não exclui a outra. A mulher pode aceitar o próprio corpo e, ainda assim, decidir tratar uma característica que a incomoda. O importante é que essa escolha seja respeitada, bem orientada e conduzida com responsabilidade\", diz. Ashley Graham simboliza a contradição que move a estética atual: aceitar o corpo não eliminou o desejo por cuidar dele Reprodução @ashleygraham Mais do que um aparente paradoxo entre aceitação corporal e procedimentos estéticos, o crescimento do mercado de tratamentos para celulite revela transformações na própria indústria da estética. A combinação entre demanda contínua, avanços tecnológicos e consumidores mais atentos à segurança e às evidências científicas vem redesenhando o setor. Para Chacur, esse movimento exige menos promessas absolutas e mais precisão médica. \"A era do corpo real não eliminou a busca por tratamento. Ela apenas mostrou que o paciente quer compreender sua condição, conhecer os limites de cada abordagem e tomar decisões mais conscientes\", conclui.",
  "title": "Celulite: o que explica a alta na procura por tratamentos"
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