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"textContent": "\n\"Meu marido e eu chegamos ao ponto de bloquear as ligações da nossa filha. Quando sente que foi \"injustiçada\", ela se torna agressiva, faz acusações e envia ligações e mensagens ofensivas para nós e para outros membros da família. Saiba mais: É melhor usar uma garrafa de metal, plástico ou vidro para beber água diariamente? Câncer de pele: Conheça 5 sinais que você nunca deve ignorar Temos, respectivamente, mais de 70 e 80 anos, e esse comportamento é muito doloroso e difícil de entender. Não adianta tentar conversar nesses momentos, porque ela está convencida de que tem razão. Não sabemos mais o que fazer, além de impedir que ela entre em contato conosco. Ela mora em outro estado. Embora nossa família saiba desses episódios, ninguém intervém para nos defender. Deveríamos perguntar por que eles não fazem isso? E faz sentido nos sentirmos magoados por essa postura?\" Resposta da terapeuta*: As interações com sua filha parecem extremamente desgastantes, e sinto muito que sua família esteja enfrentando essa dificuldade para se comunicar. Você diz que não sabe mais o que fazer além de bloquear o contato dela, mas o que mais chamou minha atenção foi outra questão da sua carta: por que o restante da família não a defende? A curiosidade pode ser útil em uma situação como essa, mas talvez devesse ser direcionada para outro lugar. Em vez de perguntar por que seus familiares não intervêm, pergunte-se por que sua filha está sofrendo tanto. Por mais dolorosos que sejam seus desabafos, ela está tentando comunicar algo — não apenas por meio das palavras, mas também do comportamento. Em geral, as pessoas só chegam a esse nível de explosão depois de tentarem, repetidas vezes, ser ouvidas sem sucesso. Talvez a pergunta mais importante seja: por que sua filha sente que não está sendo ouvida? Sua própria carta oferece uma pista. Ao mesmo tempo em que diz que o comportamento dela é incompreensível, você afirma que não vale a pena conversar porque ela está convencida de que tem razão. Imagino que as conversas entre vocês tenham seguido um padrão durante muito tempo: sua filha conta que se sentiu magoada por alguma atitude de vocês. Vocês enxergam a situação de outra forma e minimizam o que ela sente — por exemplo, ao colocar a palavra \"injustiçada\" entre aspas. Ela se sente desconsiderada e insiste ainda mais em sua queixa. Vocês também insistem na própria versão dos fatos, acreditando que ela exagera. Ela fica mais irritada; vocês, mais frustrados. No fim, ela se sente invisível, vocês se sentem injustamente acusados e todos saem machucados. Agora imagine uma conversa diferente. Sua filha explica por que se sentiu ferida, mas faz isso de forma mais tranquila porque acredita que será ouvida. Talvez vocês pensem: \"Eu não vivi essa situação dessa maneira\" ou \"Não me lembro de que tenha acontecido assim\". Ainda assim, em vez de rebater imediatamente, fazem uma pausa e perguntam: \"Conte mais.\" Essas duas palavras podem mudar completamente uma conversa. Elas demonstram interesse, abertura e disposição para compreender o outro. Não significam concordar com tudo o que está sendo dito, negar seus próprios sentimentos ou aceitar automaticamente a versão apresentada. Significam apenas oferecer espaço para ouvir. Se vocês conseguirem deixar de lado a necessidade de decidir quem está certo ou errado e evitarem interpretar as críticas da filha como um julgamento definitivo sobre a forma como a criaram, talvez consigam entender melhor a origem da dor dela — e ela, por sua vez, talvez sinta menos necessidade de reagir com tanta raiva. Pais costumam se concentrar na intenção: \"Fizemos o possível para sermos bons pais\". Já os filhos tendem a se concentrar no impacto: \"Foi assim que eu vivi essa experiência\". As duas perspectivas podem coexistir. O curioso é que vocês e sua filha têm algo em comum: ambos querem que sua dor seja reconhecida, mas estão buscando isso de maneiras que acabam piorando o conflito. Quando sua filha envolve o restante da família, parece dizer: \"Meus pais estão me machucando e não consigo fazer com que me escutem. Talvez vocês consigam\". Da mesma forma, quando vocês esperam que outros parentes a defendam, a mensagem é parecida: \"Nossa filha está nos machucando e não conseguimos conversar com ela. Talvez vocês consigam.\" Talvez a família não intervenha porque consegue enxergar os dois lados da história, porque teme aumentar ainda mais o conflito ou simplesmente porque acredita que essa é uma questão que deve ser resolvida entre vocês. Perceber esse paralelo pode ajudar a despertar mais empatia e abrir espaço para uma abordagem diferente. Diante do nível atual de tensão, talvez seja útil fazer algumas sessões de terapia familiar — mesmo que de forma on-line, já que vocês vivem em cidades diferentes. O objetivo não seria \"consertar\" sua filha, mas criar um ambiente mais seguro para que todos consigam conversar de outra maneira. A forma como esse convite é feito faz diferença. Em vez de dizer: \"Só conseguimos lidar com você se houver um terapeuta\", vocês poderiam dizer: \"Queremos ouvir melhor o que você tem a dizer e percebemos que não estamos conseguindo fazer isso sozinhos. Você aceitaria fazer terapia conosco para nos ajudar a conversar?\" É claro que ela pode recusar. Pode continuar magoada e manter a forma agressiva de se comunicar. Nesse caso, vocês ainda podem estabelecer limites. Esses limites, porém, funcionam melhor quando vêm acompanhados de curiosidade genuína, e não de rejeição. Vocês podem dizer algo como: \"Queremos ouvir o que você tem a dizer, mas precisamos que nossas conversas sigam algumas regras: falar com respeito, fazer pedidos em vez de exigências e lembrar que podemos nos amar mesmo enxergando os fatos de formas diferentes. Se a conversa sair desse caminho, vamos encerrá-la naquele momento e retomá-la quando todos estiverem prontos para conversar melhor.\" Se outros familiares também decidirem estabelecer seus próprios limites — por exemplo, dizendo que preferem não ser envolvidos nas discussões — isso pode ajudar, mas essa decisão cabe a eles. Mais importante do que buscar que alguém os defenda é tentar compreender o que sua filha vem tentando comunicar há tanto tempo. Ao combinar limites claros com disposição para entender a dor de alguém que vocês amam, talvez seja possível descobrir uma nova forma de se ouvir, sem envolver o restante da família no conflito. *Lori Gottlieb é psicoterapeuta e autora de um best-seller de memórias sobre seu trabalho na clínica. Oferece aos leitores do New York Times conselhos sobre as questões difíceis da vida.",
"title": "'Cortamos contato com nossa filha tóxica. Por que a família não nos apoia?' Terapeuta analisa"
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