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Especialistas cobram que Rio deixe de ignorar a Cultura como um de seus maiores ativos

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo June 27, 2026
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Apesar de o Rio de Janeiro possuir um dos maiores patrimônios culturais do país, a cultura continua sendo tratada como uma política pública secundária no estado, na visão de especialistas que participaram do último debate temático do RioAgora.org. O encontro, realizado neste sábado, reuniu gestores públicos, produtores culturais, pesquisadores e economistas para formular propostas concretas voltadas ao próximo ciclo de governo estadual. O caderno de proposições, com sugestões para o desenvolvimento do Rio, será entregue aos candidatos nas próximas eleições. Seropédica: surto de tuberculose em macacos fecha o único centro de atendimento do Ibama a animais silvestres feridos no Rio Acidente fatal em Botafogo: especialistas criticam prefeitura do Rio por não agir rápido quando via importante para tráfego é bloqueada A ex-secretária de Estado de Cultura Adriana Rattes explica que, na sua visão, o problema do setor no Rio não é a ausência de ideias, e sim a ausência de prioridade política. Ela lembrou que o Estado já produziu planos, estudos e diagnósticos mais do que suficientes para orientar políticas públicas robustas — mas que essas iniciativas raramente sobrevivem às trocas de governo. Um dos exemplos que ela usou foi o Plano Estadual de Cultura, transformado em lei em 2015 após amplo processo de participação social. Adriana defendeu que o próximo governo assuma a cultura como prioridade explícita, com recursos permanentes para fortalecer o setor, ampliar a infraestrutura, preservar o patrimônio histórico e integrar as políticas de cultura, educação, turismo, ciência, tecnologia e desenvolvimento econômico. — O Estado precisa assumir a vanguarda dessa discussão. Primeiro vem a decisão política. Depois vêm os recursos. Temos patrimônio, universidades, profissionais qualificados e uma potência criativa reconhecida internacionalmente. Falta transformar isso em projeto de Estado — disse ela. Para Ricardo Piquet, diretor-geral do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), o maior obstáculo da cultura é político. Ele conta que o setor já gera riqueza, movimenta cadeias produtivas e emprega milhares de pessoas no estado — mas até agora não conseguiu traduzir esse peso econômico em força orçamentária. Ele propõe a criação de centros de referência cultural em todos os municípios fluminenses — espaços permanentes dedicados à preservação da memória e da identidade local, como forma de enraizar o valor do patrimônio junto à sociedade e, consequentemente, ao poder público. — A cultura faz barulho, mobiliza multidões, mas esse movimento não chega ao orçamento. Nós falamos de cultura para quem já é da cultura. Precisamos convencer quem decide o orçamento — disse Piquet. Oruam: Defesa afirma que cantor está com quadro de tuberculose e perdeu 5kg no último mês Compositor e produtor cultural, Marquinhos de Oswaldo Cruz levou ao debate uma perspectiva que a gestão pública frequentemente ignora: a de quem constrói cultura a partir dos territórios. Criador do Trem do Samba e da Feira das Yabás, ele mostrou como iniciativas nascidas da periferia podem gerar desenvolvimento econômico real — desde que haja suporte institucional. Segundo Marquinhos, cada real investido no Trem do Samba gera aproximadamente R$ 1,70 em retorno tributário, além de movimentar milhares de empregos temporários e atividades econômicas nos bairros do entorno. A coordenadora da área de Cultura do Instituto Futuros, Luciana Adão, ampliou o debate para o plano estrutural: a legislação, os mecanismos de financiamento e a estrutura institucional do setor cultural no Brasil ainda estão em descompasso com a realidade da economia criativa contemporânea. Ela destacou, por exemplo, que a economia da cultura já representa parcela significativa do PIB brasileiro, com peso ainda maior no Estado e no município do Rio de Janeiro, mas que a reforma tributária em curso no país exigirá soluções novas para garantir fluxo permanente de recursos ao setor. Entre as propostas que Luciana defendeu estão a criação de fundos permanentes protegidos por lei, programas de formação para gestores culturais e iniciativas de fortalecimento para os empreendedores da economia criativa. Initial plugin text

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