{
"$type": "site.standard.document",
"bskyPostRef": {
"cid": "bafyreieyclafrjq5gvodwhyeobwynvmd3gkeumyw4lnnpw7ay7nd6w6n34",
"uri": "at://did:plc:jyxhsywpmmdp5j2fxziceuc7/app.bsky.feed.post/3mpcbjxyxojo2"
},
"coverImage": {
"$type": "blob",
"ref": {
"$link": "bafkreie2367kafng4woz4n4cf2uzrkn7qtme5nhbvlcy2zg4v5p6m646hi"
},
"mimeType": "image/jpeg",
"size": 1094101
},
"path": "/economia/financas/noticia/2026/06/27/agencia-americana-investiga-polymarket-plataforma-de-previsoes-ligada-a-filho-de-trump.ghtml",
"publishedAt": "2026-06-27T18:43:59.000Z",
"site": "https://oglobo.globo.com",
"tags": [
"O Globo"
],
"textContent": "\nA agência reguladora do mercado de derivativos nos EUA iniciou uma investigação sobre a Polymarket, uma das plataformas que dominam os chamados “mercados preditivos”, ao lado da Kalshi, da brasileira Luana Lopes Lara. A Polymarket, que chegou a ter a atuação proibida no mercado americano, tem ligações com Donald Trump Jr., filho do presidente dos EUA. Casas de apostas: CazéTV será investigada pela Senacon por propaganda de bets durante transmissão da Copa Regulação: Governo proíbe apostas esportivas e políticas em mercado preditivo e freia setor no país A investigação é um teste para saber se a CFTC, o órgão regulador dos mercados de derivativos nos EUA — no Brasil, essa função cabe à CVM, que regula o mercado financeiro —, responsabilizará uma empresa com conexões na Casa Branca. Há um ano, sob forte oposição de seus advogados de fiscalização e sob uma direção diferente, a CFTC encerrou outra investigação sobre se a Polymarket estaria atendendo ilegalmente clientes americanos. Que nem cigarro: Durigan quer advertência para bets Duas pessoas familiarizadas com a nova investigação, que falaram sob condição de anonimato, disseram que ela começou no início deste ano e tem escopo amplo. Um porta-voz da Polymarket se recusou a comentar a investigação, mas afirmou que a empresa está “comprometida em manter mercados precisos, justos e transparentes”. Pressão por fiscalização A revelação da investigação ocorre no momento em que Michael S. Selig, que tomou posse como presidente da CFTC em dezembro passado, enfrenta crescente pressão para demonstrar que a agência é capaz de fiscalizar o explosivo mercado de previsões. Parlamentares republicanos e democratas têm questionado Selig sobre se esses mercados se tornaram polos de uso de informação privilegiada e uma forma de obtenção de ganhos ilícitos. É bet ou não é? Copa pode gerar até US$ 10 bi em apostas no mercado de previsões, mas cerco regulatório a essas plataformas cresce no mundo Vivendo um boom desde as eleições presidenciais americanas de 2024, o mercado preditivo junta o mundo das apostas eletrônicas com o da especulação de cenários do setor financeiro. A base está nos chamados “contratos de eventos”. A partir de um cenário futuro, os títulos se estruturam perguntando, de forma binária, se um fato vai ocorrer ou não. A negociação entre os investidores e seus palpites forma o preço, que indica a probabilidade de a hipótese se confirmar. Segundo a consultoria Eilers & Krejcik Gaming tem potencial de movimentar US$ 1 trilhão por ano nos EUA até o fim da década. Neste ano, têm surgido cada vez mais iniciativas e oportunidades de investimento relacionadas ao Brasil nessas plataformas, como mostrou O GLOBO. Selig prometeu que a CFTC perseguirá abusos nas plataformas, que atualmente movimentam bilhões de dólares em apostas por mês. Até agora, porém, apenas apostadores individuais foram acusados de irregularidades. Em vez disso, a CFTC fez esforços no ano passado para atender a solicitações e pedidos apresentados pela Polymarket e por outras duas grandes empresas de mercados de previsão com vínculos com o império empresarial da família Trump. Em maio, o presidente afirmou que era fundamental que os mercados de previsão prosperassem. Série de investigações A mais recente investigação da CFTC, noticiada inicialmente pelo jornal de negócios The Wall Street Journal, é a terceira envolvendo a Polymarket nos últimos anos. Em 2022, a agência aplicou uma multa de US$ 1,4 milhão à empresa por operar nos Estados Unidos sem licença. O acordo proibiu a companhia de aceitar clientes americanos. No último ano do governo do democrata Joe Biden, a agência iniciou uma investigação para apurar se a Polymarket estava violando essa proibição. O Departamento de Justiça também abriu uma investigação criminal. Em uma operação realizada em novembro de 2024, agentes do FBI apreenderam os dispositivos eletrônicos de Shayne Coplan, fundador e diretor-executivo da empresa. Reviravolta no órgão regulador A CFTC começou a recuar em sua investigação logo após a posse de Trump, no início de 2025, e a nomeação de Caroline D. Pham como presidente interina da agência, segundo várias pessoas familiarizadas com o assunto que falaram sob condição de anonimato. Como parte de uma campanha de Pham para restringir as atividades de fiscalização da agência, advogados de defesa de empresas investigadas foram convidados a tentar convencer a CFTC a arquivar as investigações ou negociar acordos. Os advogados da divisão de fiscalização da agência concluíram que a investigação contra a Polymarket deveria prosseguir, disseram as fontes. Ainda assim, segundo elas, Pham emitiu uma diretriz proibindo a divisão de buscar mais provas por meio da emissão de novas intimações. Em seguida, ela encerrou a investigação. Pham não respondeu a um pedido de comentário. Em julho do ano passado, a Polymarket anunciou que a CFTC e o Departamento de Justiça haviam encerrado suas investigações. Isso ajudou a abrir caminho para que a Polymarket, por meio de uma subsidiária, lançasse uma plataforma nos EUA. Proximidade da família Trump Em agosto do ano passado, a Polymarket anunciou ter recebido aporte financeiro da 1789 Capital, uma empresa de investimentos parcialmente controlada por Donald Trump Jr., que passou a atuar como conselheiro não remunerado. Donald Trump Jr., em evento de campanha nas eleições de 2024: Polymarket recebeu investimento de empresas de participações parcialmente controlada pelo filho do presidente americano KAMIL KRZACZYNSKI/AFP Um porta-voz do filho mais velho do presidente americano afirmou que ele não tem envolvimento nas relações da Polymarket com os órgãos reguladores federais. Ainda no ano passado, o gabinete de Pham interveio para garantir que a agência analisasse um pedido da Polymarket para ampliar as modalidades de apostas que poderia aceitar. Dois altos funcionários que levantaram questionamentos sobre esse pedido foram posteriormente afastados administrativamente e submetidos a investigações internas por motivos descritos apenas em termos vagos. Embora a Polymarket tenha autorização da CFTC para operar nos EUA, sua nova plataforma oferece muito menos opções de apostas do que seu site internacional, que continua proibido de atender clientes americanos. A Polymarket informa a seus clientes que proíbe o uso de redes privadas virtuais (VPNs), ferramentas que ocultam a localização do usuário. No entanto, continuam surgindo evidências de que clientes da Polymarket utilizam esses recursos. O problema da informação privilegiada Também persistem dúvidas sobre os mecanismos da empresa para prevenir o uso de informações privilegiadas, um dos principais questionamentos sobre os mercados preditivos — como os contratos de eventos tratam sobre praticamente qualquer coisa, aumenta o leque de situações de investimentos que envolvem pessoas diretamente relacionadas, ou próximas a elas. Em abril, promotores federais acusaram um integrante das Forças Especiais dos EUA de utilizar informações confidenciais para obter mais de US$ 400 mil em apostas relacionadas a uma operação ultrassecreta para capturar Nicolás Maduro, presidente da Venezuela. Segundo a denúncia, o militar utilizou uma VPN para fazer as apostas. Em maio, um engenheiro de software do Google foi acusado de usar ilegalmente informações confidenciais para obter quase US$ 1,2 milhão em apostas realizadas na Polymarket. Em comunicado divulgado na sexta-feira, a empresa afirmou que proíbe rigorosamente o uso de informações privilegiadas e que já realizou quase 100 comunicações às autoridades policiais.",
"title": "Agência americana investiga Polymarket, plataforma de previsões ligada a filho de Trump"
}