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"publishedAt": "2026-06-26T05:00:39.000Z",
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"textContent": "\nClaudia Raia participou recentemente do painel \"Menopausa Sem Tabu: Novas Narrativas Sobre Corpo e Saúde\", no Iguatemi Talks, e chamou atenção ao relatar uma experiência ainda pouco discutida sobre a menopausa: a síndrome musculoesquelética, condição associada a dores em músculos, ossos e articulações e frequentemente confundida com outras doenças. Menopausa, hormônios e longevidade: por que o tema ganhou novo espaço entre mulheres Menopausa: Efeitos na pele ainda são desconhecidos por metade das mulheres, revela pesquisa A atriz contou que demorou a relacionar os sintomas à fase do climatério e demonstrou surpresa ao receber o diagnóstico. \"O que que é isso que eu estou sentindo? Nunca soube na minha vida que era um sintoma da menopausa. Eu fiquei boba, falei: 'Meu Deus do céu, é da menopausa, e ninguém me avisou'. Então, assim, é tratado como fibromialgia, é tratado com medicamentos fortíssimos, e não passa\", disse. O relato abre espaço para uma discussão cada vez mais presente na medicina: como a queda do estrogênio impacta diferentes sistemas do organismo e pode se manifestar de formas amplas e, muitas vezes, subestimadas. Segundo o ginecologista Igor Padovesi, autor de \"Menopausa Sem Medo\" (Editora Gente), especialista certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e idealizador do projeto \"Expert em Menopausa\", o hormônio atua em diversos tecidos do corpo, o que explica a variedade de sintomas possíveis. \"O estrogênio tem função em praticamente todos os órgãos e tecidos do corpo e, a partir do momento que ele passa a faltar, vários sinais e sintomas podem aparecer nas mulheres. Existe uma variação individual, é um espectro grande de sintomas da menopausa que algumas mulheres vão ter alguns, outras vão ter outros e o grau de intensidade também pode variar\", esclarece. Ele acrescenta que músculos e articulações também são diretamente afetados pela mudança hormonal. \"Os músculos e articulações também tem receptores de estrogênio e a falta de estrogênio pode levar a sintomas nesses órgãos\", afirma. Claudia Raia expõe sintoma da menopausa e abre debate sobre dores no corpo Reprodução Instagram A ginecologista Ana Paula Fabricio, que possui Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO), reforça que o processo envolve inflamação e perda de colágeno. \"A consequência dessa queda hormonal é o aumento da inflamação e a perda do colágeno, o que também contribui para o aparecimento de sintomas de dores musculares e articulares\", diz. Já a ginecologista Patricia Magier, criadora do Método Plena, aponta o papel estrutural do estrogênio no organismo. \"O estrogênio contribui para a saúde do colágeno, do tecido conjuntivo e da capacidade de reparo de músculos e tendões, além de modular processos inflamatórios. Com a redução hormonal, algumas mulheres ficam mais predispostas a tendinopatias, rigidez articular e inflamações em estruturas periarticulares\", explica. Embora ainda pouco reconhecida fora dos consultórios, a dor articular é uma das queixas mais frequentes nesse período, podendo atingir joelhos, ombros, mãos e cotovelos. De acordo com o ortopedista e especialista em joelho e traumatologia esportiva Marcos Cortelazo, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), isso ocorre porque essas estruturas também respondem ao estrogênio. \"As articulações, assim como as cartilagens que as protegem, possuem receptores de estrogênio, hôrmonio que contribui para a manutenção da saúde dessas estruturas. Logo, conforme a produção hormonal é alterada com a menopausa, as articulações ficam mais inflamadas, o que causa dor em regiões como mãos, joelhos e ombros e favorece o surgimento de condições como a artrite e artrose\", detalha. Ele ressalta que mudanças no estilo de vida podem ajudar a aliviar os sintomas, embora não substituam acompanhamento especializado. Em casos mais avançados, a reposição hormonal pode ser indicada sob orientação médica. \"Em casos mais graves, em que a mulher já desenvolveu doenças como artrite e artrose, a consulta com o ortopedista também é importante para receber o tratamento adequado, reduzindo as dores e melhorando a qualidade de vida da paciente\", completa. Entre as manifestações possíveis, o chamado \"ombro congelado\"” também ganha destaque. Segundo Igor, a condição é frequentemente confundida com outras patologias. \"Nesse contexto, a síndrome do ombro congelado é particularmente comum, é mais frequente a ocorrência. É muito confundida com tendinite, bursite e outras questões articulares que são mais comuns, principalmente em idades mais avançadas, que muitas vezes não tem uma causa definida, e é frequente que sejam causadas pela queda do estrogênio da menopausa\", observa. A ginecologista Patricia relata que o quadro envolve dor progressiva e limitação de movimento, com impacto direto na rotina: \"O chamado 'ombro congelado' (capsulite adesiva) costuma aparecer com dor progressiva, limitação de movimento e rigidez que impacta atividades simples do dia a dia. Não é uma condição exclusiva do climatério, mas é mais frequente nessa fase, provavelmente porque a queda estrogênica altera a qualidade do tecido capsular, aumenta a tendência a processos inflamatórios e favorece um padrão de dor e restrição de movimento, sobretudo quando há sedentarismo, estresse crônico, diabetes ou disfunções metabólicas associadas.\" Claudia Raia expõe sintoma da menopausa e abre debate sobre dores no corpo Reprodução Instagram O diagnóstico costuma ser feito por exclusão e pode levar tempo. \"É difícil fazer esse diagnóstico preciso. Basicamente, o diagnóstico é confirmado quando não existe nenhuma outra causa identificada e a mulher melhora do sintoma com a reposição hormonal\", comenta Igor. As dores musculares também fazem parte do conjunto de sintomas associados ao período. \"Muitas pacientes nem desconfiam que têm relação com os hormônios. A queda do estrogênio aumenta processos inflamatórios no corpo e pode ser uma das causas das dores generalizadas\", pontua Ana Paula. Por fim, Igor reforça que hábitos saudáveis ajudam, mas não substituem o tratamento adequado quando indicado. \"Só que nada chega perto do efeito que a mulher observa quando inicia a terapia hormonal adequadamente prescrita. Então o que mais impacta de longe a qualidade de vida das mulheres é o tratamento médico correto. Todo o resto, atividade física, melhora de alimentação, aqueles princípios básicos da medicina do estilo de vida, melhorar o sono, reduzir o nível de estresse, tudo isso é importante, mas é adjuvante. O que tem de longe a maior importância e o maior impacto na sintomatologia e na qualidade de vida das mulheres é o tratamento correto, que é a terapia hormonal\", conclui.",
"title": "Claudia Raia relata sintoma da menopausa e ajuda a entender mudanças no corpo"
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