Por que escolas na Europa fecham durante o calor? França e Reino Unido suspendem aulas em mais de 1.100 unidades
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June 24, 2026
Mais de 1.100 escolas tiveram as atividades suspensas ou parcialmente interrompidas nesta semana na Europa em meio a uma onda de calor excepcional. Segundo a BBC, mais de 300 escolas na Inglaterra e no País de Gales anunciaram fechamentos totais ou parciais, enquanto a França registrou mais de 800 unidades fechadas e outras 1.800 com horários adaptados. 'Europa fritando': três idosos morrem durante pico de calor na França; escolas fecham e trens são cancelados Leia também: Onda de calor deixa quase 70 mil residências sem energia na França O calor tem atingido níveis incomuns para a região. As temperaturas chegaram a 34,6°C no sul da Inglaterra e podem alcançar 39°C nos próximos dias, com sensação térmica superior a 40°C devido à alta umidade. Diante do cenário, o Reino Unido emitiu um raro alerta vermelho de calor extremo, classificação que indica risco à vida Para o brasileiro, a suspensão das aulas pode parecer incomum. Afinal, escolas no Brasil costumam permanecer abertas mesmo durante períodos de calor intenso. A diferença está na forma como grande parte das instituições europeias foi construída. Por que as escolas fecham durante o calor? Reportagem do The New York Times mostra que muitas escolas europeias foram projetadas para enfrentar o frio, não o calor. Grande parte dos prédios é antiga, alguns datam do século XIX, e possui pouca ventilação, janelas inadequadas para dissipar o calor e quase nenhum sistema de ar-condicionado. Em Paris, uma diretora descreveu sua escola como uma “panela de pressão” após uma semana de temperaturas elevadas. Dentro do prédio, os termômetros ultrapassaram os 30°C, atividades esportivas foram canceladas e funcionários relataram dores de cabeça. Em uma sala do segundo ano, duas crianças chegaram a adormecer sobre as carteiras durante a tarde. A situação é agravada por uma característica cultural e estrutural do continente. Diferentemente de boa parte do Brasil, o ar-condicionado ainda é pouco comum em escolas europeias. Segundo o New York Times, apenas cerca de 6% das escolas italianas possuem o equipamento. Em muitos países, há resistência ao seu uso devido ao consumo de energia e aos impactos ambientais. Por isso, governos e especialistas costumam priorizar soluções como áreas sombreadas, vegetação, isolamento térmico e reformas nos edifícios. Europa fecha mais de 1.100 escolas por calor extremo; Pexels O problema, porém, tornou-se mais urgente porque as ondas de calor estão chegando mais cedo e durando mais tempo. De acordo com especialistas ouvidos pelo jornal americano e dados do serviço climático europeu Copernicus, a Europa é o continente que mais aquece no mundo. Temperaturas que antes apareciam apenas durante as férias de verão agora ocorrem em pleno período letivo, expondo alunos e professores a condições consideradas inadequadas para o aprendizado e, em alguns casos, perigosas para a saúde. Na França, uma professora de Bordeaux relatou à AFP que os estudantes enfrentaram temperaturas de 32°C dentro da sala de aula. “Todo mundo acha que é normal, mas um dia acabaremos dando aula nos corredores do supermercado em frente”, afirmou. Para especialistas, episódios como esse tendem a se tornar mais frequentes à medida que as mudanças climáticas intensificam eventos extremos no continente.
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