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Governo boliviano e sindicatos chegam a acordo após seis semanas de crise

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo June 20, 2026
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O presidente boliviano, Rodrigo Paz, chegou a um acordo nesta sexta-feira com a principal federação sindical do país, pondo fim a mais de seis semanas de bloqueios de estradas e protestos que exigiam a renúncia do presidente. A onda de protestos que tomou conta da Bolívia foi motivada pela pior crise econômica do país em quatro décadas. Colômbia: Quase cem guerrilheiros entregam armas após acordo com Gustavo Petro Com respaldo dos EUA: Governo da Venezuela e oposição se reúnem pela primeira vez — A partir de agora, as medidas de pressão estão suspensas em todo o país — anunciou Mario Argollo, líder da Central Operária Boliviana, que destacou o "compromisso do governo de cumprir imediatamente tudo o que foi assinado". Os bloqueios de estradas que causaram escassez de alimentos e medicamentos em toda a Bolívia começaram a diminuir após quase 50 dias de conflito que testaram a resiliência do presidente. O número de bloqueios de estradas caiu para cerca de 50 na manhã de segunda-feira, ante mais de 100 nos dias anteriores, segundo a Administração Rodoviária Boliviana. — O diálogo é mais forte que a força — afirmou Paz após a assinatura do acordo, que, no entanto, não abrange todos os setores do movimento de protesto. — Não sobrevivem os mais fortes, e sim os que sabem se adaptar. Os agricultores, indígenas e trabalhadores de fábricas e minas que aderiram aos protestos exigiam a renúncia do presidente. O governo Paz iniciou um diálogo com Argollo na semana passada. Grupos de trabalho reuniram-se entre líderes sindicais e ministros do governo para chegar ao acordo alcançado nesta sexta-feira. O ímpeto dos protestos começou a diminuir à medida que surgiram divisões entre os manifestantes e as consequências econômicas se fizeram sentir. As perdas ascendem a US$ 2,8 bilhões (R$ 14,29 bilhões), o equivalente a cerca de 5,5% do PIB da Bolívia, segundo a Câmara Nacional das Indústrias. Os bloqueios de estradas chegaram a mais de cem em determinado momento. Agora, foram reduzidos à metade, e o governo espera que diminuam ainda mais nas próximas horas. No entanto, os povos indígenas e os agricultores do sindicato Túpac Katari, nos Andes bolivianos, e os produtores de coca de Chapare, reduto do ex-presidente Evo Morales (2006-2019), decidiram manter a pressão. — Decidiu-se radicalizar os grupos que bloqueiam as estradas — disse o líder camponês Antonio Mallku, em entrevista ao canal Unitel. Initial plugin text Libertação dos detidos Os acordos estipulam a formação de grupos de trabalho entre ministros e líderes sindicais para estudar a libertação dos detidos, tanto durante as marchas em La Paz quanto nos bloqueios de estradas. A Defensoria Pública apurou que há mais de cem detidos. O governo Paz também se comprometeu a não privatizar empresas estatais, como exigido pelos sindicatos. O governo afirma que as manifestações foram promovidas pelo ex-presidente Morales, que defendia a redução do mandato de Paz e a realização de eleições em 90 dias. Argollo insistiu repetidamente que Morales nunca foi o líder das manifestações. Há um mandado de prisão contra Morales por tráfico de menores, crime que ele nega. Atualmente, ele está escondido na região produtora de coca de Chapare, protegido por grupos de camponeses leais.

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