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Advogados de Luigi Mangione 'admitem' pela primeira vez que ele matou CEO; entenda estratégia da defesa

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo June 18, 2026
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Os advogados de Luigi Mangione pretendem sustentar que o réu estava em estado de "extrema perturbação emocional" quando matou Brian Thompson, executivo da UnitedHealthcare, no centro de Manhattan, em 2024. A estratégia foi revelada por um juiz estadual durante uma audiência na Suprema Corte do Estado de Nova York e representa a primeira admissão tácita da defesa de que Mangione matou o executivo. Julgamento de Luigi Mangione, acusado de matar CEO nos EUA, terá início em junho Acusado de matar CEO, Luigi Mangione não será condenado à pena de morte, decreta juiz Em Nova York, caso os advogados convençam o júri de que emoções intensas provocaram uma "profunda perda de autocontrole", levando ao homicídio, a acusação mais grave pela qual o réu poderá ser condenado será homicídio culposo. Mangione, no entanto, declarou-se inocente. O juiz Gregory Carro informou que tornará públicos documentos e a transcrição de uma audiência realizada no início do mês, dedicada à estratégia da defesa baseada na saúde mental do acusado. A divulgação ocorre a menos de três meses do julgamento, previsto para setembro. Mangione responde, na Justiça estadual, a diversas acusações, entre elas homicídio em segundo grau. Paralelamente, também enfrenta acusações federais em um processo separado. Defesa muda estratégia Segundo a acusação, Brian Thompson foi morto na manhã de 4 de dezembro de 2024. Imagens de câmeras de segurança mostrariam um homem usando moletom com capuz saindo de entre carros estacionados, apontando uma pistola equipada com silenciador e atirando contra o executivo, que caminhava em direção à entrada de um hotel. Luigi Mangione (C) chega ao Tribunal Criminal de Manhattan, em Nova York, em 23 de dezembro de 2024 CHARLY TRIBALLEAU / AFP Para Gary Galperin, ex-promotor estadual em Manhattan e professor da Faculdade de Direito Cardozo, a estratégia representa uma mudança importante na condução da defesa. — Ele está dizendo que fez isso, o que representa uma grande concessão — afirmou. Segundo Galperin, caberá agora aos advogados convencer os jurados de que a ação de Mangione foi uma resposta compreensível às suas queixas contra as seguradoras de saúde. — Embora seja uma estratégia de defesa juridicamente viável, com base nesses fatos ele enfrentará um grande desafio para convencer um júri — declarou. O caso provocou reações distintas nos Estados Unidos. Parte dos americanos ficou chocada com o assassinato de Brian Thompson, enquanto outras pessoas interpretaram o crime como uma manifestação das frustrações acumuladas com o aumento dos custos da assistência médica. Juiz define regras para o julgamento Durante a audiência, o juiz acolheu um pedido da defesa e rejeitou uma acusação relacionada a um carregador de munição. No mês anterior, ele já havia decidido que esse carregador não poderia ser utilizado como prova no julgamento. Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare, foi morto a tiros em ataque que a política acredita ter sido direcionado em Nova York, nos Estados Unidos, em 4 de dezembro de 2024 UnitedHealth Group via The New York Times Ao mesmo tempo, Gregory Carro determinou que uma arma e um caderno encontrados na mochila de Mangione no momento da prisão poderão ser apresentados aos jurados. Outros itens apreendidos foram excluídos. Apesar das decisões, Mangione continua respondendo por outras acusações, entre elas homicídio em segundo grau, crime que pode resultar em pena de 25 anos de prisão ou prisão perpétua. No ano anterior, a defesa havia solicitado mais tempo para comunicar formalmente a intenção de apresentar provas psiquiátricas. Galerias Relacionadas Na esfera federal, Mangione também respondia à acusação de uso de arma de fogo para cometer homicídio, o que o tornava passível de pena de morte. Em janeiro, um juiz federal de Manhattan decidiu que os promotores não poderiam pedir a pena capital. O magistrado também rejeitou duas acusações e manteve outras duas relacionadas à perseguição. Promotoria aponta premeditação Barry Kamins, ex-juiz de Nova York e atualmente advogado de defesa, explicou que a tese de extrema perturbação emocional costuma estar associada a um acontecimento desencadeador que provoca um nível de estresse capaz de levar uma pessoa à perda de controle. Segundo ele, em alguns estados americanos, estratégias semelhantes são conhecidas como defesa por "crime cometido sob forte emoção". Kamins afirmou que, nos casos em que essa linha de defesa foi aceita, os advogados sustentaram que o crime foi uma reação imediata ao acontecimento que provocou a perturbação emocional, "e não algo desenvolvido ao longo de um período de tempo". Promotores estaduais e federais sustentam, porém, que as ações de Mangione foram premeditadas. Como parte dessa argumentação, citam anotações encontradas em um caderno que, segundo a acusação, foram escritas meses antes do crime. De acordo com os promotores, Mangione escreveu que "o alvo é o setor de seguros". O texto afirma ainda que o caderno descrevia sua "intenção de 'eliminar' o CEO de uma das seguradoras durante sua conferência com investidores". Durante a audiência, Joel Seidemann, promotor do gabinete do promotor distrital de Manhattan, afirmou que a defesa vinha "obstruindo" o trabalho da acusação ao não informar quem pretende apresentar como testemunha especializada para sustentar a alegação de extrema perturbação emocional. Ao final da sessão, Gregory Carro determinou que a defesa apresente essas informações até quinta-feira. Segundo o juiz, os promotores precisam saber "de que enfermidade este réu supostamente sofre". — Não vou permitir que vocês surpreendam a promotoria na véspera do julgamento. Portanto, resolvam isso — afirmou.

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