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Filme sobre repressão a protestos no Irã é o primeiro totalmente feito por IA a ser exibido num grande festival

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo June 17, 2026
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Ash Koosha estava em Londres, não em Teerã, quando a internet caiu na capital iraniana durante a violenta repressão do governo contra manifestantes em janeiro. Alguns vídeos e fotos acabaram vazando. Mas Koosha, que nasceu no Irã, sabia que a verdadeira extensão do sofrimento talvez nunca fosse totalmente conhecida. InEdit: Filhos de Caetano, de Gil, de Rita Lee e dos Novos Baianos lembram infância nos tempos do desbunde Então ele se juntou ao seu irmão, Pooya Koosha, e começou a trabalhar em “Dreams of violets” ("Sonhos de violetas", numa tradução direta), um docudrama de 75 minutos em que todas as imagens foram criadas por inteligência artificial. 'Marta': Veja nova foto de Alice Carvalho em cinebiografia dirigida por Andrucha Waddington Na tela, há cenas de policiais descarregando suas armas, incêndios e explosões nas ruas e uma criança sem fôlego observando o caos. Mas as imagens foram criadas de dentro de um apartamento em Londres. Não havia atores, cenários ou câmeras. “A velocidade importa aqui, certo?”, , disse Ash Koosha, um cineasta estreante que deixou o Irã em 2009. “Jornalistas estão se esforçando para verificar os fatos. Organizações humanitárias estão se esforçando e artistas estão se esforçando. todos tentando contar a história.” O filme de Koosha é uma homenagem, segundo ele, num momento em que o jornalismo não era possível. “Dreams of violets” teve sua estreia mundial no Festival de Tribeca, em Nova York, na semana passada, tornando-se o primeiro longa-metragem totalmente gerado por inteligência artificial a ser aceito em um grande festival de cinema, de acordo com o Fountain 0, o estúdio responsável pelo filme. Koosha escreveu o roteiro e projetou o fluxo de produção com inteligência artificial para dar vida à história. “Ele usa o que conhece, a tecnologia que tem disponível como sua forma de se expressar”, disse Jane Rosenthal, cofundadora do Festival de Tribeca que ajudou a levar uma versão aprimorada por IA de “O Mágico de Oz” para a Sphere, em Las Vegas. “Este filme não existiria sem essa tecnologia. Ninguém foi substituído aqui.” Rosenthal está entre os grandes nomes de Hollywood que abraçam o que consideram a ascensão inevitável da IA ​​no cinema e na televisão. “Pandora saiu da caixa”, disse ela. “Precisamos aprender a usá-la.” Cena de 'Dreams of violet' Divulgação Mas o assunto continua polêmico. Alguns temem que a IA vá destruir empregos, como mais uma ferramenta para acelerar a corrida para baratear os custos dos filmes. Outros a veem como uma ameaça existencial à sociedade. A estreia de “Dreams of violets” teve grande público, com uma fila animada do lado de fora do cinema, em Manhattan. Quando os espectadores começaram a sair da sala, permaneceram em pequenos grupos discutindo, ponderando os méritos do filme em relação às suas dúvidas. Alguns acharam evidente que as imagens haviam sido geradas por IA, e não filmadas, enquanto outros disseram estar chocados com a aparência realista das pessoas. Mas mesmo aqueles que consideraram os efeitos visuais gerados por IA decepcionantes, compreenderam a lógica por trás do uso da tecnologia pelo cineasta. O cineasta Andres Ramirez considerou algumas cenas "cartunescas" e semelhantes aos "gráficos do início do PlayStation 2". As reações emocionais dos personagens, acrescentou, nem sempre pareciam genuínas. Mesmo assim, ele acredita que "Dreams of violets" será o filme mais comentado do festival. Cena de 'Dreams of violets', filme feito inteiramente com Inteligência Artificial Divulgação Koosha, que trabalha com IA há anos, fez o filme nas madrugadas, fora do seu horário de trabalho em uma empresa de tecnologia. O custo total foi de cerca de US$ 2 mil, disse Tom Rogers, produtor executivo. À medida que Koosha desenvolvia o roteiro, ele podia observar as imagens geradas e combiná-las. Um processo de "roteirizar enquanto gera as imagens e depois corrigir", explicou. "Você tem 30 minutos de filme com a cor corrigida, pronto para usar", disse Koosha. "E aí você pensa: 'Não gostei'. Então volta e faz de novo." No final do processo, Koosha disse que ajustou duas cenas que começaram a incomodá-lo. As mudanças levaram cerca de uma hora. Esse tipo de mudança radical no processo de produção cinematográfica deixou alguns na indústria consternados. A proteção contra a IA generativa foi uma reivindicação central durante as greves trabalhistas de 2023. Nos últimos meses, porém, o trabalho com IA tem ganhado força. Um filme de 95 minutos gerado por IA, chamado “Hell grind”, estreou no Marché du Film, o espaço dedicado ao mercado cinematográfico do Festival de Cannes. Em uma conferência apresentada pelo sindicato dos produtores, um palestrante perguntou aos membros da plateia se eles já haviam sido solicitados a incorporar IA em seus trabalhos, e três em cada quatro mãos se levantaram. Ainda este mês, Rosenthal será jurado em um festival de cinema de IA planejado para Nova York e Los Angeles. Renata Plaut, que compareceu à estreia de “Dreams of violets” curiosa sobre os aspectos técnicos do filme, disse que ele mostrou que a tecnologia de IA tem seu lugar no entretenimento. Ela também apreciou a missão do diretor de conscientizar as pessoas sobre a situação difícil dos iranianos. Ramirez, o cineasta, afirmou que as atrocidades retratadas pela IA simplesmente não têm o mesmo impacto que "a realidade". "Acho que sempre vou me questionar como seria o documentário deste filme."

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