“Não vejo problema”, diz Motta sobre diárias pagas por Vorcaro em Lisboa
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June 16, 2026
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira que não vê qualquer irregularidade no pagamento de diárias de hotel durante uma viagem a Lisboa, em junho de 2024, custeadas, segundo investigação da Polícia Federal (PF), pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Questionado por jornalistas sobre o caso, Motta disse ter tranquilidade em relação às apurações e classificou o encontro na capital portuguesa como um evento corporativo e jurídico. — Não vejo problema, é um evento corporativo, um encontro jurídico, que inclusive participei esse ano já como presidente da Câmara, então não vejo problema algum — afirmou. De acordo com a investigação da PF, Vorcaro bancou suítes em um hotel de Lisboa para Motta e para o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP, durante viagem realizada em junho de 2024. Durante a apuração, a PF também encontrou uma troca de mensagens que mostra Vorcaro manifestando preocupação com a exposição de eventos privados que ele promovia com a classe política. Em um desses encontros, ocorrido em Lisboa, em junho de 2024, ele orienta um dos seus funcionários a colocar seguranças para evitar a entrada de pessoas fora da chamada "lista dos homens". Entre os participantes dessa lista, Vorcaro anotou com nome e sobrenome: "Hugo Motta, [presidente da Câmara dos Deputados]; Ciro Nogueira, [senador e presidente do PP]; Luizinho [deputado federal]". No relatório, a PF destacou a "acentuada preocupação" expressa por Vorcaro com a privacidade do evento. Em um áudio, ele chega a dizer que "pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista". A PF também identificou mensagens em que Vorcaro pede a um dos funcionários para fazer reservas em um hotel de luxo em Lisboa em junho de 2024. Segundo a reserva, os quartos seriam para ele e "Ciro e Hugo". Ao ser questionado sobre um suposto pedido de privacidade relacionado à viagem, Motta disse não ter conhecimento do assunto. — Não me recordo do pedido de privacidade, não posso falar por aquilo que eu não fiz — declarou. O presidente da Câmara também evitou responder diretamente se tinha conhecimento de que as despesas teriam sido pagas por Vorcaro ou pelo Banco Master. — Eu tenho muita tranquilidade com relação a isso. As investigações estão aí, os órgãos estão trabalhando e eu defendo que as apurações possam acontecer da maneira mais isenta e imparcial possível — disse. Motta acrescentou que sua atuação parlamentar sempre foi pautada pela responsabilidade e afirmou que as investigações irão confirmar a regularidade de sua conduta. — Eu sou um deputado que sempre defendi o bom exercício da atividade parlamentar, sempre legislei com responsabilidade e presido a Câmara com essa mesma responsabilidade. Então eu tenho muita tranquilidade com relação a isso e esses vazamentos não me preocupam de forma alguma. Segundo o presidente da Câmara, o resultado das apurações demonstrará que sua atuação ocorreu dentro dos parâmetros esperados para o exercício do mandato. — As investigações vão demonstrar sempre a minha conduta de forma correta, de forma responsável, como tem que ser o exercício da atividade parlamentar em nosso país — afirmou.
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