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"textContent": "\nConsiderado uma potência em energia abundante e limpa, o Brasil pode ter posição estratégica no cenário global da inteligência artificial. E deve assumir papel de protagonista na cadeia de valor, que inclui o desenvolvimento de modelos de aplicativos, ao invés de se limitar à exportador de recursos, avaliam especilistas. O mundo não é para todos: para investidores, startups latino-americanas precisam se preparar para a internacionalização Créditos de carbono: o capitalismo e os bilhões das big techs podem salvar a Amazônia? \"O problema de energia da IA\" foi tema da conversa que reuniu Alessandro Lombardi, fundador e chairman da Elea Data Center; Victor Arnaud, presidente para o Brasil da Equinix, e Harry Booth, repórter especializado em IA da “Time, no Web Summit Rio, no Riocentro. A abundância de recursos renováveis tira de cena o gargalo energético comum a outras nações, permitindo a construção de data centers de larga escala, avaliam os especialistas. Para atrair investimentos e garantir a soberania tecnológica, no entanto, é necessário garantir políticas públicas robustas, como incentivos fiscais e marcos regulatórios. -- A rápida aceleração da inteligência artificial criou uma demanda sem precedentes por infraestrutura de computação. Por trás de cada modelo, há necessidade crescente de data centers, energia e sistemas físicos capazes de sustentar essa escala imensa — resumiu Booth. — Podemos construir, mas a questão é se podemos fornecer energia. Precisamos de muita eletricidade para manter todos esses modelos rodando e trabalhando para todas essas empresas. A energia é um gargalo? Para Lombardi — que anunciou na conferência de tecnologia, ao lado do prefeito Eduardo Cavaliere, investimentos massivos na expansão do hub de data centers Rio AI City — a energia não é um gargalo no Brasil. -- O Brasil é o país mais rico do mundo em termos de energia verde disponível hoje, com volume suficiente para alimentar toda a demanda de curto ou médio prazo dos Estados Unidos. O Brasil \"joga fora\" gigawatts de energia renovável todos os dias porque ninguém a está usando — diz ele. O que a mineração tem a ver com o futuro da IA? Tudo, diz líder de empresa que inova no setor Na visão do executivo da Elea, o problema do Brasil é criar um ecossistema de confiança para que os fabricantes construam a infraestrutura aqui. Ele detalhou o projeto AI City, que está sendo construído nas imediações do Parque Olímpico, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro: — Nossa visão é construir uma infraestrutura limpa. Projetamos um campus de escala giga aqui no Rio de Janeiro porque há muita energia verde disponível nesta cidade. Estamos construindo o futuro da infraestrutura verde. A capacidade é de 1,5 gigawatt na primeira fase e 3,2 gigawatts na segunda fase. Isso é cerca de duas vezes e meia a capacidade total atual do Brasil — destacou Lombardi. Arnaud, por sua vez, defende investimentos em toda a cadeia de valor do setor: -- Não basta ter energia. Precisamos de uma política industrial para participar de toda a cadeia: chips, infraestrutura, modelos e aplicações. Se não prepararmos o país com regulação e incentivos, seremos apenas fornecedores de recursos naturais para que outros extraiam o valor — ponderou. — Precisamos discutir a regulação da IA. O crescimento já está acontecendo, mas se tivermos um framework robusto, poderemos transformar o Brasil em um hub global para treinamento de modelos de IA. Copa do Mundo Feminina de 2027: evento no Brasil terá protagonismo das mulheres também fora de campo Lombardi reforçou essa posição, acrescentando a necessidade de envolvimento do governo federal e a construção de políticas públicas, incluindo incentivos fiscais: -- A adoção da IA será mais rápida do que se imagina; em cinco a dez anos estará em todos os lugares e em tudo o que fazemos. O Brasil tem a chance de ser uma potência, por sua energia limpa, e de ser modelo para o resto do mundo. Mas sem uma política de Estado, isso não vai acontecer. Para ele, o Brasil tem a oportunidade de liderar o movimento de adoção de IA, mas se as leis necessárias à sustentação desse movimento não forem aprovadas, o país não conseguirá alcançar essa liderança. E fez referência ao Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Retada), política federal em discussão formulada para atrair investimentos em infraestrutura de tecnologia, concedendo subsídios fiscais para modernizar e expandir o parque de data centers no país. — O plano Redata era excelente, focado em energia verde. Mas o projeto caminha devagar no Congresso devido a disputa de interesses. Na minha visão, nunca se deve construir um data center que não seja alimentado por energia limpa, mas todos têm o direito de participar do debate democrático — afirmou. A cobertura do Web Summit Rio 2026 na Editora Globo é apresentada pelo Itaú.",
"title": "Energia: gargalo global é oportunidade para o Brasil se impor no cenário da inteligência artificial"
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