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"textContent": "\nCom a Copa prestes a começar, a postura do governo Donald Trump de dobrar a aposta em hostilidades contra imigrantes e países rivais no cenário internacional, como o Irã, vem despertando críticas dentro dos EUA, mas foi recebida nesta quarta-feira com afagos pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino. Em entrevista coletiva, o suíço minimizou o impacto das restrições impostas pela gestão Trump à seleção iraniana e ao árbitro somali Omar Artan, barrado no país por suposta “ligação com o terrorismo”. Especialistas, por outro lado, também avaliam que há risco de os jogos, especialmente de seleções latinas, receberem batidas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) em busca de estrangeiros com documentação irregular. Copa do Mundo no WhatsApp: Receba as principais notícias no canal de Esportes do GLOBO; clique e acesse Hoje na Copa: Newsletter do GLOBO vai reunir jogos do dia, bastidores, altos e baixos do Mundial e um resumo da véspera No fim de maio, uma pesquisa do instituto Yougov captou um país dividido pela possível repressão do ICE na Copa: 59% dos eleitores trumpistas consideraram que o Mundial será “mais seguro” com a polícia migratória. Já 71% dos democratas, que fazem oposição a Trump, enxergaram um torneio “menos seguro”. Buscando se esquivar das tensões na sede da Copa, Infantino afirmou nesta quarta que vem “trabalhando bem próximo” a Trump no pré-Copa e se disse “muito feliz” com o relacionamento. — Sem o apoio e o envolvimento dele, creio que seria impossível organizar uma Copa nos EUA — disse Infantino. — Nós (Fifa) sempre tentamos encontrar soluções. Mas não somos os reis do mundo, que podem dar ordens a governos e à polícia. 'Chorar e gritar' O presidente da Fifa classificou como “infelicidade” o fato de o somali Omar Artan ter sido impedido de entrar nos EUA, mas defendeu que situações como a do árbitro sejam negociadas com o governo dos EUA e que “chorar e gritar pode ter o efeito contrário”. Ontem, o chefe da força-tarefa da Casa Branca junto à Fifa, Andrew Giuliani, disse que os EUA tiveram “uma razão muito boa” para barrar o árbitro, sem sinalizar um recuo na postura. Infantino, por sua vez, também se disse “orgulhoso” por ter costurado a presença do Irã no Mundial, em meio à guerra entre o país e os EUA, que recrudesceu nesta semana. Na quarta-feira, os EUA fizeram uma série de bombardeios no Irã, após Trump prometer retaliar a derrubada de um helicóptero militar americano no Estreito de Ormuz, área de influência iraniana. — Diferentemente do Catar, que tratou o futebol como plataforma para seu regime em 2022, a Copa nunca foi um projeto do Trump. Até por isso, ele não parece preocupado pelo fato de trocar bombas com um país participante às vésperas do Mundial, o que expõe ainda mais as contradições da Fifa — avaliou ao GLOBO o cientista político Maurício Santoro, colaborador do Centro de Estudos Políticos-Estratégicos da Marinha no Brasil. Nesta quarta, acrescentando mais um elemento às hostilidades com os EUA, o ministro iraniano dos Esportes, Ahmad Donyamali, ameaçou retirar a seleção de campo caso “bandeiras e slogans contrários à equipe nacional sejam entoados” nos estádios americanos. A Fifa costuma vetar a entrada de bandeiras alusivas à oposição ao atual regime iraniano. Influencers na mira Para a estreia do Irã no torneio, sábado, contra a Nova Zelândia, em Los Angeles, um porta-voz do Departamento de Segurança Interna disse que “graças à generosidade de Trump, foi autorizada a chegada do time iraniano na véspera” — algo que deveria ser praxe para todas as seleções, conforme o protocolo da própria Fifa. Segundo a emissora ESPN, a delegação do Irã deixará os EUA no dia seguinte à partida para se hospedar no México, em outra mudança forçada pelo clima bélico com o governo Trump. O plano original dos iranianos era se basear nos EUA, já que seus três jogos na fase de grupos serão em cidades americanas. Em outra ofensiva contra visitantes durante a Copa, o governo do EUA emitiu na quarta-feira um comunicado, de acordo com o jornal El País, no qual sinalizou risco de deportação para influenciadores digitais que entrarem no país com visto de turista, e não de trabalho. Segundo a nota do governo americano, isto pode configurar “violação das condições de admissão” no país.",
"title": "Entre afago de Infantino e polarização nos EUA, Trump dobra aposta contra Irã e imigrantes às vésperas da Copa"
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