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EUA lançam mais ataques contra o Irã em segundo dia de retaliação por derrubada de helicóptero americano

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo June 10, 2026
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Os Estados Unidos lançaram uma nova onda de ataques aéreos contra o Irã na noite desta quarta-feira, informou o Exército americano. É o segundo dia consecutivo de ataques contra a República Islâmica, após a derrubada de um helicóptero dos Estados Unidos na segunda-feira por um drone iraniano. O Comando Central dos EUA (Centcom) justificou os ataques como uma resposta à “agressão injustificada e contínua do Irã”. O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que os Estados Unidos vão retomar os ataques contra o Irã, após acusar Teerã de brincar com Washington, enquanto o secretário-geral da ONU alertou para o risco de retorno a uma "guerra total" no Oriente Médio. — Vamos atacá-los... atacá-los com muita força — disse Trump na Casa Branca mais cedo. — Estávamos realmente perto de um acordo, mas eles continuam protelando, continuam nos fazendo de bobos. Entenda o caso: EUA atacam Irã em resposta à derrubada de helicóptero Apache no Estreito de Ormuz Conheça o Corsair: Drone marítimo resgata americanos após queda de helicóptero em Ormuz “As forças do Comando Central dos EUA começaram a lançar ataques adicionais de autodefesa hoje, às 17h15 no horário do leste dos EUA (18h15 em Brasília), contra múltiplos alvos no Irã, sob ordens do Comandante-em-Chefe. Os ataques são uma resposta à agressão injustificada e contínua do Irã”. A mídia iraniana relatou explosões na manhã de quinta-feira (horário local) perto do Estreito de Ormuz. Explosões foram ouvidas na cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do país, na ilha de Qeshm e nas cidades de Minab e Sirik, segundo relatos. A agência de notícias Tasnim, afiliada à Guarda Revolucionária, informou que os Estados Unidos atacaram uma planta petroquímica no campo de gás de South Pars, localizado em Asalouyeh. Antes, a televisão estatal iraniana havia relatado a ativação das defesas aéreas ao redor da planta de energia em Asalouyeh. Atacar infraestrutura energética crítica representaria uma escalada significativa nos recentes ataques mútuos. Logo depois, o Irã anunciou na quinta-feira que atacou duas embarcações que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz e advertiu que hostilizará qualquer navio que transite pela hidrovia. A Marinha iraniana, citada pela emissora estatal IRIB e pela agência de notícias Mehr, anunciou que atacou "duas embarcações que tentavam cruzar ilegalmente o Estreito de Ormuz". "Qualquer navio que transite pelo Estreito de Ormuz será alvo de ataques", segundo declarações do Estado-Maior iraniano divulgadas pela agência de notícias Tasnim. Os militares também alertaram que a passagem está "completamente fechada a todos os tipos de embarcações". Trump havia dito ontem que um acordo para encerrar os mais de três meses de guerra seria anunciado em até três dias, mas, na madrugada de hoje, houve fogo cruzado. O presidente americano indicou ao canal Fox News que pensa cada vez mais em lançar ataques contra centrais elétricas e pontes iranianas. "A infraestrutura crítica é vital. As ameaças de atacá-la não são uma demonstração de força, e sim um sinal de desespero", publicou no X o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou "a escalada dos ataques e da retórica nas últimas 48 horas", e alertou para o risco de uma "guerra total" no Golfo. Um diplomata informou à AFP que negociadores do Catar, país mediador, viajaram hoje à capital iraniana. A escalada recente gerou pedidos de moderação por parte da Rússia e da China, aliadas do Irã. "Estamos extremamente preocupados com a nova rodada de confrontos", declarou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo. Já a China pediu "medidas concretas para aliviar e reduzir a tensão". Em relação ao tema nuclear, um dos principais pontos de divergência entre Teerã e Washington, o Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou hoje uma resolução que exige que o Irã forneça informações sobre suas reservas de urânio e instalações de produção. O representante permanente do Irã na ONU em Viena, Reza Najafi, disse à AFP que a resolução é "contraproducente na situação atual". Segunda agressão a embarcações civis: Índia convoca diplomata dos EUA após ataque contra navio deixar três marinheiros indianos desaparecidos na costa de Omã O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta quarta-feira que os EUA comprometeram os esforços diplomáticos para um cessar-fogo definitivo no Oriente Médio com os ataques lançados na noite de terça contra Teerã, em resposta ao abate de um helicóptero militar americano Apache pelas forças iranianas. A condenação diplomática ocorre em meio a uma campanha de retaliação que os militares da nação persa dizem ter alcançado instalações americanas em Bahrein, Jordânia e Kuwait — enquanto, internamente, autoridades tentam conter os danos provocados pela ofensiva americana. — Infelizmente, os EUA estão prejudicando o processo diplomático com as mensagens contraditórias que estão enviando, com suas reiteradas mudanças de posição e de demandas e, o pior de tudo, com suas repetidas violações do cessar-fogo — afirmou em vídeo o principal porta-voz da chancelaria do Irã, Esmaeil Baghaei. — Qualquer processo diplomático é prejudicado pelo uso da força e pelo recurso a ações ilegais no terreno. A condenação no campo diplomático ocorre em meio a uma campanha retaliatória que voltou a afetar toda a região do Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária do Irã disse ter "atingido e destruído quatro grandes alvos" na Jordânia, segundo um comunicado transmitido pela na rede estatal IRNA. Um vídeo obtido pela rede americana CNN mostrou o que parece ser uma explosão nos arredores de uma base americana em Manama, capital do Bahrein. Ao todo, o Corpo da Guarda Revolucionária disse ter lançado 21 ataques contra bases dos EUA na região, além de ter abatido um drone MQ-9 sobre a região iraniana de Jam. Uma fonte americana ouvida pelo New York Times afirmou que o relato iraniano é falso. O Exército jordaniano informou que derrubou cinco mísseis iranianos, sem relatar vítimas ou danos materiais, enquanto as Forças Armadas do Kuwait afirmaram que suas defesas aéreas repeliram "alvos aéreos hostis", sem mencionar inicialmente a origem do ataque. Militares do Bahrein afirmaram ter interceptado projéteis iranianos nesta quarta e acusaram Teerã de violar o direito internacional humanitário com os ataques. A diplomacia iraniana afirmou nesta quarta-feira que países vizinhos do Golfo têm a "responsabilidade legal e moral" de impedir os ataques americanos e israelenses a partir de seus territórios. O regime dos aiatolás já afirmaram que qualquer meio militar americano na região será visto como alvo lícito. Initial plugin text Chamado de Netanyahu O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convocou hoje os libaneses a se unir à luta de Israel contra o Hezbollah, afirmando que seu país foi "tomado como refém" pelo grupo islamita pró-Irã. Israel e Irã se atacaram no último domingo e segunda-feira pela primeira vez desde que o cessar-fogo entrou em vigor, em abril. O Irã insiste que qualquer acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio deve incluir a questão libanesa. A ONU anunciou hoje o envio de uma missão ao Líbano para investigar violações de direitos humanos. Os preços do petróleo voltaram a subir, impulsionados pelas declarações belicosas do presidente Trump. O barril do Brent para entrega em agosto teve alta de 1,80%, aos 93,10 dólares, e o do WTI para julho subiu 2,08%, aos 90,03 dólares. (Com AFP e NYT)

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