Inventor da web pede que IA preserve 'valores originais' da internet: 'É uma camada diferente'
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June 4, 2026
Tim Berners-Lee, conhecido como o pai da World Wide Web (www), defendeu que a inteligência artificial (IA) preserve os princípios que orientaram a criação da internet e permita que usuários tenham maior controle sobre os dados pessoais compartilhados com grandes empresas de tecnologia. Em entrevista à AFP durante o festival de tecnologia SXSW, em Londres, o cientista da computação britânico afirmou que a predominância "da pessoa, do indivíduo" esteve no centro da criação da web e deveria orientar também o desenvolvimento da IA. — É importante que as pessoas utilizem essa tecnologia (IA) para garantir que seus clientes, seus cidadãos, tenham controle sobre seus próprios dados — afirmou. Berners-Lee criou a World Wide Web em 1989, enquanto trabalhava no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), inicialmente como uma ferramenta para facilitar a comunicação e o compartilhamento de informações entre cientistas. Segundo ele, os modelos de inteligência artificial representam uma nova camada da internet e dependem diretamente do vasto volume de informações disponíveis na web. — Os modelos de IA são uma camada diferente [dentro da internet], eles aproveitam o fato de que a web contém tantos dados para se treinarem — disse. Embora considere a tecnologia um avanço "empolgante", Berners-Lee avalia que ela poderia se beneficiar de maior coordenação e regulamentação. Criador da web vê falta de padrões globais para IA O cientista destacou que a inteligência artificial ainda não possui uma estrutura equivalente ao World Wide Web Consortium (W3C), organização internacional fundada por ele para estabelecer padrões técnicos da internet. Segundo Berners-Lee, a ausência de um organismo semelhante limita a colaboração entre os desenvolvedores da tecnologia. Como resultado, os pioneiros da IA não "se beneficiam da colaboração que obteriam se contassem com algo assim", afirmou. A World Wide Web foi criada para permitir que pesquisadores de diferentes países compartilhassem informações sobre suas descobertas. Em 1990, Berners-Lee desenvolveu o projeto ao lado do engenheiro belga Robert Cailliau. A tecnologia se baseou em dois elementos fundamentais: a linguagem HTML, utilizada para criar páginas da internet, e o protocolo HTTP, que permite a troca de informações entre navegadores e servidores. Ao optar por não patentear sua invenção, Berners-Lee garantiu que a web pudesse ser utilizada livremente, fator considerado decisivo para sua rápida expansão global. Startup desenvolve sistema para proteger dados em interações com IA Nos últimos anos, o cientista transformou a proteção de dados pessoais em uma de suas principais bandeiras. Em 2018, ele cofundou a startup Inrupt, voltada ao desenvolvimento de ferramentas que devolvam aos usuários o controle sobre suas informações. — Sem dados, eles (os modelos de IA) não podem existir. E agora tiveram acesso irrestrito aos dados de todos e, se não estivermos atentos, vamos chegar a uma situação realmente grave — afirmou John Bruce, cofundador da empresa. A Inrupt trabalha com sistemas de armazenamento em que os dados permanecem sob controle dos próprios usuários. A companhia também desenvolve um assistente de inteligência artificial chamado Charlie. Segundo Berners-Lee, a ferramenta funcionará como intermediária entre o usuário e sistemas como ChatGPT ou Claude. — Quando você faz uma pergunta (...) ele analisa qual é a pergunta (...) e decide quais informações enviar [para a ferramenta de IA] — explicou. Se houver dados pessoais envolvidos, o sistema os "modificará" para que a ferramenta de IA "tenha uma ideia (...) mas depois não possa realmente utilizá-las para identificá-lo", acrescentou. — Charlie tem como objetivo preservar os valores originais da web — afirmou.
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