Rodovia Amaral Peixoto ganha mais de 130 radares e equipamentos geram polêmica; multas começam este mês
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June 3, 2026
O feriadão de Corpus Christi cai amanhã e uma das principais opções para quem pretende curtir o descanso na Região dos Lagos ou no Norte Fluminense é a Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), que vai de São Gonçalo a Macaé. Mas, além do fim de outono frio e chuvoso, outro tema está dando o que falar: os radares da via. A instalação recente de novos equipamentos após licitação chama a atenção dos motoristas, que reclamam, por exemplo, da pequena distância entre eles em alguns pontos. Atuou como voluntário: Ex-mercenário da guerra na Ucrânia treina traficantes do Comando Vermelho no uso de drones para transportar armas e drogas Álbum fake: Polícia apreende 200 mil figurinhas falsificadas do álbum da Copa do Mundo A novidade foi acompanhada de boatos e até de listas informais marcando as localizações dos equipamentos para ninguém ser multado. Mas calma: segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ), os radares da via estão em fase de testes. A operação só deve começar na segunda quinzena deste mês, quando se inicia a aplicação de multas para quem exceder a velocidade nos pontos de fiscalização, como já ocorria anteriormente. Alguns equipamentos estão cobertos por um plástico preto. Outros estão com os painéis que indicam as velocidades desligados. Mesmo assim, os motoristas não confiam. Próximo aos radares, os veículos reduzem a marcha para não extrapolar os limites informados nas placas. — É um absurdo a quantidade de radares que estão sendo instalados nesta rodovia. Sou usuário e não vejo razão para tantos. Há pontos críticos, sim, mas vejo que a intenção é arrecadar — diz o aposentado Aderli Mendes Faria, morador de Niterói, que usa a RJ-106 com frequência para viajar até Cabo Frio, onde tem uma casa. Criminosos são treinados: Traficantes do Comando Vermelho compram drones com capacidade para transportar até 20 fuzis entre favelas; vídeo TCE analisa licitação De acordo com o DER-RJ, a Amaral Peixoto terá, ao todo, 133 equipamentos, instalados em 78 pontos ao longo dos 200 quilômetros de extensão (o número é igual ao do contrato anterior, segundo o departamento). Em alguns locais, como na altura de Tribobó, em São Gonçalo, eles estão em apenas um sentido da via. A posição exata com todos os pontos de fiscalização eletrônica será divulgada pelo site do DER-RJ (der.rj.gov.br) ainda este mês, em data a ser definida. A polêmica não para por aí. O pregão eletrônico para a compra dos equipamentos, realizado em setembro do ano passado, acabou na mira do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), após o deputado estadual Vitor Júnior (PDT) entrar com uma representação alegando “possível simulação de competitividade, no comprometimento da independência entre licitantes e na potencial utilização indevida de recursos públicos estratégicos”. Amaral Peixoto (RJ-106): radar na altura do Hospital Che Guevara, em Maricá Fabiano Rocha / Agência O Globo Em um dos lotes licitados, que inclui a RJ-104 (Niterói-Manilha), via que conta com 11 radares distribuídos por seis pontos de fiscalização eletrônica, e a RJ-106, a proposta vencedora era um centavo mais barata que a segunda colocada. Os outros dois lotes foram arrematados por uma diferença de R$ 1 mil. O caso está em análise na Corte de Contas. Sobre as possíveis irregularidades, o DER-RJ informa que prestou os esclarecimentos ao TCE-RJ antes do prazo estipulado, com a licitação tendo ocorrido “por meio de pregão eletrônico, com registro das etapas em sistema e acompanhamento dos órgãos de controle”. Além do TCE e de quem passa pela via diariamente, o setor turístico está atento à instalação dos radares. Para Marco Navega, presidente do Conselho de Turismo da Costa do Sol, que tem 13 municípios associados, como Cabo Frio, Búzios e Arraial do Cabo, o tema é tratado com “apreensão”. — Entre os visitantes da Costa do Sol, 90% chegam por meio rodoviário. Temos um aeroporto (Cabo Frio), mas sem voos regulares. São números muito fortes, e a gente não pode brincar com isso — alerta Navega, que relata que as cidades não foram consultadas sobre o tema. — Continuamos desconhecendo a quantidade de radares que estão sendo instalados sem justificativas. Comando Vermelho: Polícia encontra fazenda de mineração de criptomoeda no Complexo do Lins Curta distância Mas não é só a quantidade de radares na RJ-106 que é criticada; a proximidade entre eles também. Especialmente com a instalação de equipamentos em locais onde não existiam no passado, como nas imediações do Hospital Ernesto Che Guevara, em São José de Imbassaí (Maricá). Nessa área, cerca de 700 metros separam dois pontos de fiscalização eletrônica. Já entre os radares dos bairros Arsenal e Tribobó, em São Gonçalo, há aproximadamente 900 metros. Próximo a Várzea das Moças, em Niterói, 600 metros separam dois pontos de fiscalização. O GLOBO percorreu o trecho entre São Gonçalo e Saquarema — cerca de 70 quilômetros — no fim de maio e contabilizou pelo menos 17 pontos de fiscalização eletrônica concentrados só entre duas cidades: São Gonçalo e Maricá. O DER-RJ explica que os casos de curta distância seguem “critérios técnicos de segurança viária adotados em áreas urbanizadas e com maior registro de acidentes”. Características da via, além de demandas de moradores e motoristas, também foram levadas em conta, segundo o órgão estadual. Amaral Peixoto (RJ-106): radar na altura do bairro Arsenal, em São Gonçalo; DER-RJ diz que equipamentos estão em período de testes, ainda sem aplicar multas Fabiano Rocha / Agência O Globo Quem percorre a pista no sentido Norte Fluminense repara que os radares ficam mais distantes uns dos outros a partir de Saquarema. Outra cena corriqueira são placas de fiscalização eletrônica sem radares instalados, como acontece em pelo menos cinco pontos. Em julho do ano passado, uma denúncia feita ao Ministério Público do Rio (MPRJ) relatava ainda a “possível irregularidade na instalação de radares” no trecho entre Araruama e Iguaba Grande da RJ-106, sob a alegação de falta de aviso prévio à população e ausência de sinalização adequada. No entanto, “após análise, não foram constatadas irregularidades”, informou o MPRJ. Insegurança Vitor Ferreira, entregador e prestador de serviços de aplicativos, passa pela RJ-106 diariamente. Morador de Maricá, ele explica que a quantidade de radares assusta — apesar de o DER-RJ afirmar que o número é o mesmo do contrato anterior —, assim como os locais escolhidos. —É prejudicial para a gente porque será um excesso de multas. (Alguns estão em) Áreas de muitos assaltos, vamos acabar ficando reféns: ou iremos rápido e seremos multados, ou vamos devagar e poderemos acabar assaltados — observa Vitão, como o entregador prefere ser chamado. Ele aponta como preocupantes os radares nas imediações de Tribobó ou na região conhecida como Cala Boca, no limite entre São Gonçalo e Maricá. Radares da Amaral Peixoto: a partir de Saquarema, placas existem, mas equipamentos não estão instalados Fabiano Rocha / Agência O Globo E o entregador não é o único. Um ofício da deputada estadual Zeidan (PT) foi enviado ao DER-RJ no último dia 13, pedindo a reavaliação dos radares “instalados em áreas consideradas de risco” na RJ-106, especialmente nos trechos próximo a cidades como Maricá e São Gonçalo. “A solicitação decorre dos recentes episódios de arrastões, assaltos e demais ações criminosas registradas na referida rodovia”, justificava trecho do documento enviado pela parlamentar. Investigação: CV custeou despesas de integrantes de facção que foram lutar na Ucrânia para operar drones que transportam armas No fim de maio, foi realizada uma reunião entre a deputada e o presidente do DER-RJ, Pedro Henrique Ramos, na qual foi solicitado que os radares tenham o horário de funcionamento reduzido em áreas de risco. De acordo com o órgão estadual, ficou acordado que, durante a fase de teste, poderão ocorrer “ajustes operacionais pontuais de horário”. Procurada, a Polícia Militar informa que criou dois batalhões de Polícia Rodoviária e o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) este ano, para ampliar o policiamento de estradas. Os batalhões de área “também atuam margeando as vias, sobretudo no reforço em acessos ao longo dos percursos”, completa a corporação. Initial plugin text
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