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Candidato de ultradireita enfrentará esquerdista em segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo May 31, 2026
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Os colombianos votaram neste domingo no primeiro turno da eleição presidencial, cuja campanha foi marcada pela violência e polarização no país. Com 99% das urnas apuradas, o advogado de ultradireita Abelardo de la Espriella, que ficou na frente por uma margem estreia (43,72%) enfrentará o senador de esquerda Ivan Cepeda (40,92%), apoiado pelo presidente Gustavo Petro, no segundo turno, em 21 de junho. A votação é, em parte, um referendo sobre o primeiro governo de esquerda da Colômbia e sua iniciativa de "paz total" — uma política de diálogo com grupos guerrilheiros dissidentes. Violência em alta: Senador colombiano é alvo de atentado a tiros menos de duas semanas antes das eleições presidenciais, diz Petro 'Erro tático': Guerrilheiros dissidentes da Colômbia assumem responsabilidade por explosão com 21 mortos A campanha presidencial foi marcada por carros-bomba, ataques com drones e o assassinato de um dos principais candidatos à Presidência, Miguel Uribe Turbay. Apesar do agravamento da violência nas áreas controladas pelos rebeldes, o dia da eleição transcorreu sem incidentes. O governo mobilizou 408 mil agentes da lei para garantir a segurança. De la Espriella, autodenominado "O Tigre", quer confrontar grupos armados no ar, em terra e no mar, ecoando a retórica linha-dura por trás das recentes vitórias da direita na América Latina. Neste domingo, o candidato do Defensores da Pátria classificou a eleição como "a batalha mais importante da História da República". — Vamos para o segundo turno para derrotar a tirania e o absolutismo! — declarou em um vídeo no qual aparece vestindo a camisa da seleção colombiana, pouco após o resultado ser divulgado. O advogado de 47 anos, que se inspira no presidente salvadorenho de pulso firme, Nayib Bukele, mas admira o argentino Javier Milei na área econômica, prometeu que guerrilheiros e narcotraficantes enfrentarão "a sepultura ou a prisão". — Este governo, ao ser tão leniente, fortaleceu os grupos armados — disse à AFP Catalina Devia, uma executiva de publicidade de 42 anos e mãe de dois filhos, que está considerando emigrar caso Cepeda vença. O candidato à presidência da Colômbia, Abelardo de la Espriella, do movimento Salvadores de la Patria, cumprimenta apoiadores ao chegar para votar com sua esposa, Ana Lucia Pineda, em uma seção eleitoral durante a eleição presidencial em Barranquilla, Colômbia, em 31 de maio de 2026. RODRIGO BUENDIA / AFP Medo do retorno da guerra Do outro lado está Cepeda, de 63 anos, filho de um senador assassinado por paramilitares de direita. Cepeda obtém grande parte de seu apoio da popularidade de seu mentor polêmico, Petro, que notoriamente entrou em conflito no ano passado nas redes sociais com o presidente americano, Donald Trump, sobre imigração e Venezuela. (Os dois fizeram as pazes posteriormente, e Petro foi recebido na Casa Branca em fevereiro.) Os eleitores de baixa renda se sentem particularmente gratos a Petro pelo aumento do salário mínimo, pelo aumento do pagamento de horas extras e pela transferência de 700 mil hectares de terra para os pobres. — Gosto da direção que o governo Petro tomou — disse Pedro Barragán, um professor de 52 anos que votou no centro de Bogotá. — Acho que fizemos bastante em termos de educação... proteção do meio ambiente, justiça social e defesa dos direitos humanos. O candidato presidencial da Colômbia pelo partido governista Pacto Histórico, Iván Cepeda, chega para votar em uma seção eleitoral durante a eleição presidencial em Bogotá, em 31 de maio de 2026 RAUL ARBOLEDA / AFP Uma década após a assinatura de um acordo de paz histórico, algumas regiões da Colômbia permanecem sob o controle de grupos armados dissidentes que dominam a produção mundial de cocaína. Quem substituir Petro terá de lidar com uma sopa de letrinhas de grupos criminosos envolvidos com tráfico de drogas, mineração ilegal e extorsão. O presidente cessante havia defendido uma estratégia de "paz total" que envolvia negociações com guerrilheiros e outros grupos de narcotráfico. Os críticos afirmam que a estratégia da Petro deu carta branca a grupos criminosos, alimentando o aumento da violência e exportações recordes de cocaína. Os apoiadores de Cepeda temem que uma vitória da direita desencadeie o retorno a décadas de guerra entre o Estado e os grupos armados. Rivais de direita A senadora conservadora Paloma Valencia, que sofreu uma derrota absoluta na votação, ficando em terceiro lugar com 6,92%, também defende uma abordagem militarizada para lidar com o problema da violência no país. Aliada próxima do influente político e ex-presidente Álvaro Uribe, ela também fez campanha junto a eleitores de centro e a mulheres ansiosas para que a Colômbia tivesse sua primeira presidente mulher. A candidata à Presidência da Colômbia, Paloma Valencia, do partido Centro Democrático, chega para votar acompanhada de seu marido, Tomás Rodríguez, em uma seção eleitoral durante a eleição presidencial em Bogotá, em 31 de maio de 2026 RODRIGO BUENDIA / AFP A Colômbia continua sendo o maior produtor mundial de cocaína, e o narcotráfico tem grande responsabilidade pela pior onda de violência da última década. O assassinato do candidato de direita Miguel Uribe no ano passado, atribuído a um grupo guerrilheiro de esquerda, deixou muitos colombianos apreensivos com a possibilidade de um retorno aos tempos sombrios do passado. No final de abril, uma bomba em uma rodovia na região sudoeste do Cauca matou 21 pessoas, tornando-se o ataque mais mortal contra civis nas últimas décadas. O grupo responsável alegou posteriormente um "erro tático". O próximo presidente precisa trazer "um pouco de paz de espírito, um pouco de tranquilidade, porque do jeito que as coisas estão, estamos muito ansiosos", disse Maria Eugenia Motato, uma dona de casa de 57 anos em Suarez, Cauca: — Há muito, muito conflito.

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