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Trump devolve proposta de acordo ao Irã com exigências mais duras e prolonga negociações

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo May 31, 2026
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump decidiu devolver ao Irã a proposta de acordo que vinha sendo negociada entre os dois países, exigindo alterações em pontos considerados centrais pela Casa Branca, segundo informações da rede CNN. A decisão, tomada após uma reunião com assessores na sexta-feira, prolonga as negociações por pelo menos mais uma semana e evidencia que o entendimento anunciado recentemente pelo próprio presidente como "praticamente finalizado" ainda enfrenta obstáculos importantes antes de ser concluído. Estratégia ameaçada: Plano dos EUA para destruir capacidade de mísseis do Irã enfrenta obstáculos com rápida recuperação de bases subterrâneas Contexto: Trump compartilha rascunho de acordo com Irã a aliados enquanto ministro paquistanês viaja aos EUA para reunião com Rubio De acordo com autoridades americanas, Trump solicitou mudanças relacionadas principalmente aos compromissos nucleares iranianos e às garantias sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo. Os detalhes exatos das alterações não foram divulgados. Fontes do governo afirmam, porém, que o presidente também demonstrou preocupação com eventuais benefícios econômicos oferecidos a Teerã como parte do acordo. Trump busca evitar comparações com o entendimento nuclear firmado em 2015, durante o governo de Barack Obama, frequentemente criticado por ele como excessivamente favorável aos iranianos. Initial plugin text A nova rodada de negociações ocorre uma semana depois de Trump declarar que o acordo estava amplamente concluído e sugerir que o fim das hostilidades entre os dois países era iminente. Desde então, autoridades americanas vêm relatando avanços nas conversas para encerrar o conflito, reabrir o Estreito de Ormuz e iniciar negociações mais detalhadas sobre o programa nuclear iraniano. Apesar do otimismo demonstrado publicamente pela Casa Branca, uma reunião de cerca de duas horas realizada na sexta-feira terminou sem decisão definitiva. Trump chegou a afirmar nas redes sociais que faria uma "determinação final" sobre o acordo, mas acabou optando por enviar novas exigências aos negociadores iranianos. Análise: Guerra no Irã impõe sombra à celebração dos 250 anos de independência dos EUA e causa fissuras na base de Trump Divergências persistem As negociações seguem marcadas por divergências importantes. Trump afirmou recentemente que os EUA assumiriam o controle do estoque iraniano de urânio altamente enriquecido e destruiriam esse material como parte do acordo. A República Islâmica, entretanto, sustenta que o atual processo de negociação não inclui discussões detalhadas sobre seu programa nuclear. Também há desacordo sobre a questão financeira. Enquanto Trump afirmou que não houve discussão sobre transferências de recursos ou alívio econômico para Teerã, autoridades iranianas insistem que qualquer acordo precisará incluir medidas concretas nessa área. Entenda: Libaneses estão resignados a enfrentar uma guerra longa, mesmo se acordo entre EUA e Irã for anunciado A forma como essas diferenças serão resolvidas continua incerta. Neste domingo, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, reforçou a posição de Teerã ao afirmar que nenhum acordo será aprovado sem garantias concretas dos interesses iranianos. — Os soldados do campo diplomático não confiam nas palavras e promessas do inimigo. O que importa são conquistas tangíveis que devemos obter; em troca delas, cumpriremos nossos compromissos — declarou, em um vídeo divulgado pela agência iraniana Tasnim. Ormuz segue no centro da disputa Um dos principais pontos de preocupação para Washington continua sendo o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz. Veja: Irã afirma ter disparado contra quatro navios que tentavam cruzar o Estreito de Ormuz O senador democrata Chris Coons afirmou neste domingo que as condições apresentadas por Trump parecem aceitáveis em teoria, mas questionou se elas poderão ser implementadas na prática. Segundo ele, os recentes confrontos demonstraram que o Irã ainda possui capacidade para interromper o tráfego marítimo na região por meio de minas navais e ataques com drones. — Podemos usar nossa superioridade tecnológica para bombardear grandes instalações no Irã, mas não conseguiremos impedir que eles mantenham capacidade para fechar o Estreito de Ormuz ou atacar nossos aliados com drones — afirmou. Veja fotos do Estreito de Ormuz, foco de tensão entre Irã e EUA Em resposta à ameaça representada pelo controle iraniano da passagem marítima, Trump ordenou que a Marinha americana mantivesse o bloqueio aos portos iranianos e atuasse para remover minas da região. O governo iraniano, por sua vez, considera que o controle e a supervisão da navegação no Estreito de Ormuz fazem parte de seus direitos soberanos, o que pode representar um ponto adicional de atrito nas negociações com Washington. Três meses depois: Guerra de Trump no Irã move peças no Oriente Médio e expõe desafios globais de segurança A operação militar continua em vigor mesmo durante as negociações diplomáticas. Na sexta-feira, segundo o Comando Central dos EUA, forças americanas desativaram um navio de bandeira gambiana que seguia em direção ao Irã após mais de 20 advertências ignoradas. Um míssil foi disparado contra a casa de máquinas da embarcação. De acordo com o comando militar americano, este foi o quinto navio comercial interceptado desde o início do bloqueio. Mais de cem embarcações também tiveram suas rotas alteradas para evitar a área de restrição imposta pelos EUA. (Com AFP)

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