Caso Gabriel Ganley: Estudo com 20 mil atletas aponta morte cardíaca súbita como principal causa de óbito entre fisiculturistas
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May 27, 2026
A morte do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, de 22 anos, voltou a chamar atenção para os riscos cardiovasculares associados ao fisiculturismo competitivo após o atestado de óbito apontar cardiomiopatia hipertrófica como causa da morte. A condição, caracterizada pelo espessamento anormal do músculo cardíaco, aparece no centro de um debate que ganhou força recentemente na comunidade médica: a incidência de morte cardíaca súbita entre atletas da modalidade. Após laudo sobre morte de Gabriel Ganley, Renato Cariani comenta diagnóstico do fisiculturista; assista Entenda: Fisiculturista Gabriel Ganley morreu por cardiomiopatia hipertrófica, aponta atestado Um estudo publicado em 2025 no European Heart Journal apontou que a morte súbita cardíaca foi a principal causa de óbito identificada entre fisiculturistas analisados em uma pesquisa internacional com mais de 20 mil atletas homens. O levantamento, conduzido por pesquisadores ligados à Universidade de Pádua, na Itália, analisou 20.286 atletas que participaram de competições da Federação Internacional de Fitness e Fisiculturismo (IFBB) entre 2005 e 2020. Durante o período monitorado, foram registradas 121 mortes. Destas, 46 foram classificadas como mortes cardíacas súbitas, o equivalente a 38% dos óbitos identificados. Os pesquisadores afirmam que autópsias disponíveis de atletas mortos subitamente mostraram, de forma recorrente, aumento do coração e hipertrofia ventricular — quadro associado a arritmias graves e insuficiência cardíaca. O estudo também concluiu que fisiculturistas profissionais apresentaram risco mais de cinco vezes maior de morte cardíaca súbita em comparação com atletas amadores. Pressão extrema sobre o organismo Segundo os autores, embora o fisiculturismo envolva treinamento físico intenso, a preparação para competições frequentemente inclui práticas consideradas agressivas ao organismo, como restrição calórica extrema, desidratação, uso de diuréticos e consumo de substâncias para ganho de massa muscular e definição corporal. A pesquisa também cita o uso de esteroides anabolizantes como um dos fatores associados ao aumento do risco cardiovascular. De acordo com os autores, essas substâncias podem provocar hipertensão, alterações estruturais no coração, fibrose cardíaca e maior predisposição a arritmias potencialmente fatais. Gabriel Ganley acumulava cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram e ficou conhecido por conteúdos sobre musculação e rotina fitness. Entre 2023 e 2024, participou de competições de fisiculturismo natural, modalidade que proíbe o uso de substâncias para melhora de desempenho. No ano passado, porém, revelou nas redes sociais que havia iniciado o uso de anabolizantes e insulina. Em vídeos publicados recentemente, o influenciador relatava episódios de “confusão mental” e suor excessivo após consumir insulina, hormônio utilizado por alguns fisiculturistas para acelerar ganho muscular e recuperação física. O estudo afirma que a popularização do fisiculturismo e da cultura de hipertrofia nas redes sociais transformou o tema em uma questão de saúde pública que ultrapassa atletas profissionais. Os autores defendem maior acompanhamento médico, intensificação de controles antidoping e estratégias preventivas voltadas também para frequentadores comuns de academias.
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