No Rio, Lula faz aceno a governador em exercício e diz que se a Alerj tivesse que indicar alguém para o cargo 'viria um miliciano'
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May 23, 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou agenda na manhã deste sábado (23), na Fiocruz, em Manguinhos, na Zona Norte do Rio, para a inauguração de novas instalações do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS). Datafolha: Avaliação do governo Lula melhora depois de caso ‘Dark Horse’ Ao lado do governador em exercício do Rio, Ricardo Couto, Lula se colocou à disposição do desembargador para ajudar a crise de segurança no estado e destacou a oportunidade do governador “que não precisou pedir votos”. — O governador não tem cara de deputado, de governador ou presidente. Ele era um desembargador. E foi muito aplaudido aqui hoje. Você percebeu? Eu tenho certeza que o ex-governador não seria aplaudido. A justiça tomou uma decisão que acho correta de colocar você como interino até as eleições. Ninguém quer que você faça uma ponte, as pessoas querem que você trabalhe para prender políticos que fazem parte de uma milícia organizada — disse Lula se dirigindo diretamente ao governador em exercício. — Não é possível que uma cidade como o Rio tenha território tomados pela milícia. Vamos juntos devolver os territórios para o povo. Você que não precisou pedir voto. Eu nunca tinha te visto, mas sabia se a assembleia tivesse que indicar, viria um miliciano. Aproveite esses meses que você tem para ajudar a consertar este estado. Antes do presidente, Couto se dirigiu rapidamente ao público presente e afirmou que “as portas do Rio estão abertas”. — Como governador em exercício e cidadão fluminense e gostaria de fazer uma palavra de agradecimento ao presidente Lula e ao governo federal pelas iniciativas. Parafraseando Milton Nascimento, a saúde deve ir aonde o povo está. Gostaria de deixar bem claro que as portas do estado do Rio estão abertas para todo o incentivo à saúde — afirmou o desembargador Ricardo Couto, muito aplaudido pelos presentes. Acompanhado da primeira-dama Janja da Silva, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do presidente da Fiocruz, Mário Moreira, Lula realizou ainda o lançamento do Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T e a entrega de 42 veículos do programa Agora Tem Especialistas-Caminhos da Saúde e do SAMU para o estado. As medidas têm como objetivo fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Durante a fala, Lula destacou a importância do investimento em tecnologia e lembrou encontro recente com o presidente americano Donald Trump. — Investimento em pesquisa é algo que muitos não gostam de fazer, porque pode não ter um resultado positivo. O que mais escutamos é que não tem dinheiro. O fazer custa muito, mas quanto custa não fazer? É o que precisamos fazer para colocar o Brasil no rol de países em desenvolvimento. Disse recentemente ao presidente Trump que não temos preferência ideológica de aliados. Não tenho preferência pela China, pela Rússia. Tenho preferência por quem quer compartilhar conhecimento. Quando as coisas não são distribuídas, ela enriquece poucos — afirmou Lula. O evento, que concluiu o calendário oficial dos 125 anos da Fiocruz, contou ainda com a presença de autoridades como o prefeito do Rio Eduardo Cavaliere (PSD-RJ), a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, recém-filiada ao PT, os deputados federais Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Benedita da Silva (PT-RJ), Laura Carneiro (PSD-RJ) e Chico Alencar (PSOL-RJ), além de prefeitos dos municípios do estado agraciados com novos veículos. Lula valorizou o investimento em ciência e tecnologia, elogiou o trabalho da Fiocruz durante a pandemia e ressaltou os esforços para estruturar os hospitais federais, que, segundo ele, teriam sido alvo de abandono durante o governo Bolsonaro. Foram investidos R$ 370 milhões no prédio-sede do CDTS/Fiocruz. O centro é especializado no desenvolvimento de produtos e tecnologias ligadas a vacinas, fármacos, biofármacos, reativos e métodos de diagnóstico para o SUS. Parte do Programa para Ampliação e Modernização de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (PDCEIS), vinculado ao Novo PAC, o Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T contou com investimento de R$ 330 milhões e busca tornar mais acessível à população tecnologia inovadora no tratamento do câncer. Em fala, Padilha afirmou que com a tecnologia, será possível oferecer de graça no SUS um tratamento que custa regularmente US$ 400 mil no exterior. O ministro da Saúde fez duras criticas ao senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). — O Rio de Janeiro tem seis hospitais federeis e três institutos de saúde. No governo anterior (de Jair Bolsonaro), eles eram controlados por um poderoso chefão, um senador. Era quem indicava os diretores, quem fechava os contratos. E era o filho do presidente, o Bolsonarinho. Ele não fez programas de acolhimento durante a pandemia e fez um verdadeiro apagão nos hospitais federais do Rio. Tivemos que ressuscitar essas unidades a partir de 2023 — afirmou Padilha. — O Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, tinha estruturas entregues à milícia. Os médicos precisavam pagar pedágio para usar o estacionamento. O poderoso chefão permitiu isso. Lula evitou comentar sobre Flávio em seu discurso, mas não deixou de manifestar surpresa com a fala de Padilha. — Passei a vida inteira achando que o Fidel Castro falava muito. Nunca tinha visto o Padilha tão solto — brincou o presidente. Concluindo as atividades, o presidente anunciou a entrega de 40 unidades do micro-ônibus do Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde, destinadas a 38 cidades do estado do Rio, no valor de R$ 23,3 milhões. Também foram entregues duas vans ao estado e uma ambulância do Samu para o município de São João do Meriti.
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